Com base nos números do primeiro trimestre de 2024, a situação financeira dos operadores de cuidados de saúde complementares começa a dar os primeiros sinais de reequilíbrio. Após três anos difíceis, com prejuízo operacional acumulado de R$ 17 bilhões, dos quais R$ 5,9 bilhões somente em 2023, as 670 empresas do setor, juntas, conseguiram reverter esse quadro para um ganho de R$ 1,9 bilhão nos primeiros três meses de este ano, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Para alcançar esse resultado, vários caminhos foram trilhados, incluindo redução de custos internos, pessoal, contratos, renegociação com redes credenciadas, otimização de ativos, reposicionamento comercial e mais controles internos para identificação de situações de fraude.
Parte das ações resultou na queda dos índices de acidentes, que atingiram pico de 89% em 2022 e 87% no ano passado. No início deste ano, o índice caiu para 82,5%, na média nacional, e algumas operadoras, como a Hapvida, conseguiram baixá-lo para 68% no período. A empresa também divulgou, em seu último balanço, que atingiu mais de R$ 1 bilhão em EBITDA ajustado (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização), o maior valor desde a combinação de negócios com a NotreDame Intermédica, que formou uma das maiores empresas verticais do país.
A sinistralidade é um indicador que mostra quanto as operadoras gastam com assistência à saúde (abrangendo consultas, exames, internações e todos os demais procedimentos realizados), em relação ao total arrecadado com mensalidades pagas pelos clientes. Indica, portanto, o equilíbrio e a sustentabilidade dos contratos, das operações e do setor como um todo.
Hoje, 51 milhões de brasileiros vivem cobertos por planos médicos pagos, sendo 70% deles na modalidade corporativa. E mesmo com a melhora no resultado líquido, operadoras e analistas ainda veem fatores que consideram desafiadores pela frente. “Acontece que o resultado das aplicações financeiras mantidas pelas empresas compensou esse déficit na operação, e o segmento encerrou o ano passado com resultado líquido positivo de R$ 1,93 bilhão”, observa Omar Abujamra Junior, presidente da Unimed do Brasil , uma das maiores e mais antigas empresas do setor. O executivo lembra que, com a pandemia da Covid-19, houve um forte aumento dos custos relacionados com a saúde, como insumos, materiais, medicamentos e serviços. Além disso, houve forte variação na procura por atendimento, com diminuição das solicitações de procedimentos eletivos nos primeiros meses, devido às restrições à circulação de pessoas, e posterior crescimento na utilização dos planos no final de 2020. Outro O impacto foi o aumento dos atendimentos de urgência e emergência, bem como das internações no auge da pandemia, especialmente as de alta complexidade e longa permanência, inclusive em terapia intensiva.
Diante do panorama da crise emergencial, o sistema Unimed aumentou os investimentos em assistência e ampliou em 58% a oferta de leitos em unidades de terapia intensiva (UTI) no período. “E contratamos mais de 13 mil profissionais de saúde e suporte operacional só nos primeiros 12 meses. Também construímos 12 hospitais de campanha em sete estados, estabelecemos parcerias locais com o Sistema Único de Saúde (SUS) e promovemos a expansão da telessaúde”, afirma Abujamra Junior. A aceleração da digitalização dos processos internos consumiu contribuições em tecnologia, capacitação e adequação de sua estrutura em um curto espaço de tempo. Em meio a esse cenário, a empresa manteve os investimentos já planejados na expansão de sua rede. “Contribuímos com cerca de R$ 1,5 bilhão para abertura e ampliação de hospitais, abrindo 20 unidades próprias entre 2020 e 2022, para garantir assistência de qualidade aos nossos beneficiários em meio à crise sanitária”, afirma o executivo.
Porém, dado o contexto atual e os elevados índices de sinistralidade, o sistema Unimed, formado por 340 cooperativas com gestão independente em todo o país, tem adotado estratégias focadas na eficiência operacional, gestão de riscos e investimentos em inovação. “Na assistência podemos citar, por exemplo, a implementação de prontuários eletrônicos para melhorar a coordenação do cuidado e reduzir redundâncias, bem como o investimento em iniciativas de prevenção e promoção da saúde, que previnem o agravamento dos quadros clínicos e favorecem o diagnóstico precoce”, diz o presidente da Unimed do Brasil.
Na gestão, muitas cooperativas estão implementando ferramentas para combater desperdícios e fraudes. Em inovação, o Lab Hub Unimed já mapeou mais de 130 startups para o desenvolvimento de soluções que incluem inteligência artificial (IA), big data, análise de dados e machine learning. Do ponto de vista sistêmico, somando todas as operações, o Sistema Unimed fechou o ano de 2023 com resultado líquido positivo de R$ 612,6 milhões, apesar de desempenho operacional negativo de R$ 1,29 bilhão. O primeiro trimestre de 2024 mostra evolução nos números, com resultado líquido consolidado de R$ 1,2 bilhão e resultado operacional também positivo em R$ 892,6 milhões. “Devido às regulamentações do setor, as operadoras devem manter aplicações financeiras para garantir suas atividades. Essas reservas possibilitam estabilidade e trazem segurança ao mercado, principalmente em períodos de crise econômica”, afirma o presidente. Para ele, com o cenário de juros ainda elevados, os rendimentos dessas aplicações têm contribuído para compor o resultado líquido e o equilíbrio das empresas.
Para os especialistas, um quarto ainda é pouco para avaliar o desempenho das operadoras e seus custos operacionais, que se tornaram mais elevados. Eles lembram que novas tecnologias e terapias foram incorporadas pela ANS e deveriam fazer parte do rol de atendimento, como transtorno do espectro do autismo (TEA), fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional e fisioterapia. “Os resultados melhoraram no primeiro trimestre de 2024, mas continuam sob pressão. Há a questão da sazonalidade, que faz diferença nos números, porque no primeiro trimestre as pessoas estão de férias e recorrem menos aos serviços médicos”, afirma Fátima Pinho, sócia da indústria de life sciences & health care da Deloitte. O especialista afirma que a questão da ausência de limite na lista de novas sessões também tem pesado nas contas das operadoras. “No que diz respeito às sessões de autismo, por exemplo, a ANS afirmou que não há mais limite de sessões. Isso trouxe um impacto relevante nas contas das operadoras”, afirma Pinho.
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Outro ponto que o especialista destaca é que no dia 12 de novembro de 2023 entrou em vigor no setor privado o novo salário mínimo para enfermeiros contratados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que passou para R$ 4.750, conforme definido em lei. Os técnicos de enfermagem passam a receber pelo menos 70% desse valor (R$ 3.325) e os auxiliares de enfermagem e parteiras, 50% (R$ 2.375). Os salários anteriormente vigentes eram de R$ 3.300 para enfermeiras, R$ 1.666 para técnicos, R$ 1.720 para auxiliares e R$ 1.190 para parteiras. “Muitas empresas que não tinham essa reserva tiveram que contribuir com esse valor de correção salarial no final de 2023. Esse foi um custo adicional que não estava previsto, em meio a um cenário já bastante desafiador”, diz Pinho. Ela alerta que, para cumprir as novas obrigações, muitas empresas demitiram profissionais e outras contraíram empréstimos.
Para a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), também é cedo para comemorar uma possível melhora no cenário e a situação pode ser pior para as operadoras de menor porte, que têm maiores dificuldades operacionais. No ano passado, 309 dessas empresas tiveram resultados operacionais negativos —têm mais de 23 milhões de beneficiários. Essas empresas, segundo a entidade, ainda não se recuperaram e estão tendo que arcar com gastos adicionais com mais de 70 novas tecnologias que foram incorporadas à lista com a promulgação das leis nº. 14.307/22 e 14.454/23. “A lei diz que as operadoras têm no máximo seis meses para se adaptarem à maior parte dessas tecnologias. Isso colocou o Brasil na posição de país que incorpora tecnologia no ritmo mais rápido do mundo, considerando todas as novas terapias”, afirma Marcos Novais, diretor executivo da Abramge.
A integração vertical, como a que vem ocorrendo nos últimos anos entre as grandes empresas, é vista pelo setor como uma das soluções para reduzir custos e ganhar escala. “Os Estados Unidos também se organizaram de forma mais verticalizada, com hospitais, clínicas, operadoras e laboratórios se unindo para ganhar escala. Temos quatro mil hospitais privados. Há espaço para maior consolidação, mas, no momento, os juros estão altos, o que encarece as transações”, afirma Novais.
“As operações que se verticalizaram também conseguiram equalizar melhor o índice de sinistralidade. Como é o caso do Hapvida. Isso está ligado a maior eficiência, melhoria de protocolos, combate a fraudes, uso de tecnologia e melhor visualização da jornada do paciente”, observa Bruno Porto, sócio e líder do setor de saúde da PwC Brasil. Para ele, a operação vertical permite coordenar o atendimento ao usuário de forma mais holística.
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