Com pouco menos de 3.500 habitantes, a pequena Turuçu (RS), a 215 quilômetros de Porto Alegre, orgulha-se de ser conhecida como a Capital Nacional do Pimentão Vermelho. Porém, a cultura do condimento, de que tanto se orgulha o município, quase desapareceu há pouco mais de 20 anos, devido a uma doença que ameaçava as lavouras. Para preservar a cultura e sua renda, as famílias que plantam pimenta na região tiveram que remodelar seu modo de produção e se tornaram modelo para a formação de agroindústrias, sucessão familiar e liderança feminina no campo.
Até o início do século 21, Turuçu possuía cerca de 300 hectares de pimenta vermelha do tipo dedo-de-moça. Segundo Janaína Rosa, extensionista da Emater-RS, cada produtor local tinha de 20 a 30 hectares de pimenta, que era vendida apenas na forma desidratada. Porém, a cultura estava em crise, com baixa rentabilidade devido à alta concorrência com pimentas produzidas em outras regiões e à desidratação caipira, que reduzia a qualidade do produto final.
O maior desafio ocorreu quando as lavouras foram quase dizimadas pela antracnose, doença causada por um fungo que torna a pimenta inutilizável para venda. Muitos produtores abandonaram a produção e os que ficaram tiveram que se reinventar.
Um exemplo é a família de Francine Klug Schimmelpfennig, que teve que reduzir sua lavoura para apenas dois hectares, o que representa 10% da área da propriedade. “Para conseguir controlar a doença é preciso fazer rotação de culturas e deixar áreas sem plantio para evitar a criação do fungo. Dessa forma, não há como fazer uma grande extensão da lavoura”, explica.
Pela necessidade de plantar pouco, a família teve que encontrar uma forma de agregar valor à produção. Para isso, investiram na criação de uma agroindústria. “Assim poderíamos vender mais produtos com pouca quantidade”, diz Francine. Além disso, os tipos de pimenta plantados foram diversificados. Hoje, são plantadas 20 variedades na propriedade.
Criada em 2019, a agroindústria Delícias Coloniais utiliza os cerca de 7 mil quilos de pimenta colhidos na propriedade por ano para a fabricação de molhos, geleias, conservas, pimenta em azeite, chimichurri e pimenta em vinagre. Toda a produção é feita exclusivamente por Francine e seu marido, Gustavo Schimmelpfennig. Até a colagem das etiquetas é feita manualmente pelo produtor. Mas a mudança valeu a pena, afirma o agricultor.
“O agronegócio foi a melhor saída. Para lucrar com pimenta desidratada era preciso ter muita, o que não podíamos por causa da doença. O agronegócio agrega valor e traz maior renda”, destaca.
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O caminho percorrido pela família de Francine foi adotado por outros produtores do município. Hoje, Turuçu conta com 20 produtores de pimenta, que plantam cerca de 10 hectares no total, e seis agroindústrias, administradas por novas gerações de agricultores.
“A Pimenta estimulou a regularização das agroindústrias. Este é um processo que também ajuda na sucessão rural, acabando com a ideia de que a vida no campo é um atraso. Eles mantêm os jovens na propriedade, geram rentabilidade e conforto para produzir”, afirma Janaina Rosa, extensionista da Emater-RS.
Em Turuçu, a maioria do agronegócio é liderada por mulheres. Isso se reflete na gestão da Cooperturuçu, cooperativa que reúne os empreendimentos agropecuários do município: toda a gestão é formada por produtores rurais e artesãos. “O agronegócio permitiu que as jovens tivessem renda própria, dando-lhes autonomia na propriedade”, destaca Janaina.
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Um exemplo é a presidente da Cooperturuçu, Raquel Scheunemann Ollermann, 25 anos. “Meus pais cultivavam pimenta para vender seca. Para aumentar a renda, minha mãe começou a fazer pimentões na cozinha e formou o agronegócio”, lembra. Com apenas 19 anos, Raquel assumiu o comando dos negócios da família. Em 2021, tornou-se presidente da cooperativa.
Para Raquel, a adoção do modelo do agronegócio está contribuindo para a renda dos produtores do município. “O agricultor pode produzir menos e ganhar mais beneficiando a sua própria produção. Além disso, os jovens permanecem na propriedade, pelo incentivo para seguirem seu caminho nas agroindústrias”, comenta.
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Os produtos elaborados com pimenta pelas agroindústrias Turuçu são vendidos em feiras, supermercados e empórios. Mas o principal ponto de venda fica na Casa da Pimenta, administrada pela Cooperturuçu às margens da BR-116. No espaço, são oferecidas mais de 20 variedades diferentes de pimenta, desde a mais suave, a Biquinho, até a mais picante do mundo, a Carolina Reaper – que é best-seller no local.
Escala de gosto de pimenta
Queima (SHU) | Tipo de pimenta |
De 1,15 milhão para 2,2 milhões | Carolina Ceifador |
577 mil | Habanero |
223 mil | Murupi |
164 mil | pimenta |
135 mil | olho de ganso |
46 mil | dedo de menina |
37 mil | Jalapeño |
0 | Beicinho |
Para se ter uma ideia da pungência do Carolina Reaper, ele atinge entre 1,15 milhão e 2,2 milhões de pontos na escala Scoville (SHU), medida usada para determinar o nível de calor das pimentas. Em comparação, o dedo de uma menina chega a 46 mil pontos, e uma pimenta, 164 mil
“Temos muita demanda pelo Carolina Reaper e pelos produtos feitos com ele. Também vendemos muito bem pimenta jalapeña, chocolates com pimenta e geléias, sendo as de maior sucesso as geléias de morango e pimenta”, explica Raquel.
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