O governo do Rio Grande do Sul pode recorrer à Justiça se estiver sujeito aos gatilhos previstos na Constituição Federal para limitar o nível de despesas correntes, segundo Pricilla Maria Santana, secretária da Fazenda do Estado. A afirmação foi dada em apresentação nesta quinta-feira (27) na comissão de finanças da Assembleia Legislativa do Estado.
- Acompanhe a cobertura das chuvas no Rio Grande do Sul
De acordo com o artigo 167-A da Constituição Federal, quando a relação entre despesas correntes e receitas correntes dos Estados ultrapassar 95% num período de 12 meses, os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o Ministério Público, o Tribunal de Contas e a Defensoria Pública da entidade, enquanto a situação persistir, aplicar mecanismos de ajuste fiscal. Entre elas, Santana destaca restrições na contratação de pessoal e criação de novas despesas obrigatórias.
“Se desmoronarmos [do limite do artigo 167A da Constituição Federal] será acionado um conjunto robusto de restrições sobre a nossa capacidade de reação neste momento”, afirmou, destacando que ainda não existe uma ferramenta capaz de impedir isso. A Lei Complementar 206/24, que suspendeu por três anos o pagamento da dívida do Estado com a União, diz, não pode resolver esta questão.
“Porque este é um desafio constitucional. No início de nossas negociações, apresentamos formalmente uma proposta de emenda constitucional ao governo federal. Tivemos um debate sobre isso tanto quanto o presidente [do Senado, Rodrigo] Pacheco, assim como o presidente [da Câmara dos Deputados, Arthur] Lira, mas não conseguimos apoio político suficiente”, relatou.
“O que posso dizer é que no terceiro trimestre provavelmente sairemos da linha [do limite] deste artigo 167A. Isso trará consequências e um desafio gigantesco para implementar as políticas públicas que serão necessárias.”
Segundo Santana, o governo do Rio Grande do Sul estuda soluções. “Essas soluções, sou muito transparente e já falei até para o governo federal, podem significar, sim, a necessidade de a gente ter que administrar alguma solução jurídica perante o STF [Supremo Tribunal Federal]. Porque infelizmente a gravidade da situação não nos permite ficar presos a esta limitação por enquanto.”
Entre os desafios que o Estado enfrenta para a reconstrução, indicou, estão a insuficiência de quadros técnicos para traçar planos de trabalho e implementar acções de assistência, restauração, reconstrução e prevenção.
Na apresentação, Santana disse que basicamente tudo o que constava na lei do Orçamento do Estado para este ano “estava arruinado”. Com exceção da “rubrica de despesas, que foi acelerada”, disse, nos últimos dois meses todas as outras apresentaram tendência decrescente. “Tivemos queda na nossa receita total, queda na nossa receita corrente líquida.”
Segundo dados da Fazenda Rio Grande do Sul, a arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) projetada de 1º de maio a 18 de junho era, antes das enchentes, de R$ 6,74 bilhões. Foram efetivamente arrecadados R$ 5,16 bilhões, com prejuízo de 23,4%. Ainda segundo dados do Tesouro, estima-se que houve queda entre 14% e 20% no PIB gaúcho em maio. A projeção é de queda anual do PIB do Estado de 1,5% a 2%.
Para resolver a relação despesa/receita, diz Santana, o governo do Rio Grande do Sul solicitou à União um seguro de renda. A questão da queda das receitas, diz ela, é algo que “precisa ser tratado com urgência” e pode mitigar o efeito do artigo 167A da Constituição Federal. “Se a receita for recomposta não estaremos desalinhados com o [limite do] artigo e não sofremos as restrições. Este é um elemento determinante e estruturante para nós.” O seguro de renda solicitado pelo Estado, ainda em análise pelo Ministério da Fazenda, garantiria ao governo gaúcho uma receita equivalente à de 2023, corrigida pela inflação.
Santana refere ainda a reclamação em relação à dívida do Estado. Ela diz reconhecer os esforços do governo federal e do Congresso em relação à suspensão do pagamento da dívida já aprovada pela LC 206/24. “Não conheço nenhuma lei complementar nos meus 30 anos de serviço público que tenha sido aprovada em três dias. Isso mostra claramente que há comprometimento e engajamento de todos e conscientização. Mas isso não tira o compromisso do ministro [da Fazenda, Fernando] Haddad para discutir estruturalmente a nossa dívida. “Isso ainda está na mesa”, diz ela. Santana defende mudança no índice da dívida, hoje IPCA mais 4%. O pedido geral dos Estados neste debate é a redução do IPCA para mais 2%.
Santana defende que deveria ser colocado um “travamento” no indicador de inflação, como índice de dívida. A sugestão não foi bem recebida pela equipe técnica do Ministério da Fazenda, mas Santana afirma que há “viabilidade técnica e legalidade jurídica” para a utilização do centro da meta de inflação como índice.
consignado para servidor público
empréstimo pessoal banco pan
simulador emprestimo aposentado caixa
renovação emprestimo consignado
empréstimo com desconto em folha para assalariado
banco itau emprestimo