O Brasil tem amplo potencial para exportar produtos com baixa pegada de carbono, fazendo uso de uma matriz elétrica e energética mais limpa do que a maioria dos países do mundo. E não apenas commodities, mas principalmente bens de consumo e componentes importantes para a indústria e as cidades, como o cimento verde e o aço. É o que afirma o vice-presidente do conselho de administração da Carbono Direto, Nili Gilbertno evento Cúpula do Clima no Brasil, organizado por Instituto Brasil do Clima em Universidade de Columbia nesta quarta-feira (18), em Nova York (EUA).
“O Brasil, por sua forte produção de energia renovável, tem capacidade de transferir energia limpa na produção de commodities e bens, como combustível de aviação sustentável (SAF), aço e cimento”, comenta. “Mas, além das commodities, é importante aproveitar o bom relacionamento comercial do Brasil e o significativo comércio exterior com os Estados Unidos, Europa e China, para transformar isso em uma vantagem comercial para oferecer também produtos verdes”, afirma.
O executivo destaca ainda a área de biocombustíveis como um importante ponto forte do Brasil no mercado internacional ligado à transição energética.
Marcelo Pasquini, diretor do Bradesco, que participou do mesmo painel sobre como alcançar o status net zero (zero emissões líquidas de carbono), concorda e comenta que é fundamental que o país continue com a vantagem competitiva das energias renováveis.
“Os investimentos em energias renováveis são muito importantes para o país, pois a demanda por energia deverá triplicar nos próximos anos”, afirma. Ele destaca que o Brasil já tem experiência com biomassa, etanol e energia solar, e tem grande potencial para ser fornecedor de SAF (combustível de aviação sustentável), alternativas que evitam muitas toneladas de emissões de gases de efeito estufa. “Podemos fornecer ao Brasil e a outros países nossos campos, matérias-primas e tecnologias que substituam o petróleo”, afirma.
No evento, a consultoria BCG divulgou estudo que mostra potencial de atração de US$ 3 trilhões até 2050 para que o Brasil se torne um hub global de soluções climáticas. Um dos destaques são, justamente, os biocombustíveis. Só com a permissão de uso de 20% de biocombustíveis, já elimina 50 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano (tCO2/ano) dos 200 milhões de toneladas de CO2/ano que o setor de transportes emite.
Nili Gilbert, da Carbon Direct, lembra, porém, que há um caminho a ser trilhado pelo Brasil que não pode ser ignorado e que fará toda a diferença para que o Brasil se mostre ao mundo como líder na transição energética com todas as suas potencial.
Além dos produtos, ela também acredita que o país pode exportar projetos e modelos de como fazer produtos mais sustentáveis. O setor privado, acredita ela, pode contribuir muito. “Cerca de 80% do capital para emissões líquidas zero deve vir do setor financeiro privado e das empresas.”
Ela acrescenta que é importante entender desde a base, ou seja, o dia a dia das empresas, investidores e organizações, o que é essencial para o governo ser responsável por fazer. “É muito importante que o país trabalhe os diferentes tipos de legislação, entenda os diferentes caminhos, rotas, para focar e desenhar os seus planos de transição”, afirma.
Assim como o setor privado, os governos têm um papel essencial no posicionamento do Brasil. Gilbert cita a aprovação do mercado regulado de carbono – há um projeto de lei em discussão no Congresso e iniciativas de de-risking, ou seja, que reduzem os riscos de investir no Brasil. Ela cita como exemplo o instrumento de cobertura cambial para investimentos verdes anunciado em março pela Fazer e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que espera mobilizar uma cobertura de até 3,4 mil milhões de dólares para reduzir o risco de volatilidade cambial.
* O jornalista viajou a convite da Cúpula do Clima no Brasil
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