A mineradora Vale (VALE3) reportou ontem (25), após o encerramento das negociações, lucro de R$ 14,6 bilhões no segundo trimestre deste ano. O valor representa um aumento de 219% na comparação anual. A receita líquida, por sua vez, foi de R$ 51,7 bilhões, aumento de 8,3% na mesma base de comparação. Com base nos resultados do período, Vale anunciou o pagamento de R$ 8,9 bilhões em juros sobre capital próprio aos acionistas. O relatório foi recebido positivamente pelos analistas, mas eles seguem cautelosos em alguns pontos, principalmente em relação ao preço do minério de ferro.
Não é à toa que, com a desvalorização da commodity, as ações da OK também acumula queda no ano. Até o fechamento de ontem, as ações da empresa registravam queda de mais de 18% neste ano. Mas será que o jogo vai virar com esse bom resultado? Então, é hora de comprar ações da mineradora?
Embora um aumento de 200% no lucro sugira que o balanço da empresa foi extremamente positivo, analistas afirmam que há pontos de cautela a serem destacados. Isto não significa, porém, que o equilíbrio fosse mau, pelo contrário. A expectativa agora é que resultados positivos continuem aparecendo.
Um ponto levantado por Júlia Monteiro, analista da MyCappor exemplo, é que parte desse lucro positivo não veio necessariamente de ganhos operacionais, mas sim de situações específicas, como o recebimento de impostos.
O analista destaca o aumento da produção da empresa, que ajudou a impulsionar o balanço. Para quem não lembra, Há pouco mais de uma semana, a empresa anunciou que fechou o segundo trimestre do ano com produção de 80,59 milhões de toneladas de minério de ferro, um aumento de 2,4% em relação ao mesmo período do ano passado.. Porém, segundo o analista, o custo dessa produção aumentou (consequentemente a empresa gasta mais). Além disso, caiu a produção de outras commodities, como níquel e cobre.
“O destaque positivo foi o aumento da produção. Mas se olharmos com atenção veremos que o custo de produção do minério de ferro foi maior. Em grande parte devido, segundo a empresa, ao frete mais caro”, afirma o analista. “Operacionalmente, apesar do destaque positivo pela maior produção de minério de ferro, observamos queda no níquel e no cobre. E houve queda no preço de venda do níquel também. No final das contas, o Ebitda da empresa acabou ficando muito parecido com o do ano passado“, ele afirma. O Ebitda (lucro da empresa antes de juros, impostos, depreciação e amortização) cresceu 5,6% no período e atingiu R$ 20,8 bilhões.
Para Felipe Moura, analista da Finacap, o balanço da empresa foi “forte”, mas também destaca que o preço do minério de ferro está mais baixo, especialmente devido à demanda mais fraca na China, que ainda não conseguiu se recuperar da pandemia e do real crise imobiliária. Não é de surpreender que a commodity já tenha caído cerca de 20% este ano.
“O balanço foi forte em termos operacionais, acho que o volume produzido foi bom, houve um aumento significativo. Mas o preço realizado do minério ficou um pouco mais fraco devido às operações que ainda estavam pessimistas no preço da commodity, principalmente com a demanda mais fraca da China”, afirma.
Outro ponto levantado por Julia é que “os lucros da empresa, superiores aos estimados pelos analistas, não foram operacionais”, mas ganhos específicos, como a reprecificação de ativos não circulantes e a reversão de pagamentos de impostos para recebimento de imposto de renda, por exemplo, o que auxilia no resultado financeiro.
Moura, da Finacap, destaca ainda que a geração de caixa da empresa foi “um pouco mais baixo” devido a um “consumo de capital de giro com pagamentos de fornecedores”. Mas, segundo o analista, isso também é algo específico. Um fator positivo foi a redução do endividamento da empresa, que possibilitou inclusive uma forte distribuição de lucros aos acionistas, um dos principais destaques positivos, segundo analistas.
“A dívida líquida diminuiu devido ao pagamento que recebeu pela venda da unidade de metais básicos. Uma empresa que tinha um endividamento baixo diminuiu ainda mais”, afirma. “O anúncio da distribuição de R$ 8,9 bilhões em juros sobre capital próprio mostra um benefício fantástico para os acionistas. Isto ilustra a política da empresa de devolução de capital aos acionistas”, acrescenta.
João Daronco, analista da Suno Research, destaca também a distribuição de rendimentos. Apesar da queda do minério, o analista tem uma visão mais otimista. Ele destaca que a commodity segue acima de US$ 100. “Esse patamar continua garantindo que a Vale seja uma das maiores geradoras de caixa na bolsa, proporcionando maior remuneração aos acionistas, seja por meio de dividendos ou recompra de ações”, afirma.
É hora, então, de comprar as ações?
Moura, da Finacap, destaca que “as ações da Vale estão depreciadas”. Ou seja: estão sendo negociadas a um preço inferior ao que seria considerado justo diante dos seus resultados. Isso significa, portanto, que há espaço para aumentos.
“Quando comparamos o histórico das ações, é um desconto significativo. Mesmo quando comparado com outras mineradoras. Então, eu acho que apesar de termos esse cenário de minério de ferro mais fraco, vocês têm uma valorização depreciada das ações da empresa, então eu acho que o mercado continua a penalizar a empresa. Deverá continuar a alcançar resultados sólidos e retornar a bons níveis de rendimento para os acionistas“.
“No curto prazo, vemos pouco espaço para quedas adicionais no minério de ferro e também na Vale. A Vale negocia em torno de 4x o valor emitido e tudo mais constante, sem espaços adicionais, achamos um bom preço de entrada. Em termos de valorização, entrega e surpresas potencialmente positivas, não estamos otimistas quanto ao potencial de valorização, mas sim pela qualidade da empresa
Para Marco Saravalle, estrategista-chefe da MSX Invest, este é um bom “momento para entrar” nas ações da Vale. Ou seja: pode ser um bom momento para comprar as ações
“No curto prazo, vemos pouco espaço para quedas adicionais, tanto no minério de ferro quanto nas ações da Vale”, afirma o especialista. Segundo Saravalle, se os resultados da empresa permanecerem constantes e não houver choque adicional (seja no preço do minério ou algo específico que “perturbe” a empresa), as ações estão com “bom preço de entrada”. Ontem (25), as ações fecharam o pregão cotadas a R$ 60,57.
“Não estamos tão otimistas quanto ao potencial de valorização, mas pela qualidade do ativo, pela entrega da empresa, acreditamos que poderá ser uma boa porta de entrada. Hoje, as reações devem ser positivas, até pelo anúncio de dividendos , o que atrai investidores”, diz.
Júlia Monteiro, do MyCap, pensa que no curto prazo as ações exigem atenção, sobretudo porque a economia chinesa continua enfraquecida (e, portanto, a procura e o preço do minério podem continuar baixos) e porque há sanções que o governo afirma querer aplicar à empresa devido à tragédia de Brumadinho. No longo prazo, porém, as ações tendem a ter um bom desempenho e este pode ser um bom momento para entrar devido ao seu preço estar abaixo do que seria considerado justo pelo mercado.
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