A discussão sobre o aumento da alíquota Selic ganhou importância desde a última reunião do COPOM. Embora não haja consenso de mercado sobre a real necessidade de elevação da taxa básica de juros, o mercado vê que o Banco Central caiu numa armadilha quando seus diretores, especialmente aquele nomeado presidente da autoridade monetária, foram muito expressivos em relação a “ faça o que for preciso” se as expectativas de inflação permanecerem soltas.
O efeito dessa conversa sobre a taxa ao longo da curva de juros para os investidores foi aumentar o custo de oportunidade dos investimentos de risco e tornar a renda fixa ainda mais atrativa, principalmente aos olhos de quem sofreu perdas em fundos multimercados. Vale lembrar que cerca de 2/3 desses fundos recebem o CDI há mais de 24 meses e muitos estão entregando rendimentos em torno de 60% do CDI.
Os números líquidos de captação de recursos da ANBIMA mostram claramente como está o humor dos investidores em relação ao risco. Só neste ano, a classe de renda fixa registrou entrada de R$ 303 bilhões contra resgates de R$ 2 bilhões e R$ 145 bilhões nas classes de ações e multimercado, respectivamente.
Em meio a esta combinação de incerteza e aversão ao risco, notei alguns finfluencers falando sobre as oportunidades decorrentes de altas taxas de juros e projetando ganhos a partir deste nível de taxas de juros. Embora a taxa Selic de 10,50% ao ano represente uma taxa mensal de 0,84%, o que mais ouço são simulações com 1% ao mês. Vale ressaltar que é possível encontrar no mercado títulos com rendimentos superiores à Selic, mas nesses casos vale ressaltar que para essas alternativas, às vezes, não há possibilidade de liquidez diária e/ou podem envolver uma risco de crédito.
Isto, porém, não é o mais grave, o pior é criar a ilusão entre as pessoas de que esse suposto 1% produzirá renda que poderá ser consumida à vontade pelo resto da vida. O que não dizem é que parte da renda gerada cobre apenas a inflação. O que não se explica é que se o valor correspondente à inflação não for reaplicado, os recursos perderão valor ao longo da vida.
Supondo um investimento feito há dez anos, em 2014, de R$ 1.000.000 e que rendeu religiosamente 1% ao ano nos últimos 120 meses, um rendimento de R$ 10.000 por mês. Acontece que entre agosto de 2014 e julho passado a inflação acumulada foi de 76%, o que significa que hoje nosso investidor precisaria de algo em torno de R$ 17,6 mil para comprar as mesmas coisas que comprou em agosto de 2014.
Se estendermos a simulação para 20 anos, desde 2004, seriam necessários quase R$ 20 mil para comprar os mesmos produtos e serviços. Ou seja, o investidor que não reaplicasse a parcela correspondente à inflação do período de hoje teria seu padrão de vida reduzido pela metade.
O objetivo básico de um investimento, pelo menos quando se pensa em preservação de renda, é proteger os recursos da inflação. Isso significa que quando a taxa de juros é igual à taxa de inflação, ela só é capaz de preservar o poder de compra do dinheiro. Para evitar que seja corroído.
No nosso exemplo acima, quando alguém te fala que R$ 1 milhão investido a 1% ao mês vai te dar uma renda de R$ 10 mil, essa pessoa está escondendo algo muito importante, que você não vai conseguir conviver com essa renda com o mesmo nível de conforto. que ele gosta hoje. Não revela que parte desta renda deve ser poupada para que os recursos investidos possam continuar a acumular-se de forma a preservar o poder de compra.
Pensando em um mundo em que tudo permanece constante, com taxa Selic de 10,50% e inflação de 4,50%, ambas ao ano, seria possível estimar que R$ 1 milhão renderia R$ 105 mil por ano. Esse valor deveria então ser separado em dois “potes”, um para preservação de capital, nos quais seriam depositados ou reaplicados R$ 45 mil. Os R$ 60 mil restantes seriam depositados no outro pote, que seria usado para atender necessidades e desejos do dia a dia. Em resumo, sua renda disponível mensal, aquela que poderia ser utilizada sem comprometer seu padrão de vida no futuro, seria, portanto, de R$ 5 mil. Metade do que muitos estão publicando por aí.
Vale lembrar também que se houvesse imposto de renda esse rendimento seria um pouco menor.
Infelizmente parece que alguns finfluencers Preferem omitir esta informação para criar a impressão de que tais investimentos seriam mais atrativos e atrairiam os investidores para o seu canto de sereia.
Os investidores devem ter cuidado e ter em mente que, com muito poucas exceções, a única maneira de acumular recursos e viver de renda passiva é poupar por muitos e muitos anos, a fio, e aplicar os recursos de forma diligente, de acordo com o risco apropriado para cada objetivo de investimento
Hudson Bessa Economista e sócio da Escola de Negócios HB
hudson@hbescoladenegocios.com
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