Relatório de Polícia Federal (PF)que indiciou o ex-presidente JairBolsonaro e outras 11 pessoas no caso que investiga se houve entrada ilegal no Brasil de joias e outros artigos de luxo doados pela Arábia Saudita e tentativas de vendê-los ao exterior, mostra que o ex-ajudante de campo de Bolsonaro Mauro Cid usou um computador da Presidência da República para negociar um dos kits de joias.
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Segundo o documento, Mauro Cid tentou negociar joias do “kit rose gold” com a empresa Diamond Banc, sediada na Flórida, nos Estados Unidos.
Segundo reportagem da PF, entre os dias 26 e 29 de abril deste ano, equipes de investigadores foram à loja para fazer diligências e conversaram com o diretor da empresa, David Fernandez.
Ele contou às equipes da PF que, além das esculturas douradas, Mauro Cid tentou vender outros itens para a empresa preenchendo o formulário online da empresa. E, além de preencher o formulário, Mauro Cid trocou e-mails com David Fernandez para avaliar e vender os itens.
Ainda segundo este funcionário, houve uma tentativa de negociação e avaliação de um relógio “Tourbillion Chopard”, que compunha o “kit rose gold”. A negociação, porém, não prosseguiu. Para comprovar as trocas de e-mails, David Fernandez forneceu cópias do e-mail que trocou com Mauro Cid.
“De acordo com a análise do material realizada no IPJ nª2615442/2024 no formulário inicial preenchido por Mauro Cid, com os itens do “kit ouro rosa”, ele inseriu as informações para intenção de venda e preencheu o valor esperava receber uma venda. Mauro Cid informou que gostaria de receber US$ 150 mil dólares pelo “kit ouro rosa”.
O número de série informado por Mauro Cid é exatamente o mesmo que consta no certificado do relógio Chopard que foi desviado do acervo público brasileiro”, diz trecho do documento da PF, que foi retirado do sigilo nesta segunda-feira pelo relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Alexandre de Moraes O relatório será agora analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Em um dos e-mails constantes da reportagem da PF, Mauro Cid encaminha imagens das joias do “kit ouro rosa” e dos certificados ao Diamond Banc. A PF destaca que “mais uma vez é possível verificar a identidade dos números de série das joias desviadas para o acervo do ex-presidente Jair Bolsonaro”.
A PF continua e diz que, quando Mauro Cid encaminhou o registro do pedido de venda do “kit ouro rosa” ao Diamond Banc, utilizou um endereço IP que está vinculado à Secretaria-Geral de Administração da Presidência da República, em 23 de dezembro de 2022.
Procurada, a defesa de Mauro Cid não compareceu até a publicação deste texto.
Mauro Cid procurou o Itamaraty
Segundo a PF, o ex-ajudante de campo tentou, sem sucesso, utilizar a estrutura do Itamaraty para transportar um mala com esculturas recebidos como presentes dos Emirados Árabes Unidos. Os objetos teriam chegado aos Estados Unidos no dia 30 de dezembro de 2022, dia em que Bolsonaro chegou a Orlando, para não comparecer à posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como Presidente da República.
A PF destacou que Mauro Cid realizou “algumas negociações” para que a mala chegasse a Miami, cidade localizada a 380 quilômetros de Orlando, onde pousou o avião da delegação presidencial. Um deles envolvia Marcela Braga, que era assessora da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e, na época, trabalhava no Consulado em Orlando.
Segundo a PF, mensagens revelaram que Mauro CId “tentou utilizar a estrutura logística do Itamaraty nos Estados Unidos” para transportar a mala. “Tenho uma mala que preciso ir para lá, para Miami. Não há pressa. Não precisa ser por enquanto. Você poderia descer com essa mala para mim”, disse ele via áudio para Marcela.
Em resposta, Marcela afirmou que não tinha esse tipo de transporte Orlando-Miami, mas que caso o embaixador viesse à cidade poderia levá-la. Mauro Cid então reclamou da equipe da agência. “Você não tem motorista para fazer isso… Caramba, o pessoal do Itamaraty é preguiçoso, né? Não… eu acho que você pode, eu acho que você pode.”
Segundo a reportagem, o militar não conseguiu utilizar a estrutura do Itamaraty e teve que contatar outros contatos para que a mala chegasse a Miami. Seu objetivo era que os objetos fossem entregues ao seu pai, o general Mauro Lourena Cid. Isso aconteceu através de Cristiano Piquet, corretor de imóveis para brasileiros nos Estados Unidos.
Depois que a mala chegou a Miami, a PF começou a descrever uma série de tentativas de venda dos dois objetos: um barco dourado e uma palmeira. O grupo acreditou que as esculturas eram feitas de ouro maciço e disse aos compradores que eram dos Emirados Árabes Unidos, mas não conseguiu fechar o negócio.
“Acreditando se tratar de bens de alto valor econômico, após receberem as esculturas de autoridades estrangeiras, Jair Bolsonaro e Mauro Cesar Cid aguardaram o término do mandato presidencial e no dia 30 de dezembro de 2022, finalizaram a subtração dos bens, levando-os aos Estados Unidos, através do avião presidencial, para serem alienados”, afirmou a PF.
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