Semana passada vi uma postagem em uma rede social da professora CarlosHeitor Campani, meu colega de coluna aqui em Valor Investirsobre o impacto da taxa de desconto na avaliação de uma empresa de capital aberto. Ele escreveu: “Considere uma empresa com fluxo perpétuo e constante de R$ 100 milhões por ano. Com uma taxa de desconto de 8% a avaliação resultante seria de aproximadamente R$ 1,25 bilhão; com uma taxa de desconto de 10% a avaliação resultante cairia para aproximadamente R$ 1 bilhão”.
Começo pelo astro Campani, pois me lembrei dele quando conheci um ex-aluno que trabalha no mercado. O menino me fez a pergunta do título, dada a recente expectativas de que o Copom aumente a taxa Selic em 18 de setembro (e nas demais reuniões até o final do ano)num movimento que deverá levá-lo para 11,5% ou até 12% ao ano, dos atuais 10,5%. Ao mesmo tempo, vemos diversas instituições de mercado elevando as projeções do Ibovespa para entre 150 e 155 mil pontos em 2025, dos atuais 136 mil.
O que meu ex-aluno, em tom de brincadeira, quis observar, é que os livros clássicos de Finanças Corporativas ensinam o contrário, pois mostram que existe uma relação inversa entre a taxa de juros e a avaliação de uma empresa. Quando a alíquota aumenta, a valorização cai e vice-versa, como no exemplo acima do professor Campani. Como a Selic afeta direta e indiretamente as taxas de desconto em geral, ele queria entender como os mesmos economistas e analistas que apontam que ela vai subir, sugerem que a bolsa também vai subir? A relação não é inversa?
Um segundo aspecto, que também precisa ser considerado, é que Se a taxa de juro da economia aumentar, o custo alternativo de investir em ações aumenta. Como todos sabemos, o mercado de ações é um investimento de risco, enquanto os títulos públicos que pagam taxas referenciadas à Selic apresentam risco baixíssimo. Então, mais uma vez, há aqui uma relação inversa.
A questão permanece, então: Quão entusiasmadas estão as “pessoas” em sugerir a compra de ações com taxa Selic elevada? Eles são ETs?
Para ser sincero, existe uma infinidade de variáveis micro e macroeconómicas que influenciam o comportamento das bolsas de valores, e não apenas a taxa de juro. O PIB surpreendentemente bom divulgado na semana passada é um exemplo. Mas há outros que são tão ou até mais relevantes, como o fluxo de dinheiro estrangeiro em nosso mercado.
Quem está entusiasmado com o mercado de ações brasileiro agora argumenta que o ciclo de aperto que está por vir é curto e que nosso Banco Central havia perdido credibilidade, com comunicação e ações confusas. Com firmeza, a partir de setembro a confiança abalada seria restaurada e o mercado iria “all in” com a nova administração substituindo Roberto Campos Neto. Porém, não é só…
Naquela hora, pois há expectativa de queda nas taxas de juros americanas no Fed, alguns investidores internacionais estão a considerar investir em ativos de risco em países emergentes, como o nossoà medida que a atratividade diminuirá e, Por aqui o mercado estava relativamente barato. Isso faz muito sentido e ajuda a explicar a recente alta do Ibovespa. Desde julho, o indicador passou de 118 mil para 136 mil pontos.
De qualquer forma, É estranho acreditar que os fluxos externos por si só sejam suficientes para sustentar aumentos mais consistentes, dados os problemas fiscais crónicos do país, que pressionam para cima a relação dívida/PIB. Como lembrou meu ex-aluno, um estudo de JP Morgan destaca que, Desde 2008, a cada ciclo de aperto monetário no Brasil, o mercado de ações tem sofrido.
Quero lembrar que nós aqui, em Investimentos Way, projetamos o Ibovespa em 140 mil pontos até o final do ano. Ou seja, já estamos próximos da avaliação que consideramos justa para as incertezas que predominam no cenário doméstico. Sem falar, como já discuti diversas vezes neste espaço, das complicadas questões externas, que deveriam ser muito perturbadoras, principalmente se a situação geopolítica e/ou a eleição americana perturbar ainda mais o que já é confuso.
Para encerrar, li recentemente uma pesquisa que diz que o número de pessoas que acreditam em OVNIs está crescendo exponencialmente. Se eles existem, não posso dizer. O que sei é que qualquer ET que passar por aqui, neste momento, deve estar se perguntando por que os terráqueos aprenderam a investir de uma forma nos livros, mas, de vez em quando, estão agindo de outra forma. Finanças Comportamentais explicam?
Alexandre Espírito SantoEconomista-chefe da Investimentos WayCoordenador de Economia e Finanças na ESPM.
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