A Central Eleitoral da GloboNews entrevistou nesta segunda-feira (26) o candidato do PSOL a prefeito do Rio de Janeiro, Tarcísio Motta.
A GloboNews convidou candidatos que tivessem pelo menos 5% de intenção de voto e que estivessem entre os cinco primeiros colocados na última pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (22).
A ordem das entrevistas foi definida em sorteio realizado na sexta-feira (23) com a presença de representantes partidários.
Nesta terça-feira (27), será a vez de Alexandre Ramagem (PL). Na quarta (28), a entrevista será com Eduardo Paes (PSD).
A equipe do Fato ou Fake conferiu as principais declarações de Tarcísio Motta. Ler:
“Hoje é isso que determina a Lei do SUS. O prefeito é o gestor pleno do SUS. Quem tem o controle é ele, precisa ter o controle de todas as vagas presentes no município. Inclusive os hospitais privados, mas não se trata de intervenção. Existem muitos hospitais privados que realizam procedimentos em parceria com o SUS. E essa é uma questão estabelecida em acordo com os próprios hospitais privados.”
A afirmação é #FACT. Veja por quê: De acordo com a Lei 8.080/1990, que disciplina o Sistema Único de Saúde, os municípios são responsáveis por planejar, organizar, controlar e avaliar as ações e serviços de saúde, além de gerenciar e executar os serviços públicos de saúde. A legislação prevê ainda que é o município quem celebra contratos e convénios com entidades prestadoras de serviços privados de saúde, bem como controla e avalia a sua execução. Nesse sentido, são as prefeituras, por meio das Secretarias de Saúde, que assumem o papel de gestoras plenas do SUS.
No Rio de Janeiro, a secretaria é responsável pelo Sisreg (Sistema de Regulação de Vagas para Consultas e Cirurgias), no qual a rede básica de saúde – de responsabilidade do município – solicita consultas, exames e procedimentos de média e alta complexidade, além de leitos hospitalares regulares.
“O que não podemos pensar é que está tudo bem para a cidade do Rio de Janeiro ter esse crescimento no Orçamento – que mencionei em uma das primeiras perguntas – e termos 500 mil pessoas passando fome.”
A afirmação é #FACT. Veja por quê: Durante a audiência, o candidato cita como fonte para o número de pessoas que passam fome na cidade um estudo realizado pelo Instituto de Nutrição Josué de Castro (INJC/UFRJ) em conjunto com a Câmara Municipal do Rio. A pesquisa, intitulada Mapa da Fome no Município do Rio de Janeiro, mostra que, entre 2023 e 2024, 7,9% do município vive em grave insegurança alimentar. O percentual significa que 488.709 pessoas passam fome na cidade, podendo passar, segundo o estudo, um dia inteiro sem comer ou fazendo apenas uma refeição por dia.
A pesquisa mostra também que nos últimos seis anos houve um aumento de 300% no percentual de moradores do Rio com insegurança alimentar grave. Entre 2017 e 2018, a parcela da população que se encontrava nesta situação era de 2% do município.
“O auxílio emergencial temporário, que se chama Aluguel Social, é de R$ 400 desde 2010.”
A afirmação é #FACT. Veja por quê: No comunicado, Tarcísio se refere ao Auxílio Moradia Temporária (AHT), benefício provisório concedido pela prefeitura para custear o aluguel de imóveis residenciais por prazo determinado para famílias de áreas de risco. Em 2010, o benefício foi fixado em R$ 400 mensais. Desde então, apesar das atualizações nos decretos municipais que tratam do benefício, seu valor permanece o mesmo até hoje —a Prefeitura do Rio, ao ser procurada, confirmou o valor.
“A proposta do [Marcelo] Crivella tinha como objetivo único e exclusivo aumentar a receita da Prefeitura. E vejam, do ponto de vista de aumento da arrecadação, podemos até dizer que deu certo: a arrecadação de IPTU na cidade do Rio de Janeiro vem crescendo nos últimos anos.”
A afirmação é #FACT. Veja por quê: Dados oficiais mostram que a arrecadação de IPTU cresceu na cidade do Rio entre 2017 e 2019 – passou de R$ 3,21 bilhões (2017) para R$ 3,42 bilhões (2018) e depois para R$ 3,89 bilhões (2019). Em 2020, ano de início da pandemia da Covid-19, porém, houve queda (R$ 3,54 bilhões), mas voltou a crescer em 2021, chegando a R$ 4,1 bilhões. Desde então, manteve essa trajetória: R$ 4,31 bilhões (2022) e R$ 4,87 bilhões (2023).
“Há um primeiro elemento que é a cobrança dos grandes devedores. Estimamos pela CGM, Controladoria Geral do Município, a emissão do estoque de dívida ativa em cerca de R$ 30 bilhões. Desses, a avaliação da própria CGM é que algo em torno de R$ 10 a R$ 11 bilhões são recuperáveis”.
A declaração é #FAKE. Veja por quê: De acordo com o “Relatório de Prestação de Contas Governamentais 2023”, elaborado pela Controladoria Geral do Município, o estoque da dívida ativa encerrou 2023 em R$ 66,6 bilhões, dos quais R$ 339,2 milhões eram créditos de curto prazo (recebíveis em até 12 meses de encerramento anual do balanço) e R$ 66,3 bilhões em créditos de longo prazo (recebíveis após 12 meses do encerramento do balanço).
Ainda de acordo com o relatório contábil, entregue à Câmara Municipal e ao Tribunal de Contas Municipal, dos R$ 66,3 bilhões em créditos de longo prazo, R$ 35,1 bilhões foram incluídos como “Ajuste do Prazo de Perda de Crédito de Longo Prazo”, ou seja , eles são considerados difíceis de receber. Segundo a CGM, os créditos de dívida ativa previstos para serem recebidos são de R$ 31,2 bilhões.
Consultado, o assessor de Tarcísio disse: “Há previsão de recebimento de R$ 31,2 bilhões de dívida ativa. Nossa expectativa é captar cerca de R$ 10 bilhões a R$ 15 bilhões desse valor considerado recuperável (entre um terço e metade), investindo na expansão a estrutura da Procuradoria Geral do Município Foi simplesmente uma imprecisão considerar os recebíveis estimados como a dívida total”.
“Mesmo assim, o Orçamento da Prefeitura do Rio de Janeiro em 2017 ficou em torno de R$ 27 bilhões. Em 2020, subiu para R$ 30 bilhões em valores aproximados. Em 2023, como você disse, chegou a R$ 43 bilhões. Está crescendo acima da inflação mesmo depois do caos da pandemia.”
A afirmação é #FACT. Veja por quê: O orçamento da cidade do Rio de Janeiro foi de R$ 25,1 bilhões em 2017. Em 2020, esse valor chegou a R$ 31,8 bilhões e chegou a R$ 43,9 milhões no ano passado.
“Desde 2021, a cidade do Rio de Janeiro deverá ter um plano municipal de segurança pública para reduzir a violência. Essa é uma determinação do Sistema Único de Segurança Pública. Uma determinação. Que Eduardo Paes não cumpre. Esse plano é um plano que estabelece metas, que estabelece políticas baseadas em evidências e, neste caso, o governo do estado é chamado a participar da elaboração, mas também do cumprimento das metas e do planejamento comum. Isto não é nenhum favor. É uma obrigação que o prefeito, o governador e o governo federal, cada um em suas respectivas responsabilidades, devem cumprir na gestão do território para reduzir a violência. Este é o papel.”
#NÃOBOM. Veja por quê: No dia 4 de junho deste ano, o Diário Oficial da cidade do Rio publicou decreto, assinado pelo prefeito Eduardo Paes, que dispõe sobre a elaboração de diretrizes para posterior regulamentação do Plano Municipal de Segurança Pública da cidade do Rio de janeiro.
O documento detalha cinco eixos estratégicos para implementação do plano. Entre eles, o eixo de inteligência voltado para implementação de tecnologias de análise de dados, serviços de inteligência estratégica, com foco no planejamento e implementação de planejamento estratégico e ações de segurança pública. No mesmo dia da publicação do decreto, a prefeitura inaugurou o projeto Civitas, centro de inteligência que integra atividades de instituições municipais, estaduais e privadas.
“Eduardo Paes, em 2018, quando as opções eram Haddad e Bolsonaro, decidiu que preferia o plano de Paulo Guedes e, portanto, gostava mais de Bolsonaro.”
#NÃOBOM. Veja por quê: Durante o segundo turno para o governo do estado do Rio em 2018, Eduardo Paes enfrentou Wilson Witzel (então no PSC), sem que nenhum deles recebesse apoio direto do então candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (no vez, no PSL), que liderava a disputa pelo Palácio do Planalto —e venceria aquela eleição.
Paes, porém, afirmou, em debate organizado pelos jornais O Globo e Extra, que a agenda de Bolsonaro na área de segurança estava alinhada com a sua, destacando que o setor seria tratado como prioridade em seu eventual governo. Além disso, Paes também citou a área econômica, quando afirmou que a “agenda definida por Paulo Guedes” (então futuro ministro da Economia) resultou em “uma maior identidade com a agenda de Bolsonaro”. O atual prefeito não disse, porém, que “gostava mais de Bolsonaro”.
“Temos um sistema de alerta e alarme no Rio de Janeiro, no entorno do Maciço da Tijuca e da Serra da Misericórdia. Não temos sistemas de alerta e alarme nas áreas de inundação, nem no entorno do Maciço da Pedra Branca, nem do Maciço do Gericinó.”
#NÃOBOM. Veja por quê: A cidade do Rio possui, segundo a prefeitura, “33 estações de telemetria espalhadas por todas as regiões […] [que] enviar dados em tempo real, a cada 15 minutos, para a central Alerta Rio.” Algumas delas estão localizadas em áreas afetadas pelas enchentes, como Jardim Botânico, Bangu, Avenida Brasil e Barra (uma estação na Barrinha e outra no Riocentro).
Estas estações, no entanto, não têm de facto capacidade para emitir avisos sobre locais onde há inundações. Entre todas as 33 estações, 26 delas são pluviômetros (emitindo apenas o volume de chuva), outras cinco “enviam leituras de chuva, temperatura e umidade do ar (Irajá, Jardim Botânico, Barra/Riocentro, Santa Cruz e Alto da Boa Vista) ” e as duas restantes são consideradas “estações meteorológicas completas”, transmitindo “dados de chuva, vento, temperatura, umidade do ar e pressão atmosférica (Guaratiba e São Cristóvão)”.
Participaram dessa checagem: Camila Zarur, Giovanna Durães, Luciano Ferreira, Marcelo Gomes, Mariene Lino, Marcus Vincax e Marco Antônio Martins.
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