“Nossa Voz” atua no diálogo entre cafeicultores e trabalhadores, na tentativa de sanar conflitos e evitar situações como o trabalho análogo ao escravo Paula Magalhães Paiva faz parte da quinta geração de produtores de café da fazenda da família Paiva, localizada em Machado, em sul de Minas Gerais. Atenta às questões ambientais e sociais, a cafeicultora vem aprimorando o trabalho realizado por seus pais, Afrânio e Maria Selma, para produzir um café de qualidade e com sustentabilidade. Foi no início da safra atual que Paula descobriu o programa Nossa Voz, oferecido pela Ecotrading para quem comercializa parte de sua produção, que na safra passada totalizou 5 mil sacas de 60 quilos. Texto inicial do plugin Assim que soube da iniciativa, tornou-se parceira. “Fazer parte do projeto é importante, tanto para o trabalhador, que às vezes tem vergonha de falar sobre direitos trabalhistas com o empregador, quanto para a fazenda, que funciona apoiada na presença do sindicato nas negociações”, afirma o cafeicultor, que, em época de colheita, a contratação de pessoal costuma aumentar em 50%. “Há cerca de 40 pessoas a mais todos os anos. Temos conseguido trabalhar com os mesmos trabalhadores, que geralmente vêm do Norte de Minas Gerais”, afirma. O projeto Nossa Voz é uma iniciativa do Fundo Global para Acabar com a Escravidão Moderna (GFEMS) – ou Fundo Global para Acabar com a Escravidão Moderna, em tradução livre -, com apoio do governo dos Estados Unidos. O seu objetivo é promover condições de trabalho dignas através de duas estratégias: um canal acessível e eficaz para reclamações e sugestões dos trabalhadores e formação em questões laborais. O programa funciona como um sistema de alerta e resposta antecipada às violações de direitos humanos e é operado por meio de uma linha de apoio simples e eficaz (WhatsApp 55 0800 591-2310) que incentiva o diálogo entre produtores e trabalhadores, oferecendo soluções para prevenção, remediação e mitigação de riscos sociais . Implementado pelo LRQA (Registro de Garantia de Qualidade do Lloyd’s) e pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Assalariados (Contar), o Nossa Voz também conta com o apoio do Instituto do Trabalho Decente (ITD). “É um mecanismo de reclamação que dá voz aos trabalhadores. Começamos pelo café porque, como os recursos do programa vêm de uma doação do governo americano, e esta é uma das commodities que os Estados Unidos mais adquirem do Brasil, fazia sentido, e também porque nos últimos cinco anos o café tem sido uma das redes que mais resgatam trabalho análogo ao escravo no Brasil”, explica Fernanda Carvalho, diretora executiva do GFEMS no Brasil. Segundo ela, a ideia é implementar a iniciativa em outras cadeias produtivas nos próximos anos. O Projeto Nossa Voz conta com o apoio de representantes dos trabalhadores rurais. Segundo os responsáveis, a iniciativa abre espaço para os funcionários tirarem dúvidas e denunciarem violações de direitos trabalhistas Divulgação Além de receber dúvidas dos trabalhadores, a Nossa Voz também trabalha na divulgação de informações por meio de parcerias com fazendas, como a da cafeicultora Paula. O programa realiza reuniões com os trabalhadores para divulgar a iniciativa e discutir direitos trabalhistas. “Outro aspecto que achamos muito importante, principalmente na dinâmica da cadeia do café, foi ir até os municípios de onde vêm os trabalhadores, onde normalmente são recrutados. Lá, fazemos um trabalho de concentração com os trabalhadores antes de serem recrutados, para mostrar quais são os direitos que eles têm, para que quando migrarem já conheçam seus direitos e o telefone Nossa Voz”, diz Fernanda. Parcerias estratégicas Nos últimos 12 meses, a Nossa Voz estabeleceu parcerias com importantes players da cadeia produtiva do café. Até o momento, foram realizados treinamentos com cerca de 500 trabalhadores em 22 fazendas no sul e norte de Minas Gerais. Entre os seus parceiros institucionais estão o Pacto Global, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Plataforma Global do Café, a Rainforest Alliance e as ONG internacionais Verité e Solidaridad. Na avaliação de Guilherme Amado, diretor associado do Lloyd’s Register Quality Assurance (LQRA), embora a cadeia do café tenha avançado em temas importantes como gestão de agroquímicos, saúde e segurança, boas práticas agrícolas na gestão do solo e da água, na agenda social, que vai além do cumprimento da legislação trabalhista, ainda há muito trabalho. O Brasil é o maior produtor mundial de café, detendo entre 30% e 45% do mercado internacional, mas a produção ocorre em fazendas muito diferentes. “São 300 mil propriedades, entre pequenas, médias e grandes. Destes, 80% são pequenos produtores familiares que demandam informação e apoio para que haja uma conscientização geral sobre a questão social”, afirma Amado. O principal instrumento do Nossa Voz é o Contar, que entrou no programa para ser o diferencial deste canal de ajuda. “A ideia é que o próprio representante dos trabalhadores receba as interações. Isso torna mais confiável a busca de ajuda pelos colaboradores”, afirma Laíssa Pollyana, assessora da Contar responsável pelas interações. Ela conta que os trabalhadores têm utilizado o canal mais para tirar dúvidas do que para fazer reclamações. As dúvidas mais comuns são sobre Bolsa Família, jornada de trabalho, dúvidas sobre PIS e contratos vigentes. “Acolhemos, recolhemos informação dos trabalhadores, com o máximo de informação possível. Se for uma pergunta simples, eu pesquiso e volto com a informação. Se houver algo que eu precise perguntar ao empregador, como questões contratuais específicas, peço permissão ao trabalhador para conversar com o empregador”, afirma a assessora. Caso a Contar identifique indícios de trabalho análogo ao escravo, ela mantém o sigilo, orientando os trabalhadores sobre o que devem fazer para se manterem seguros. “Aconselhamos que ele não dissesse que denunciou e acionamos imediatamente a fiscalização”, explica. Saiba mais taboola Segundo Pollyana, os trabalhadores têm grande dificuldade em resolver questões trabalhistas com o empregador porque a correlação de forças é muito desigual. “Então, entramos nesse diálogo proporcionando um pouco de equilíbrio e com poder de negociação, autonomia e experiência para lidar com questões e encaminhar casos”, resume. Ela acrescenta que o WhatsApp da Nossa Voz (55 0800 591-2310) pode ser utilizado por qualquer trabalhador rural da cadeia do café, mesmo por quem não trabalha em fazenda parceira do programa.
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