O chuva negra é o resultado da mistura de precipitação (água da chuva), fuligem e outras partículas contaminantes presentes na atmosfera. A expectativa é que o fenômeno, já observado no Estado de Rio Grande do Sul esta semana, espalhe para Santa Catarina, Paraná e São Paulo nos próximos dias.
O Brasil sofre com uma série de incêndios, alguns deles criminososdesde o início de agosto. A fuligem proveniente das queimadas, somada ao aumento da umidade no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, provocado pela chegada de uma frente fria, gerou a possibilidade de chuva negra nos Estados.
O fenômeno, neste caso, está diretamente relacionado aos incêndios no Brasil e nos países vizinhos Ámérica do Sulcomo Argentina, Bolívia e Paraguai.
Em entrevista com ValorMaria Clara Sassaki, meteorologista da Tempo OKexplica que a chuva negra acontece quando partículas de fuligem se misturam com a umidade das nuvens, que podem atuar como núcleos de condensação. Essa dinâmica resulta em chuvas contaminadas com poluentes.
“A expectativa é que a chuva negra chegue a São Paulo impulsionada pela frente fria. Nesta quinta tivemos um alívio no fluxo de incêndios no Estado, mas à medida que a frente fria avança e aumenta a probabilidade de chuvas, a previsão é de ocorrência de chuva negra em áreas desses Estados (SP, SC, PR e RS)”, disse Maria Clara.
Esse tipo de chuva, que não necessariamente cai preta, é indicativo de altos níveis de poluição, e geralmente é observada em locais próximos a áreas industriais, áreas queimadas ou onde há intensa queima de combustíveis fósseis.
De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a fumaça dos incêndios já cobre 60% do território nacional, uma área de 5 milhões de quilômetros quadrados.
A MetSul Meteorologia estima que todas as regiões do Rio Grande do Sul poderão sofrer chuva negra entre quinta (12) e sexta (13) durante a frente fria. Todo o estado está coberto de fumaça com grande quantidade de material particulado na atmosfera..
Maria Clara acrescenta que, no estado de São Paulo, a chuva negra pode ocorrer entre domingo (15) e segunda-feira (16) e pode trazer alívio momentâneo na secura do ar.
“É como se essa chuva lavasse a atmosfera. Podemos esperar uma rápida melhoria na qualidade do ar após a chuva negra, mas isto é temporário. A expectativa é de tempo seco até o final do mês”, ressalta.
Os efeitos da chuva negra na saúde
Segundo Maria Clara, a chuva negra não causa danos significativos à pele das pessoas. A maior preocupação, segundo o meteorologista, seria o consumo dessa água, que estaria contaminada com fuligem e outros componentes tóxicos..
“É recomendado não ingerir água da chuva, mas ela não faz mal à pele. O que pode acontecer é a contaminação de corpos d’água, como rios, lagos e reservatórios. É água contaminada com poluentes das queimadas, então o mais preocupante está nessas regiões”, afirmou o especialista.
O governo do Estado do Rio Grande do Sul compartilhou, nesta quarta-feira (11), uma série de recomendações para a população sobre como se proteger do tempo seco. Os principais alertas são:
- Monitoramento: acompanhe as previsões meteorológicas e a qualidade do ar.
- Hidratação: Aumente a ingestão de água para manter as vias respiratórias úmidas.
- Reduzindo a exposição: evite atividades ao ar livre e mantenha portas e janelas fechadas.
- O uso de máscaras deve ser avaliado individualmente, pois ajudam a reduzir a exposição a partículas maiores, principalmente para pessoas com condições crônicas, como pneumopatias, cardiopatas e pessoas com problemas imunológicos.
- O uso de máscara cirúrgica, pano, lenço ou bandana é recomendado especialmente para populações mais expostas ou próximas a fontes de emissão (incêndios).
- Atividades físicas: evitar atividades ao ar livre em períodos de alta concentração de poluentes e manter portas e janelas fechadas.
- Orientações específicas para grupos vulneráveis: crianças, idosos e gestantes devem estar especialmente atentos aos sintomas respiratórios e procurar atendimento médico imediatamente, se necessário.
O impacto dos incêndios no Brasil
Segundo dados do Inpe, São Paulo registrou o segundo maior número de focos de incêndio este ano (6.717) desde 1998, perdendo apenas para 2010 (7.219).
Apesar do histórico de São Paulo, o norte do país tem sido o maior alvo dos incêndios, principalmente nos estados de Tocantins, Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima. Dados indicam que, de 1º de janeiro a 1º de setembro de 2024, os incêndios foram 6,7 milhões de hectares na Amazônia (1,6% do bioma).
De janeiro a agosto deste ano, os incêndios no Brasil já afetaram 11,39 milhões de hectares do território do país, segundo dados do Monitor de Incêndio Mapbiomas. Mato Grosso, Roraima e Pará, que sediará a COP 30 em sua capital Belém em 2025, foram os mais atingidos (52%).
Os dados, divulgados nesta quinta-feira (12), mostram que 5,65 milhões de hectares foram consumidos pelo fogo só no mês de agosto, o que equivale a 49% do total deste ano. O fogo se espalhou principalmente em áreas de vegetação nativa —cerca de 70% do que foi queimado.
*Estagiário sob supervisão de Diogo Max
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