O governo fará uma pente fino no chamado “seguro de defesa” — auxílio de um salário mínimo mensal pago aos pescadores artesanais durante o período em que estiverem proibidos de pescar para proteger a reprodução de algumas espécies. A expectativa é reduzir em 20% os elegíveis ao benefício e economizar R$ 4,96 bilhões em quatro anos (2025 e 2028).
Por ano, a economia estimada é de R$ 1,12 bilhão em 2025, R$ 1,19 bilhão (2026), R$ 1,28 bilhão (2027) e R$ 1,38 bilhão (2028), em valores arredondados.
Os números constam de nota técnica do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), obtida pela Valor, e deverá constar do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2025, a ser enviado no dia 30 deste mês pelo Executivo ao Congresso Nacional. A economia projetada para 2025 faz parte do corte de R$ 25,9 bilhões anunciado há um mês pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mas nunca detalhado.
A previsão do governo é que os gastos com seguros de defesa caiam dos R$ 5,103 bilhões estimados para este ano, com 1.110.929 segurados, para R$ 4,425 bilhões em 2025, com 905.096 segurados. Sem o pente fino, os gastos no próximo ano seriam de R$ 5,531 bilhões.
Ainda segundo dados do MTE, até 2028 o programa atingiria 955.982 segurados, a um custo anual de R$ 5,52 bilhões. Sem o pente fino, afetaria 1.194.978 pessoas e custaria R$ 6,903 bilhões aos cofres públicos.
Para alcançar esta poupança estimada, o governo irá registar novamente os pescadores artesanais, rever o número e os períodos de encerramento e implementar novas validações das bases de dados do governo. O objectivo será reduzir benefícios irregulares e colmatar lacunas para pagamentos indevidos.
Com isso, espera-se que haja uma diminuição no número de benefícios pagos, mesmo com o crescimento vegetativo projetado de 1,84% para 2025, pois há suspeita de fraude, ou seja, de pessoas receberem pagamentos sem serem pescadores artesanais.
“A imediata adoção de medidas pelos órgãos públicos federais, para a realização de ações que resultem no aumento da transparência na qualificação dos pescadores artesanais, poderá resultar em uma redução estimada de 20% dos habilitados a receber o benefício, com impactos na redução de despesas projetadas para pagamento do seguro-desemprego dos pescadores artesanais”, diz a nota técnica.
A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, já havia sinalizado que o seguro de defesa seria incluído na revisão dos gastos, devido a suspeitas de irregularidades. Em nota de julho, ela mencionou que o IBGE indicou que havia 250 mil pescadores artesanais no país, mas seriam mais de 800 mil pessoas recebendo o benefício.
Na nota técnica obtida pelo relatório, o Ministério do Trabalho chama a atenção para o crescimento do número de beneficiários do programa: saltou de 76.127 pessoas em 2001 para 1.157.478 em 2023.
“Em tempos de maior austeridade nos gastos públicos, considerando que os pescadores artesanais são profissionais da pesca que exercem atividades por conta própria ou em regime de economia familiar, de forma ininterrupta, em mercados não regulamentados, com produção em pequena escala, surge a necessidade de reavaliar os mecanismos de qualificação e habilitação de pescadores artesanais, bem como avaliações sobre as condições de pagamento de benefícios que, em atendimento a determinadas legislações vigentes, deixem de exercer a atividade pesqueira”, diz o MTE.
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