No lugar do garimpo ilegal em terras indígenas, mineradoras que operem legalmente. Essa é uma ideia que há anos causa polêmica e voltou a aparecer na agenda de integrantes do governo Lula, na agenda do Supremo Tribunal Federal (STF) e nas conversas do setor mineral.
A exploração em terras indígenas é uma atividade proibida no país, seja por garimpeiros que acessam camadas mais superficiais do solo, seja por mineradoras que alcançam áreas mais profundas. Embora a Constituição preveja a possibilidade de exploração de recursos minerais em territórios demarcados para os povos indígenas, nos 36 anos desde a promulgação da Carta a questão nunca foi regulamentada pelo Congresso. E por isso, a atividade continua vetada.
Desde o ano passado, porém, a ideia de regulamentar o parágrafo 3º. O artigo 231 passou a circular com mais intensidade no Ministério da Defesa.
O gatilho foi a crise vivida pelos Yanomami, povo de contato recente e cujas terras se estendem por Roraima e Amazonas. A presença da mineração de ouro, que veio à tona no início de 2023, disseminou doenças, contaminou rios e expôs principalmente idosos, mulheres e crianças da etnia a mortes e a uma situação de desnutrição e problemas de saúde.
O governo lançou uma ampla operação, enviando soldados do Exército, policiais federais, agentes do Ibama e outros órgãos para remover os invasores.
A pressão exercida pelos garimpeiros perdeu força, mas meses depois o movimento ilegal voltou. As terras dos Kayapó, dos Munduruku (ambos no Pará) e dos Cinta-Larga (Rondônia) são algumas das que também têm uma longa e conhecida história de presença destrutiva de garimpeiros (no caso dos Kayapó e dos Mundurucu) e diamantes (no caso dos Kayapó e Mundurucu) pulseira larga).
No Ministério da Defesa, de acordo com o Valor constatado, uma visão repetida por alguns de seus membros é que há décadas o Estado brasileiro não se mostra capaz de manter uma estrutura de segurança ampla e ininterrupta no entorno de terras indígenas para impedir a mineração. O argumento utilizado é que seria mais eficaz permitir que empresas mineradoras privadas se estabelecessem em terras indígenas ricas em minerais e realizassem a exploração de forma legal com repartição institucionalizada dos lucros com os povos indígenas.
O ministério não deu detalhes sobre como o assunto está sendo discutido. Em nota, disse “que apoiará as decisões governamentais que vierem a ser tomadas para acabar definitivamente com as invasões de terras indígenas”.
É um tema delicado que provoca divergências. consultado por Valor Sobre seus posicionamentos, a Funai, o Ministério da Justiça, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério de Minas e Energia não se manifestaram até o fechamento desta edição. O Ministério dos Povos Indígenas, criado pelo presidente Lula em 2023, porém, explicou detalhadamente sua oposição à ideia de regulamentar o texto legal.
“Considerar a regularização da mineração em Terras Indígenas atende apenas aos interesses da indústria mineral e não da população brasileira como um todo, que precisa do meio ambiente preservado para ter ar, solo e água de qualidade para evitar eventos mais extremos que são consequências do clima crise como resultado da ação humana indiscriminada”, afirmou em comunicado a assessora da ministra Sonia Guajajara.
Dinamam Tuxá, coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), reforça o argumento. “A extração mineral alimentou muita violência”, diz ele, referindo-se à mineração ilegal. “Mesmo que fosse legal, a atividade minerária causaria muitos danos. O que precisamos agora é criar um mecanismo de proteção às terras indígenas”, afirma. E acrescenta: “13% do território nacional está demarcado como terras indígenas. Por que o interesse em explorar essas áreas? A exploração não pode ser realizada em 87% do território nacional?” A solução, diz ele, não é a mineração ou mineração. “A solução é pensar em uma política de fiscalização e remoção permanente desses mineradores.”
Em março, a polêmica chegou ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. O Partido Progressista ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) que aborda indiretamente a questão. Mendes convocou uma série de reuniões a partir de agosto para tratar de questões que afetam os povos indígenas. Entre eles, a mineração e eventual garimpo em terras demarcadas. No início do mês, o ministro disse em entrevista à rádio BandNews FM que “é preciso haver algum tipo de regulamentação”, caso contrário as autoridades poderão continuar a “limpar o gelo”, como no caso dos Yanomami.
“Isso não está na nossa agenda”, afirma Raul Jungmann, presidente do Ibram, associação que reúne grandes mineradoras com atuação no país. A entidade, porém, acompanha o assunto e Jungmann afirma que se as entidades indígenas se dispuserem a debater a regulamentação, “estaremos abertos para discutir, sempre respeitando o consentimento, o empoderamento, o respeito indígena”.
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