O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central disse, em ata divulgada esta manhã, que os dados sobre a inflação “sugerem uma trajetória que não divergiu significativamente do esperado, mas que se observa uma desaceleração do processo desinflacionário no mais recente”. Na semana passada, o Copom manteve os juros básicos da economia estáveis em 10,5% ao ano.
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Segundo o colegiado, as taxas de inflação dos bens industriais e da alimentação doméstica mantiveram as trajetórias recentes e deixaram de contribuir para a desinflação nesta fase. A inflação dos serviços, continua, “que tem maior inércia, assume um papel preponderante na dinâmica desinflacionária na fase atual”.
A ata diz que o Copom também discutiu o papel da dinâmica do mercado de trabalho e das expectativas de inflação na determinação da inflação de serviços. “Concluiu-se que o processo desinflacionário desacelerou e que os atuais níveis de inflação acima da meta, num contexto de dinamismo da atividade económica, tornam mais desafiante a convergência da inflação para a meta”, diz a ata.
O colegiado informou que debateu amplamente algumas condições da dinâmica da inflação, como expectativas de inflação e taxa de câmbio.
“Observou-se que, caso tais movimentos se mostrem persistentes, os impactos inflacionários resultantes poderão ser relevantes e serão devidamente incorporados pelo Comitê”, afirmou. “Como resultado, o Comitê avaliou que agora é o momento de um monitoramento diligente das condições de inflação e de maior vigilância diante de um cenário mais desafiador.”
Por unanimidade, os membros do Copom avaliaram que deveriam buscar a reancoragem de expectativas. “A condução da política monetária é um fator fundamental para reancorar as expectativas e continuaremos a tomar decisões que salvaguardem a credibilidade e, consequentemente, reduzam o custo da desinflação”, afirma.
Segundo a ata, a menor sincronia entre os ciclos de queda dos juros ao redor do mundo “contribui para a volatilidade das variáveis de mercado”. O colegiado observou que as autoridades monetárias de outros países “têm indicado ciclos cautelosos, com impactos correspondentes na precificação dos ativos financeiros”. Além disso, destacou que o ciclo já começou em alguns países avançados e “ainda não começou em outros”.
O comité destacou também que os fluxos de capitais reflectem um fenómeno global de aversão ao risco. Segundo o colegiado, esse movimento pressiona o câmbio “com intensidade variável” dependendo dos fundamentos de cada economia emergente.
Nos países emergentes, o comitê vê um cenário mais desafiador com a continuação cautelosa do ciclo de queda das taxas de juros em alguns países e a interrupção do ciclo em outros. “As taxas de câmbio nos países emergentes desvalorizaram-se no período recente, refletindo um cenário mais desafiador para estas economias.”
Lidando especificamente com a economia dos Estados Unidos, o painel destacou a persistência da incerteza sobre o ritmo da atividade “uma vez que, por um lado, os dados atuais sugerem resiliência, e, por outro lado, há uma desaceleração nos dados de emprego e nas condições financeiras permanecem apertados por um período já prolongado.” Mesmo nessa realidade, segundo o Copom, “visita-se um cenário de redução gradual da inflação e da atividade e de início cauteloso de flexibilização monetária”.
O painel destacou que não há relação mecânica entre a condução da política monetária nos Estados Unidos e no Brasil, “nem entre a taxa de câmbio e a determinação interna da taxa de juros”. Além disso, “foi também reforçado que um cenário de maior incerteza global e de movimentos cambiais mais abruptos exige maior cautela na condução da política monetária interna”.
O Copom afirmou ainda ter percebido “que a percepção mais recente dos agentes de mercado sobre o crescimento dos gastos públicos e a sustentabilidade do atual quadro fiscal, juntamente com outros fatores, vem tendo impactos relevantes sobre os preços e expectativas dos ativos”.
“O comité monitoriza de perto a forma como os desenvolvimentos recentes da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros”, afirma a ata.
Para o conselho, uma política fiscal credível e comprometida com a sustentabilidade da dívida contribui para ancorar as expectativas de inflação e reduzir os prémios de risco sobre activos financeiros, impactando consequentemente a política monetária.
“Políticas monetárias e fiscais síncronas e anticíclicas contribuem para garantir a estabilidade de preços e, sem prejuízo do seu objetivo fundamental, suavizar as flutuações do nível de atividade económica e promover o pleno emprego”, afirma.
O Copom também reforçou sua visão “de que o enfraquecimento do esforço em direção às reformas estruturais e à disciplina fiscal, o aumento do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de aumentar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre o poder da política monetária e, consequentemente, no custo da desinflação em termos de actividade”.
Ainda segundo a ata do Copom, alguns de seus membros voltaram a destacar a possibilidade de as taxas de juros do mercado financeiro afetarem o mercado de crédito.
“Mais uma vez, alguns membros destacaram que o recente aumento nas taxas de longo prazo poderia levar a menos dinamismo no mercado de crédito”, dizia a ata. “Esses membros enfatizaram a importância de vértices mais longos na curva de rendimentos na determinação da oferta e da procura de crédito.”
A conclusão do comitê, porém, continua sendo que o ciclo de crédito “continua benigno, com expansão no volume e redução nas taxas na maioria das linhas”. O comité observou também que o financiamento no mercado de capitais continua forte.
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