Somente após a implementação do Plano realque oficializou a moeda em circulação no país em 1º de julho de 1994, Foi possível acompanhar a evolução do Ibovespa. Uma das principais conquistas do programa, além da controle de inflação, foi a estabilização da unidade monetária que ainda temos hoje. E é isso que permite medir o índice que, desde o primeiro pregão negociado em reais até 1º de julho de 2024, entregou rentabilidade bruta de 3.223,8%.
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Ou seja, que investiu R$ 1 mil apostando em valorização do principal índice de ações da bolsa brasileira há exatos 30 anos – e entretanto não alterou esta posição – tem pouco mais de R$ 33,23 mil na carteira nesta terça-feira (2) pela manhã, antes da abertura do mercado.
Mas o principal índice de ações da bolsa brasileira ainda perde para o CDI neste periodo.
Hipoteticamente, um título de renda fixa com taxa de 100% do CDI teria entregado 8.060% de rentabilidade nessas três décadas. Assim, o mesmo R$ 1 mil teria se transformado em aprox. R$ 81,6 mil na carteira.
*de 4 de julho de 1994 a 1º de julho de 2024. Fonte: B3 e Banco Central
Num país com histórico de inflação alta, não é surpreendente que o rendimento fixo supere os retornos do mercado de ações. A verdadeira mudança trazida pelo real há três décadas foi a redução desta lacuna – e a possibilidade de, por vezes, estas posições serem invertidas.
Inflação após estes 30 anos do Plano Real está acumulado em 656,3%se medido por IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Os preços monitorados por IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) avançado 1.112% entre julho de 1994 e maio de 2024.
O IGP-DI é um índice de inflação mais antigo e foi, até meados de 1999, a referência do Banco Central (BC) para monitoramento dos preços no mercado brasileiro. Em 2000, foi substituído pelo IPCA, que é hoje o indicador oficial do país.
Ó Ibovespa corrigido pelo IGP-DI apresenta volatilidade relevante nos primeiros anos após o Plano Real, porque o impacto da inflação (na deterioração ou aumento do poder de compra, no caso da deflação) está embutido no desempenho do índice. A representação do índice sem ajustes, o valor nominal, apresenta o índice, aparentemente, se movimentando lateralmente, como mostra pesquisa da consultora Einar Riverode Elos Ayta Consultoria.
Mas esta diferença visual acontece porque, como o nível do índice era baixo no início da década de 1990, o aumento parece quase sem sentido no gráfico. Em termos absolutos, dados os patamares que o Ibovespa atingiu posteriormente, o avanço foi menos relevante.
Proporcionalmente, a reação do mercado acionário à nova moeda foi sensível. Em 1994, o Ibovespa saltou 42,6%. Passou de 3.755 pontos no início daquele ano para 5.354 pontos seis meses após a implantação do Plano Real. Para então cair 19,7% no ano seguinte.
“O que aconteceu nesse período foi um ‘esfriamento’ da economia, comum após o início do mercado. Depois, além da correção dos exageros do ano anterior, a desaceleração do PIB [Produto Interno Bruto] suscitou alguns receios, razão pela qual os investidores abandonaram mais uma vez a bolsa. O mercado ainda estava desconfiado. Mas lá, em dezembro de 1995, isso mudou novamente, e o Ibovespa iniciou uma sequência de altas até maio de 1997. Nesse período, o índice subiu todos os meses”, lembra Jorge Simino Júnior, especialista em investimentos com experiência em gestão de fundos de pensão Viver (antiga Fundação Cesp) e outras instituições financeiras.
A história lhe parece familiar?
Nestas três décadas, a linha nominal do Ibovespa coincide apenas com a corrigida pelo IGP-DI de meados de 2020. Quer dizer, faz apenas quatro anos que a inflação saiu de controle a ponto de distorcer o valor do ativo.
E mesmo assim, nem tudo está resolvido.
Outro Ibovespa, os mesmos problemas
Num ambiente macroeconómico instável, a diversidade de sectores representados na bolsa de valores torna-se um ponto forte. Assim, os pesos dos ativos se contrabalançam. Da mesma forma, a concentração de uma carteira pode ser um ponto fraco.
E nesse aspecto o Ibovespa (ou melhor, o Brasil) não evoluiu muito.
A carteira das ações mais negociadas na bolsa brasileira foi composta em junho de 1994 para 56 funções e atualmente tem 86. É como se você adicionasse apenas um ativo para cada ano que passa.
Somente as ações da Telebrás representaram 37,7% dos pesos da carteira do índice em 1994. Quatro anos depois, em 1998, a empresa estatal de telecomunicações dividiu-se em 12 holdings, quatro das quais eram empresas de telefonia fixa e oito empresas de telefonia celular.
Atualmente, as maiores ações do Ibovespa têm isto em comum: são ou já foram empresas estatais. Mesmo assim, a concentração já não é tão exagerada como antes. No momento, OK Isso é Petrobrás juntos, eles não têm participação superior a 26% na carteira do índice.
Mas em ambos os quadros, As carteiras são fortemente apoiadas por títulos de empresas da indústria e de energia.
No passadoentretanto, o foco dessas empresas era a mercado domésticoque expôs demais o Ibovespa aos solavancos da inflação e dos juros. Hojeuma parcela relevante do portfólio está nas mãos de empresas voltado para o mercado externo (exportadores)o que torna o índice mais vulnerável ao movimento do dólar.
“Também vejo outro problema hoje: os papéis se comportam de maneira mais em bloco. Ou seja, mais ações tendem a adotar o mesmo sentido. Naquela época, o movimento do mercado era impulsionado por aspectos setoriais ou empresariais. Hoje, as questões macroeconómicas dominam a agenda. Este fenômeno é um dos efeitos que globalização tinha na bolsa”, reflete Luiz Mariano de Rosafundador de Melhorar os investimentos.
Um dos “pais do Plano Real”, Gustavo Francoex-secretário adjunto de política econômica do Tesouro (1993 – 1999) e hoje sócio da Rio Bravo Investimentoslembra que a capitalização de mercado do mercado de ações brasileiro antes do real era de cerca de US$ 300 bilhões (em 1994) e subiu então para um máximo de 1,7 biliões de dólares, 20 anos depois. Mas permanece nesse nível até hoje.
“Mas é isto que mostra o efeito prático de uma reestruturação macroeconómica [como o Plano Real]. É a capacidade de criar riqueza a uma taxa muito mais elevada do que a fórmula incremental [de geração de novas receitas] para o crescimento do PIB”, avalia Franco.
Os 30 anos do Plano Real encerraram um (longo) capítulo na história do Brasil.
Na década de 1990, os retornos anualizados do CDI passaram de 1.544% (1992) e 3.065% (1993) para 53% (1995) e depois ficaram abaixo de 30% (de 1996 em diante). Com o real implementado e a taxa de câmbio fixada, a hiperinflação foi “domesticada”. Só assim o Banco Central (BC) poderá recalibrar a Selic.
Assim, embora a taxa diretora tenha permanecido em dois dígitos durante tantos anos, – e de vez em quando volte a esse nível -, a realidade da economia brasileira hoje está muito distante da brasileira.
Muito mais, na verdade, do que parece após 30 anos de realidade.
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