O mercado não é para amadores. Por um lado, as projeções de aumento da taxa básica de juros, a Selic, garantem o atratividade da renda fixa por mais tempo. Por outro lado, o histórico do principal índice de ações da bolsa brasileira levanta dúvidas se não é o momento ideal para investir em renda variável. Com tantas possibilidades, qual caminho escolher?
A primeira resposta, que pode parecer óbvia para alguns, mas não para todos, é: você não precisa, ou melhor, não deve optar por apenas um tipo de classe de ativos para ter em sua carteira de investimentos. Muito pelo contrário. A velha máxima “não coloque todos os ovos na mesma cesta” deve ser seguida à risca por diferentes investidores, desde os mais leigos até os mais ousados.
Títulos públicos e crédito privado
O título público pós-fixado (chamado Tesouro Selic), oferecido pelo Tesouro Nacional no site Tesouro Diretopor exemplo, é um daqueles investimentos que todos deveriam ter isso em seu portfólio. Este papel tem rentabilidade atrelada à taxa básica de juros da economiaa famosa Selic.
Além de ser considerado ideal para construir uma reserva de emergênciaaquele pecúlio que é sempre bom ter à disposição para os imprevistos da vida, o título pós-fixado também pode ser uma boa alternativa para iniciantes no mundo dos investimentos ou para investidores com perfil mais conservador.
“A renda fixa acaba sendo algo que consideramos importante para qualquer perfil de investidor. Além disso, é muito difícil não ter boas oportunidades num contexto de juros altos, na casa dos dois dígitos”, afirma Carolina Borges, analista Pesquisa de IQA.
Outra opção, ainda no universo da renda fixa, são os Certificados de Depósito Bancário (CDB). Esses títulos são emitidos por bancos, que basicamente emprestam o dinheiro investido pelos investidores para usar nas operações do dia a dia.
Como são lançados por emissores privadosos riscos embutidos nos CDBs acabam sendo maiores do que em um título públicoemitida pelo governo federal e, portanto, São considerados os ativos de menor risco do mercado.
Por outro lado, os CDBs têm a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC)que oferece cobertura de até R$ 250 mil em casos de problemas com instituições financeiras.
Dentro da cesta de títulos oferecida pelo Tesouro Direto está o Tesouro IPCAo favorito entre os analistas de mercado hoje. Como o nome sugere, a rentabilidade deste título acompanha a inflação medido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Esses ativos Eles pagam ao investidor um retorno igual à variação da inflação mais uma taxa de juros fixa. Nos últimos meses, as taxas ultrapassaram a barreira dos 6%, sendo consideradas muito atrativas pelos especialistas.
Borges tem preferência por Tesouro IPCA de médio prazocomo é o caso do título vencimento em 2035. Se a intenção do investidor é manter o título na carteira até o vencimento do papel, daqui a 10 anos, no caso de 2035, a recomendação é escolher o Tesouro IPCA 2035 sem juros semestrais.
Isso porque, como explica o especialista, O título sem cupom semestral é mais eficiente do ponto de vista tributário, visto que quanto mais tempo o investidor mantiver o título, menor será a alíquota do imposto a ser paga no vencimento.
Para investidores dispostos a correr um pouco mais de risco, Victor Furtado, especialista em alocação Capital W1veja o ativos de crédito privado com bons olhos. Além de oferecerem taxas atrativas, esses ativos Eles também estão isentos de imposto de renda.
Para o debênturesCertificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) de emissores com dívidas consolidadas e boa liquidez no mercado secundário, diz ele, pode ser uma boa opção para diversificar a carteira.
“Olhamos para os títulos do Tesouro para clientes mais conservadores, por questões de segurança e liquidez, mas Preferimos o crédito privado porque tem a vantagem da isenção do imposto de renda”, diz Furtado.
Entre os títulos de crédito privado, o especialista analisa aqueles do segmento de serviços básicos, como os dos setores elétrico e de saneamentoque tem contratos mais longos e receitas atreladas à inflação. “Mantemos a preferência pelos segmentos mais perenes e pelas empresas mais saudáveis, com algumas exceções que podem valer a pena o risco”, afirma o especialista.
É importante destacar que, ao investir em um título de crédito privado, o investidor deve estar atento não apenas à qualidade desse papel, mas também à taxa de remuneração, que deve estar acima daquela oferecida por um título público, uma vez que o risco de operação é maior.
Fundos de infraestrutura e fundos imobiliários
Borges, da EQI, considera que fundos de infraestrutura podem ser uma boa alternativa para se expor à modalidade de crédito privado. Mesmo com taxas de administração e, em alguns casos, taxas de performance, os fundos apresentam duas vantagens: diversificação e liquidez.
“O investidor não vai se expor a apenas um projeto de infraestrutura, ou seja, a um devedor. Ao optar por um fundo de infra, ele terá algumas dezenas de debêntures e, assim, distribuirá o risco por emissor com menor capital e de forma mais eficiente”, argumenta.
Em relação à liquidez, como Esses fundos são listados em bolsa, com liquidez próxima a R$ 200 mil por dia, o investidor tem a possibilidade de vender as cotas no mercado secundário.
Você fundos imobiliáriosespecialmente aqueles no “papel”, que investem em títulos de renda fixa do setor imobiliário, também deve estar no radar dos investidores. Segundo Borges, esses recursos continuará a pagar bons dividendosjá que a Selic deverá permanecer elevada por mais tempo, e com risco controlado.
No caso de fundos de “tijolo”com exposição à propriedade física, o analista recomenda fundos com ativos de arrendamento mais longoss, como os do armazéns logísticosjustamente para reduzir a percepção de risco.
“Nós [EQI] Gostamos do mercado de fundos imobiliários e temos alocação nele, mas grande parte da carteira, em torno 45% estão concentrados em fundos de papel, enquanto o restante está distribuído em tijolo”, diz Borges.
Com recordes atrás de recordes, é hora de apostar no Ibovespa?
O cenário um pouco mais benigno para o mercado acionário brasileiro visto nos últimos dias mais uma vez animou os investidores com maior apetite ao risco. O otimismo, vindo do exterior, levou ao principal índice de renda variável, o Ibovespa, para um novo recorde histórico.
Basicamente, houve uma melhora na percepção do risco global no início do segundo semestre, com base em dados mais fracos da economia dos Estados Unidos (EUA), o que promoveu uma nova dinâmica para as taxas de juros naquele país.
Já não há dúvida de que As taxas dos EUA começarão a cair na próxima reunião em Setembro. A discussão gira agora em torno da magnitude desta redução, seja ela de 0,25 pontos ou de 0,50 pontos.
“O que aconteceu foi um adiamento da perspetiva de cortes nas taxas de juro dos EUA desde o início do ano até agora. Agora estamos falando novamente de três anúncios de redução a partir de setembro”, destaca Marcela Rocha, economista em Principais Claritas.
Esta mudança está ligada aos recentes sinais de desaceleração da economia americana. Além de uma indústria mais fraca, explica Rocha, os dados do consumo e do mercado de trabalho mostram alguma moderação.
“Para nós não é evidência de recessão, mas acho que traz conforto para o Banco Central dar peso igual à inflação e à atividade. Antes eu estava focado apenas na inflação. Contudo, agora que a inflação está novamente a convergir, a autoridade monetária está a olhar mais de perto para a actividade, sendo capaz de reduzir as taxas de juros mais rapidamente, mas ainda mantendo um nível restritivo”, explica o economista.
O facto é que, com o início do ciclo de descida das taxas de juro nos EUA, os prêmios oferecidos pelos títulos públicos americanos começam a cair e, com isso, os investidores decidem migrar os recursos aplicados em renda fixa para ativos de maior risco, inclusive em países emergentes, como o Brasil.
Não por acaso, após seis meses consecutivos de saques, estrangeiros voltaram a investir no Ibovespa no início do segundo semestre. Em julho, contribuíram com R$ 3,6 bilhões. Em agosto até agora, o valor se aproxima de R$ 8 bilhões.
“Essa retomada do fluxo externo mostra a antecipação dos investidores estrangeiros que veem, no mercado brasileiro, uma oportunidade interessante para arriscar”, destaca Borges, da EQI.
Mas há um ponto de atenção. Mesmo nas carteiras dos investidores mais ousados, o analista recomenda uma posição mais defensiva no mercado de açõesespecialmente porque os próprios estrangeiros, quando decidem investir no Brasil, procuram ações maiores e mais líquidas.
Nesse sentido, o ações de empresas ligadas a commodities, como Petrobrás e Priono setor bancário, como as ações do Itaúe utilitários, como Copel e Sabespassumir uma posição mais conservadora. Para aproveitar a entrada de fluxos estrangeiros na bolsa, um pouco de exposição em B3 também pode ser uma boa opção.
“Nós [EQI] preferimos entender o mercado com essas posições mais defensivas e, lá na frente, arriscar mais focado no cenário doméstico“, diz.
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