O Ministério da Fazenda confirmou hoje (21) que recebeu 113 solicitações de empresas interessadas em operar apostas no Brasil a partir de janeiro de 2025. Entre as empresas que solicitaram autorização estão a Caixa Econômica Federal. Se autorizadas pelo ministério, essas empresas poderão operar com previsões esportivas, caça-níqueis online e transmitir jogos de cassino ao vivo dentro das regras da chamada lei de apostas.
As empresas que se cadastrarem terão que esperar até o final do ano para saber se cumpriram os requisitos para operar no país. Esse é o prazo que o governo tem para avaliar os pedidos e liberar as autorizações.
O custo para obtenção de licença para operar no Brasil foi fixado em R$ 30 milhões, além de outros R$ 5 milhões para depósito compulsório. As empresas também terão que pagar um imposto de 12% sobre sua receita bruta. Os premiados também terão que pagar 15% sobre rendimentos acima do salário mínimo.
Guilherme Sadi, sócio de Sadi Morishita Advogados e especialista no setor, vê os elevados custos operacionais como parte de um processo de “limpeza” do setor.
“Temos uma lei de 2018 e um decreto regulamentador de abril que são muito rígidos em relação aos critérios de comprovação de capital e apresentação de garantias financeiras. A taxa de licença em si também é alta. E todo esse rigor veio para dar segurança ao mercado, como um todo, e aos apostadores”, observou durante o Finanças do Amanhã (Fot), realizado recentemente no Rio de Janeiro.
Apesar do alto desembolso, as empresas veem aqui um mercado próspero. Na semana passada, economistas do Itaú divulgaram um estudo que mostra que os jogadores brasileiros gastaram R$ 68,2 bilhões em apostas e taxas de serviço e receberam de volta R$ 44,3 bilhões em prêmios entre junho de 2023 e 2024. Ou seja, as perdas dos apostadores foram de R$ 23,9 bilhões. O saldo negativo que fica no bolso de quem tenta a sorte nessas plataformas representa 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2023, 0,3% do consumo total e 1,9% da massa salarial, considera o Itaú.
O diretor de política monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, comentou, durante sua participação no mesmo evento, que parte do aumento da renda brasileira não foi traduzida em consumo ou poupança. E isso pode ter como alvo esse nicho.
“Os gastos com apostas, com jogos de apostas, cresceram como ponto de análise. Talvez o crescimento da renda possa estar vazando para esse tipo de atividade”, afirmou.
O dinheiro gasto em jogos de azar passou a ser contabilizado pelo Banco Central como “serviços culturais, pessoais e recreativos” – para taxas de serviço do site – e como “renda secundária” pelo valor apostado pela pessoa. Galípolo acrescentou que embora possa parecer anedótico, há relatos de representantes de supermercados e redes varejistas que apontam que o dinheiro está “fugindo” para as apostas.
No estudo do Itaú, é rejeitada a hipótese de que as apostas geram impacto negativo no desempenho das empresas varejistas. O banco argumenta que “as vendas no varejo têm apresentado resultados conforme o esperado”.
O BTG Pactual é outra instituição que está de olho no que podem representar os enormes volumes cedidos pelos brasileiros nas apostas.
“Acompanhamos qualquer setor que lide com dinheiro como um negócio. E as operadoras de apostas estão atraindo um grande fluxo de dinheiro no exterior, com diversas empresas listadas em bolsa. Aqui no Brasil temos instituições de pagamento prestando serviços para sites, que movimentam grandes quantias pela facilidade de pagamento do pix”, explicou. Rodrigo Del Monaco, sócio do BTG Pactualdurante Finanças do Amanhã.
Em alguns locais da Europa, como França e Reino Unido, a indústria regulamentada do jogo representa entre 2,5% e 3% do PIB. Ajustando o percentual à realidade brasileira, seriam gerados até R$ 300 bilhões por esse setor. O resultado da regulação aqui ainda não é conhecido, mas o executivo cita alguns indícios de que é possível atingir as métricas nesses países.
“Nossa visão da primeira foto da regulamentação é algo claro e construtivo em relação a coibir contas laranja, bloquear o uso de pagamentos alternativos, como criptoativos, e não ter mecanismo de crédito vinculado ao mundo das apostas. Ou seja, a operadora doméstica não pode formar parcerias com bancos, por exemplo. Isto é importante para evitar dívidas para viciados em jogos de azar. [doença do vício pelo jogo]”.
Enquanto aguardam a licença definitiva para operar no Brasil, as empresas recorrem a países onde há incentivos fiscais, como Curaçao, Malta e Gibraltar.
Ou países com legislações mais antigas, como Colômbia e Argentina. “As empresas hoje operam em um mercado cinza. A legislação brasileira, que se inspira em grande parte nas leis do Reino Unido, onde as apostas são permitidas há quase 20 anos, aproximará essas operadoras da realidade local”, acrescentou Sadi do Sadi Morishita Advogados.
Para se adaptar à realidade local, o Ministério da Fazenda já sinalizou que as casas de apostas poderão ter que adotar mecanismos como o monitoramento dos valores apostados e a realização de campanhas educativas para mitigar problemas relacionados ao jogo patológico. A proposta do Ministério das Finanças é que estas campanhas sejam realizadas em articulação com a Secretaria de Prémios e Apostas, e a Direção de Saúde Mental.
Na visão de Rafael Brunacci, gerente de desenvolvimento de negócios da Oddin.gg Para a América Latina, o mercado desregulamentado obriga os apostadores brasileiros a consumir produtos sem a contextualização adequada. Portanto, definir as regras será importante para que os limites sejam estabelecidos com base no contexto social brasileiro.
“O apostador brasileiro aprendeu a jogar, ganhar e perder com base em um produto que não foi desenvolvido para ele. O marco legal em discussão nos ajuda a entender como será o comportamento desse consumidor e as apostas. Os provedores de jogos e conteúdo também serão obrigados a entender o que chama a atenção dos brasileiros, ao mesmo tempo em que promovem a mensagem de que se trata apenas de entretenimento.”
Sadi, do Sadi Morishita Advogados, destacou que a legislação do Reino Unido, assim como a legislação francesa, estão passando por alterações para limitar o volume de apostas feitas por cada pessoa. Os influenciadores também estão sendo proibidos de promover casas de apostas. Há também uma discussão sobre a proibição de patrocínio em camisas de times de futebol. O advogado acredita que práticas semelhantes devem chegar ao Brasil.
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