Em apenas algumas semanas, as conversas nas operações e nas mesas dos restaurantes da Faria Lima passaram de qual seria o ritmo e o piso para redução da taxa Selic até quando ela voltará a subir e até onde poderá ir. É a conhecida ciclotimia do mercado financeiro brasileiro.
O Taxa Selic manteve-se em 13,75% durante um ano, quando em Agosto do ano passado o COPOM iniciou o ciclo de flexibilização monetária, cortando a taxa em 0,5% ao longo de seis reuniões consecutivas e terminando-o com um corte de 0,25%% em Maio passado. Desde então, foram realizadas mais duas reuniões em que a taxa permaneceu nos mesmos 10,50% ao ano.
As razões desta interrupção são bem conhecidas. A flexibilização da meta do excedente fiscal, as declarações de membros do Governo, especialmente do Presidente da República, de que não poderia submeter as necessidades do país aos ditames do orçamento e os repetidos, e quase inexplicáveis, ataques de sua autoria ao Presidente do Banco Central e a autonomia da autoridade monetária.
Como resultado desta artilharia, o dólar subiu às alturas, a desconfiança quanto à sustentabilidade do quadro fiscal e da dívida pública aumentou e os efeitos deletérios nas expectativas de inflação tornaram-se presentes.
Curiosamente, o mercado financeiro vive há meses um misto de apostas e torções pela redução da taxa básica americana e quando o FED finalmente anuncia uma possibilidade real de iniciar o processo de flexibilização monetária, o clima no Brasil vira de cabeça para baixo.
Neste ambiente mais conturbado e cético, ganharam naturalmente força as preocupações com a condução da política monetária a partir do próximo ano, quando o Banco Central terá um novo Presidente e a composição do COPOM terá uma maioria de indicados pelo atual Governo.
Ainda no campo das lembranças, vale lembrar que a decisão dividida do COPOM, na reunião de maio passado, quando todos os diretores indicados pelo presidente Lula votaram pela redução de 0,5% da Selic, em oposição aos demais, que foram mais conservadores e optaram para um corte de 0,25%. Essa pontuação parece ter sido um divisor de águas em relação às expectativas sobre o compromisso do BACEN com a meta de inflação a partir de 2025.
A desconfiança de um lado e a deterioração das expectativas de outro, geraram preocupações sobre os rumos da política monetária a partir do próximo ano, e fizeram com que migrássemos rapidamente para o estágio atual, em que a discussão é mais sobre quando será o próxima alta da Selic e menos sobre se ela ocorrerá.
A nomeação do diretor de política monetária, Gabriel Galípolo, é dada como certa pelo mercado. Homem de confiança do Ministro das Finanças, Fernando Hadad, de quem foi secretário executivo e próximo do Presidente da República, não parece haver impedimentos à sua conduta.
A mesma proximidade que o torna um “one-to-one” para a Presidência é a mesma que cria ao seu redor uma aura de desconfiança quanto à sua independência para tomar decisões árduas quando necessário. Afinal, o alinhamento de ideias ou a subserviência podem impedir você de fazer o que precisa ser feito.
Como uma espécie de vacina para a desconfiança, Galípolo tem falado publicamente nas últimas semanas sobre a desancoragem das expectativas relativamente à inflação para o ano de 2025 e a possível necessidade de subida das taxas de juro. Nesse sentido, foi assertivo ao dizer que o COPOM não será leniente e fará o que for necessário para conduzi-lo ao seu objetivo.
Vale destacar que suas palavras estão em total consonância com a última ata da reunião do COPOM e foram endossadas em mais de uma ocasião pelo presidente do BC. Nesse combo formado pela desconfiança do mercado e expectativas deterioradas, o melhor seria promover imediatamente um aumento da taxa Selic.
As declarações de Galípolo e a concordância da diretoria do BC, associadas ao iminente corte dos juros americanos, parecem ter surtido efeito e o clima do mercado melhorou nos últimos dias, empurrando o dólar para baixo e a Bolsa brasileira para cima. Apesar deste clima mais ameno, as expectativas permanecem indefinidas e o início de um ciclo ascendente parece inevitável.
Nesse contexto, tudo o mais constante, para Galípolo e a nova diretoria seria bom promover imediatamente um aumento da taxa Selic, funcionaria como uma espécie de escudo. Impedi-lo-ia de chegar à Presidência com esta responsabilidade, o que o deixaria exposto a críticas do Governo e da base aliada. Isso garantiria alguma tranquilidade nos primeiros meses à frente do BC.
Para o Governo seria também uma medida positiva. O aumento nas próximas reuniões ficaria por conta da atual diretoria e criaria uma narrativa de que a atual diretoria é conservadora e ele, Galípolo, estaria apenas “jogando junto com o time”.
Para o mercado, sem dúvida, seria um sinal de independência, que o COPOM fará, de fato, o que for necessário para reancorar as expectativas.
Os últimos dados divulgados são muito favoráveis para a economia. O PIB cresce, o desemprego cai, o crédito aumenta. O cenário bom, porém, acaba pressionando os preços, a parte complicada da equação. O presidente Lula e seu partido já pediram trégua nos ataques e parecem ter guardado no fundo da gaveta a ideia de rever a independência do BC. Tudo isto, mais a situação externa, contribui para criar este clima mais favorável para a economia.
Se as condições atuais permanecerem iguais, este é o melhor momento para subir a Selic. Lembrando Geraldo Vandré, Quem sabe quando chegar a hora certa, não espere que isso aconteça.
Hudson Bessa Economista e sócio da Escola de Negócios HB
hudson@hbescoladenegocios.com
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