A desvalorização dos carros usados, que tem levado as locadoras de veículos a perdas milionárias, foi destacada na divulgação dos resultados do segundo trimestre. Em comum, Localiza, Unidas e Movida iniciaram uma corrida para aumentar os preços dos aluguéis, enquanto a venda de carros usados disparou, como forma de renovar a frota e buscar ganhos de produtividade. A sinalização dos executivos das três empresas é que o segmento de usados, hoje calcanhar de Aquiles, começa a melhorar.
Sempre na comparação anual, juntas, as líderes de mercado venderam 107 mil carros, crescimento de 34%. O preço médio de venda também melhorou: aumento de 11,7%, para R$ 67 mil. A tarifa média consolidada do aluguel de carros subiu 9,8%, para R$ 135. Tudo isso contribuiu para uma receita consolidada de R$ 14 bilhões no trimestre, um aumento de 33%.
O vilão que ainda preocupa os investidores é a depreciação, que tem prejudicado o resultado do balanço, em meio a um cenário complexo de vendas de carros usados. Embora o negócio das locadoras não seja vender carros, elas ganham quando conseguem um bom desconto das montadoras na compra e, no final, vendem por um preço mais remunerador. O cenário nos últimos anos tem sido o oposto: menos descontos na compra e mais dificuldade na venda.
Temos mais clareza sobre o que vem pela frente na depreciação”
—Bruno Lasansky
Movida e Unidas registraram melhora no lucro após reconhecerem prejuízo no quarto trimestre. A Localiza, que ainda não fazia ajuste de curso desde o segundo trimestre do ano passado, reportou em seu balanço R$ 1,67 bilhão em provisões, baixas (“impairment”) e depreciação adicional de carros. O número ajudou o grupo a aumentar o prejuízo no trimestre para R$ 570 milhões – contra prejuízo de R$ 89 milhões no segundo trimestre de 2023. O resultado pegou o mercado de surpresa e as ações caíram 16,8% ontem (14), para R$ 40, a maior queda do Ibovespa.
Segundo Bruno Sebastian Lasansky, presidente da Localiza, existe agora um cenário de mais visibilidade em relação à depreciação. A administração da empresa explicou que a Localiza decidiu adiar eventuais ajustes de rumo enquanto espera uma melhora no mercado de usados, o que aconteceu no primeiro trimestre. Na segunda, porém, ele piorou novamente.
“A partir de agora avançamos com mais clareza sobre o que enfrentaremos em termos de depreciação”, disse ele, em teleconferência. O reajuste terá um preço: a Localiza espera uma depreciação ainda pressionada nos próximos três trimestres, já que o grupo reduziu a vida útil dos veículos de 18 para 15 meses.
“A mudança, embora vejamos como positiva, no curto prazo, principalmente os carros que estão há mais tempo na frota, terão sua depreciação impactada”, disse Rodrigo Tavares, diretor financeiro da Localiza.
Lasansky disse ainda que aposta em saltos nos preços dos carros novos, ainda que em níveis mais controlados. O movimento poderia ajudar a aproximar o preço dos carros usados. “Vemos crescimento dos preços públicos e praticados abaixo da inflação, mas com crescimento nominal. Não vemos um cenário em que as montadoras tenham apetite para realmente reduzir os preços dado o novo patamar da taxa de câmbio”, afirmou.
A Movida também sinalizou ao mercado melhorias no segmento de seminovos. A empresa registrou um aumento nas vendas de quase 50%, disse Gustavo Moscatelli, CEO da empresa, em entrevista ao Valor na semana passada, na divulgação do balanço. “Além de mais vendas, conseguimos reduzir em 6,3% o desconto na tabela FIPE [na média do ano passado] no varejo para 5,1%”, disse.
Além da forte demanda, o crédito voltou a se recuperar, afirmou o executivo. Cerca de 60% das vendas de veículos da empresa são realizadas por meio de financiamento bancário. Somente a Movida teve que reconhecer perdas (“impairment)” de R$ 391 milhões no quarto trimestre devido ao menor preço dos carros usados.
A leitura do executivo é que o setor de locação deverá ver sua frota movimentar-se lateralmente este ano, com as taxas de juros dificultando a aquisição de veículos. “Podemos até ver os ‘jogadores’ reduzindo a sua frota”, disse ele. A Associação Brasileira das Locadoras de Veículos (Abla) destacou que o setor de locação fechou 2023 com uma frota de 1,57 milhão de carros, um aumento de 9,5%.
Cláudio Zattar, CEO da Unidas, disse Valor que o novo carro melhorou, mas é preciso cautela. “Estamos caminhando para isso, mas ainda é cedo para dizer quando acontecerá a normalização total”, disse o executivo.
Dados da Federação Nacional das Associações de Concessionários de Veículos Automotores (Fenauto) exemplificam a melhoria. Segundo estatísticas de julho, o volume de revenda saltou 20,4% em relação a 2023, para 1,467 milhão de veículos.
Segundo Zattar, um dos fatores que ajudou a empresa no segmento foi o maior volume de vendas no varejo, que quase triplicou em relação ao mesmo trimestre do ano passado, para 54,4%. O varejo tem margens melhores que o atacado.
Mas o executivo destacou que, dado o atual nível das taxas de juros, a indústria deverá evoluir lateralmente este ano. “Usamos alguma moderação quando se tratava de compras. Não vamos aumentar a frota este ano. Vamos renovar, colocar à venda os antigos e melhorar um pouco a eficiência”, afirmou. A previsão é comprar 54 mil carros este ano.
O setor também sentiu forte impacto das chuvas no Rio Grande do Sul, que levaram as líderes de mercado a perder R$ 126,3 milhões no trimestre.
A mais afetada foi a Localiza, com impacto de R$ 103 milhões. No total, a empresa teve 2,6 mil carros afetados e até hoje a empresa mantém operação parcial na região, devido aos danos aos ativos.
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