O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo declarou encerrado, nesta sexta-feira (9, o recuperação judicial do fabricante de telhas Eternidade. A empresa havia iniciado o processo em 2018, após o Superior Tribunal Federal (STF) proibir a venda de mineral crisotila (amianto) no país.
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O material foi utilizado nas telhas da empresa e explorado em uma mina de sua propriedade, em Goiás —atualmente a empresa tem autorização para explorá-lo apenas para exportação.
“A empresa entendeu [na época] que passaria por um difícil processo de adequação do seu parque fabril”, afirma Vitor Mallmann, diretor financeiro da empresa. Desde então, a Eternit deixou de fabricar telhas contendo amianto e aumentou a produção de telhas de fibrocimento, feito com fibras de polipropileno.
A empresa iniciou a recuperação judicial com uma dívida de R$ 250 milhões e encerrou o processo com R$ 37,3 milhões, dos quais R$ 27,6 milhões referem-se a um empréstimo com o Banco da Amazônia, com taxas de juros consideradas atrativas para o negócio (7% ao ano).
Paulo Roberto Andrade, presidente da empresa, diz que a direção da empresa foi questionada sobre o motivo de não quitar de uma vez a dívida trabalhista, de valor relativamente pequeno, para acelerar a saída da recuperação judicial (RJ). A Eternit preferiu manter a dívida e incluir um acordo que a protegesse de “possíveis processos trabalhistas no futuro”, explica Andrade.
Os créditos decorrentes de ações baseadas em eventos anteriores a 2018 serão pagos de acordo com o plano do RJ. “Como estamos expostos ao amianto, podemos ter surpresas desagradáveis”, afirma.
A exploração da mina de crisotila respondeu por 56% do lucro bruto da Eternit no último trimestre. Para Mallmann, a empresa sai “mais robusta” da recuperação.
Durante os seis anos do processo, a Eternit vendeu sua divisão de louças sanitárias no Ceará e imóveis que não tinham relação com sua atividade produtiva. Paralelamente, adquiriu uma fabricante de telhas de fibrocimento em Hortolândia (SP), ampliando a produção de seus produtos “core”, que incluem também telhas de concreto e sistemas construtivos (peças para construções modulares e industrializadas).
A empresa também construiu uma nova fábrica de fibrocimento em Caucaia (CE), com investimento de R$ 187 milhões, e ampliou sua fábrica em Manaus.
A fabricante, listada em bolsa, encerrou o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 11,7 milhões, aumento em relação ao resultado do mesmo período de 2023, de R$ 1,1 milhão, devido à venda de um ativo não operacional.
As vendas apresentaram recuperação em relação ao primeiro trimestre, quando estavam em queda. A venda de telhas de fibrocimento cresceu 10%. Os sistemas construtivos subiram 31% e as telhas de concreto subiram 16%. As exportações de crisotila caíram 14%.
Mesmo com o aumento das vendas, Andrade afirma que o mercado de materiais como um todo está “difícil” e que, desde o ano passado, houve queda no nível histórico de vendas do setor.
A Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção) prevê crescimento de 3% no faturamento do setor neste ano, após queda de 2,1% em 2023 e de 6,9% em 2022.
Concluída a recuperação, o objetivo da gestão da Eternit é rentabilizar os ativos que o negócio já possui. Segundo Andrade, a empresa vendeu apenas cerca de 60% do que tem capacidade de produzir.
Também há planos de fabricar mais itens relacionados à construção industrializada, como pisos. A divisão de sistemas construtivos cresce de 20% a 30% ao ano, afirma o presidente.
Outra frente explorada são os produtos relacionados à energia solar, como telhas com células fotovoltaicas embutidas. A empresa já comercializa o produto, fabricado em planta piloto em Hortolândia.
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