Depois de três décadas na estrada, a banda brasileira de reggae Natiruts está em turnê de despedida pelo Brasil. “Natiruts – Leve Com Você Ao Vivo” terá 20 shows em XX cidades – a última apresentação em São Paulo será neste sábado (31) no Allianz Parque e terá transmissão ao vivo no Multishow e no Globo Play. Até o momento, foram 11 álbuns, mais de 1.500 shows e 2,5 milhões de visualizações em streams.
Luís Mauricio, baixista e fundador do Natiruts, disse à Practica ESG que, mais do que inspirar através da música, a banda também quer ajudar a conscientizar sobre a importância da preservação do meio ambiente. “Temos consciência de que, como artistas, temos que fazer a nossa parte e dar o exemplo, mostrar alguns caminhos para outras pessoas seguirem. Tentar transmitir alguma mensagem, alguma informação relevante, que faça a diferença e tenha impacto na vida do todo, do coletivo, do social”, afirma.
A banda anunciou a neutralização de todas as emissões de gases de efeito estufa (GEE) de toda a turnê, algo que hoje é mais comum em eventos, mas menos em shows. Na prática, isso significa que toda a poluição gerada pelos shows nas cidades onde ocorrerão até o final do ano será contabilizada e esse volume será compensado por meio de investimentos em projetos de preservação ambiental, reflorestamento e incentivos à geração de energias renováveis. energia.
“É um prazer estar mostrando esse caminho, estar alinhado e tentar contribuir com esses objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU”, ressalta, ao comentar a parceria com a WeCarbon para compensação de emissões.
Os projetos recebem dinheiro indiretamente, através da venda de créditos de carbono. Serão contemplados o projeto de preservação REDD+ Santa Maria, localizado na Amazônia em Mato Grosso, e o projeto REDD+ Legados Verdes em áreas de Cerrado em Goiás. REDD+ é a sigla para Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal. Segundo as Nações Unidas, refere-se a um mecanismo que permite remunerar quem mantém as suas florestas em pé, sem desmatamento, e assim evita emissões de gases de efeito estufa associadas ao desmatamento e à degradação florestal.
“É muito importante a gente compartilhar essas informações sobre a preservação dos nossos biomas, das nossas florestas, tanto da Amazônia quanto do Pantanal, que se fala muito, mas também do Cerrado, que é um bioma super importante e que não tem tanto destaque quanto esses outros dois. O Cerrado é considerado berço das águas e sabemos que sem água não há vida”, comenta Luís Mauricio.
Segundo a WeCarbon, empresa contratada pela banda para fazer o inventário de GEE e compensar as emissões, as operações diretas do passeio deverão emitir cerca de 550 toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO2e). Este será o volume de créditos de carbono adquiridos em projetos de preservação, reflorestamento e incentivo à geração de energia renovável. A conta inclui emissões diretas para as apresentações, viagens terrestres e aéreas de artistas e staff, além do transporte de equipamentos e geração de resíduos ao longo da produção.
“Além de reduzir e neutralizar a pegada de carbono dos nossos clientes, temos como ‘bandeira’ – e no próprio nome ‘NÓS’ – que o combate às alterações climáticas é coletivo. Para isso, precisamos comunicar, educar e evoluir a cultura ambiental da sociedade”, comenta Leonardo Amodio, sócio-fundador da WeCarbon, ao Pratique ESG. Ele destaca que o alcance dos artistas pode fazer grande diferença na comunicação de valores e práticas socioambientais. “Damos muito valor a esses clientes com grande poder transformador.”
Amodio explica que muitas empresas que patrocinam eventos desse tipo – festivais, por exemplo – também possuem uma agenda ESG (sigla para questões ambientais, sociais e de governança) bem estruturada e, por isso, a demanda pela neutralização de carbono em eventos cresce rapidamente.
“Estamos no segundo ano desse seguimento, e em 2024 praticamente triplicamos o número de eventos em relação a 2023”, afirma o executivo da WeCarbon. Além de shows e festivais, a WeCarbon já neutralizou a comemoração dos 50 anos da ponte Rio Niterói, do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, e da Bienal do Livro, no Riocentro.
Neutralizar um evento de grande porte depende de uma série de fatores, que vão desde quantidade de pessoas, equipamentos, consumo de energia, estimativa de geração de resíduos, entre outros. “Os preços oscilam dependendo do volume e da complexidade, e variam, em média, entre R$ 3 mil e R$ 15 mil por evento”, diz Amodio. O projeto inclui a produção do inventário de carbono, a escolha e o acompanhamento dos projetos investidos.
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Como funciona o processo de neutralização de emissões do evento
Apesar de crescente, o conceito de neutralização de carbono de produtos, serviços e eventos ainda é pouco difundido na sociedade. Amodio explica que o primeiro passo desse processo é a elaboração de um bom inventário de carbono, ou seja, um amplo mapeamento das fontes de emissões de gases de efeito estufa provenientes da operação direta.
“Para isso, precisamos entender a infraestrutura com os organizadores e captar as informações (volumes) durante a pré-montagem, produção e desmontagem. Isso envolve, por exemplo, tempo e potência dos geradores, logística para montagem de estruturas, deslocamentos de funcionários, convidados e artistas, transporte e destinação de resíduos e deslocamentos de funcionários diretos e indiretos do evento”, afirma o executivo da WeCarbon.
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Dependendo do porte e da complexidade do projeto, o inventário também é repassado para uma terceira auditoria, independente e externa, que verifica se as informações estão corretas e se não faltam detalhes. Esse procedimento ganhou destaque principalmente para reduzir o risco do chamado “greenwashing”, prática de dizer que faz mais pelo meio ambiente do que realmente faz.
Após o inventário, o próximo passo é traçar um plano de redução de emissões, ou seja, identificar alterações em processos, equipamentos e metas de melhoria de eficiência que possam reduzir as emissões totais. Exemplos mais comuns nas feiras são o uso de energia renovável, maior eficiência no uso de geradores, coleta seletiva para evitar aterros e reciclagem ou reaproveitamento.
Uma das bandas internacionais mais envolvidas neste tema é a banda britânica Coldplay. Ficaram conhecidos por apelar a milhares de fãs, que usavam pulseiras que emitem luz durante as apresentações, para que devolvessem os equipamentos. Dessa forma, as pulseiras poderiam ser reaproveitadas e exigiriam menos produção de novas (e, consequentemente, maior demanda por matéria-prima e geração de emissões poluentes).
Em março de 2023, durante uma turnê internacional, informações sobre o ranking de devolução de pulseiras viralizaram nas redes sociais. A imagem mostrou que Buenos Aires, na Argentina, devolveu 94% das pulseiras, enquanto Santiago, no Chile, ficou em segundo lugar com 86%. A cidade colombiana de Bogotá seguiu com 85% e São Paulo, no Brasil, ficou em último lugar no ranking, com apenas 79% das pulseiras recicladas.
Desde 2021, a banda britânica adotou uma série de ações de sustentabilidade, com o objetivo de 50% de emissões equivalentes de carbono (CO2e) da turnê “Music of the Spheres” em relação à anterior (“A Head Full of Dreams Tour”) . Até a energia cinética gerada pelo contato dos torcedores com o solo enquanto saltavam e dançavam foi aproveitada. A banda também se preocupou em utilizar energia renovável em suas apresentações e plantar árvores a cada ingresso vendido.
Em 2022, com apoio de pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT), a banda anunciou que conseguiu reduzir as emissões em 47%. O compromisso de ser “amigo do ambiente” foi amplamente divulgado durante o período de apresentação pelo vocalista Chris Martin e inspirou outros artistas a começarem a se preocupar com a sustentabilidade de seus shows.
Mesmo com um plano de sustentabilidade robusto, eventos deste porte ainda apresentam uma elevada pegada de carbono e, portanto, a compensação através de compras de créditos de carbono ou outras frentes diretas de reflorestamento será necessária por algum tempo. Portanto, o próximo passo após a implementação do plano de mitigação é a busca por projetos que neutralizem o excesso de emissões.
Amodio explica que prefere utilizar créditos de carbono, mas sempre provenientes de projetos certificados por verificadores internacionais, como o Verra, por exemplo. São projetos em áreas de reflorestamento, preservação (REDD+) ou incentivo à geração de energia renovável (MDL). “Normalmente montamos uma ‘mistura’ [combinado] desses projetos de acordo com as características e narrativa do cliente”, afirma.
Verificar a seriedade do projeto também é importante, já que, nos últimos dois anos, uma série de denúncias de fraudes e ilegalidades vieram à tona no Brasil e em outros países, questionando a credibilidade do instrumento de crédito de carbono. Por isso, as consultorias que trabalham com a solução redobraram os esforços de due diligence. “Além de toda certificação, acompanhamos os relatórios e desempenho dos projetos e suas respectivas entregas. Caso haja algum desvio ou dúvida, imediatamente excluímos do nosso portfólio”, afirma.
Uma vez utilizado o crédito para compensar emissões, ele é “aposentado”, ou seja, não pode mais ser utilizado.
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