A área de armazenamento da AGCO, GSI, foi vendida por US$ 700 milhões ao fundo de private equity American Industrial Partners (AIP) no mês passado, com um múltiplo EV/EBITDA de 8,3 vezes. Na mesma semana, o Kepler Webera maior armazenadora do país, valia 5,1 vezes pela mesma regra. Isso significa que há potencial de valorização para a empresa gaúcha ou que ela realmente vale menos que o GSI?
O indicador EV/Ebitda, muito utilizado no mercado financeiro, relaciona o chamado valor da empresa (valor de mercado mais dívida líquida) com o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização.
Kepler fatura R$ 1,5 bilhão por ano e tem valor de mercado na B3 estimado em R$ 330 milhões, menos de 10% da avaliação da GSI —cerca de R$ 3,95 bilhões, considerando a cotação do dólar no pregão (R$ 5,65) e o valor divulgado pelas empresas envolvidas na transação. A receita da GSI em 2023 totalizou US$ 5,6 bilhões
Além do tamanho das empresas, ele diz André Manzinianalista em Citio que faz diferença no múltiplo pago pelos compradores é a diversificação dos mercados de atuação e o custo de capital das empresas.
“O GSI tem a vantagem de poder financiar suas operações com interesse americano, enquanto o Kepler, que tem 90% de sua receita vindo do Brasil, precisa dar conta das condições aqui. Essa é a grande resposta para a diferença”, diz ele.
Olhando para o mercado brasileiro, porém, ele vê a Kepler como uma empresa mais sólida, com participação de mercado de 50%. “A Kepler é vista como um ‘player’ de qualidade, que possui produtos premium e é capaz de repassar seus custos aos consumidores. Além disso, destaco o investimento no Procer como um ativo para a empresa”, completa.
A Procer atua com monitoramento e serviços digitais para armazenamento de grãos e teve 50% de seu capital adquirido pela Kepler há dois anos. Desde então, a empresa gaúcha tem insistido na venda do serviço, que garante receita mensal contínua, semelhante ao streaming.
Até o balanço do segundo trimestre de 2024, encerrado em 30 de junho, porém, o Procer ainda era pouco representativo da receita da Kepler. A área de reposição e serviços da empresa, onde está localizada a Procer, representou 17,6% da receita trimestral, R$ 327,8 milhões.
O fato é que os serviços da Procer são utilizados por quase todas as empresas de armazenamento, incluindo a GSI e a canadense AGI, outra das maiores empresas de armazenamento do mundo, mas que também tem uma pequena participação no mercado brasileiro.
Outro trunfo da Kepler, que também pode ajudar outras empresas do setor, é o déficit de armazenamento nacional, estimado entre 100 milhões e 120 milhões de toneladas.
Segundo a Câmara Setorial de Armazenamento de Grãos da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), o déficit cresceu 5 milhões de toneladas por ano nos últimos 15 anos. A produção de grãos e fibras do país é próxima de 322 milhões de toneladas, enquanto a capacidade estática de armazenamento é de 200 milhões.
Para a XP, a Kepler é uma empresa com crescimento consistente. “Apesar do ano adverso para o agronegócio no Brasil, Kepler destaca carteira de pedidos positiva entrando no segundo semestre (além de sazonalidade naturalmente melhor), implicando melhor desempenho nos próximos trimestres”, afirma Lucas Laghi, analista da XP, que reitera sua Classificação de compra das ações da empresa.
A XP tem preço-alvo de R$ 16 para a ação. O banco Inter é outro que recomenda a compra da empresa gaúcha, com potencial de valorização de 22%, pelo preço-alvo de R$ 14. O Citi vê as ações a R$ 12, também com recomendação de compra.
As ações valorizaram 11,4% no ano, enquanto o Ibovespa subiu 1,6% e o Índice do Agronegócio, 2,56%.
Sobre a aquisição do GSI pela American Industrial Partners, a opinião dos analistas é que o fundo tem muita experiência em indústrias em desenvolvimento, com ativos sob gestão de US$ 16 bilhões. Porém, atuar em mercados desconhecidos como o do agronegócio para eles é “sempre uma caixa de surpresas”.
Normalmente, os fundos de private equity cortam custos das empresas e reduzem os preços dos produtos vendidos para ganhar participação de mercado, mas os produtores e agronegócios brasileiros são conhecidos pela exigência de manter contato contínuo e próximo com seus fornecedores. Portanto, será necessário acompanhar para entender o que o GSI fará no Brasil daqui para frente.
Este conteúdo foi publicado pelo Valor PRO, serviço em tempo real de Valor Econômico.
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