O diretor de política monetária do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou que não é intenção da última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) dar “orientação” (sinalização) para a condução da política monetária. Segundo o diretor, a ideia de um balanço de risco assimétrico “reflete que estamos vendo hoje uma chance maior, olhando as variáveis, de um custo maior do processo de desinflação e que temos recebido dados que nos deixaram na uma situação mais incômoda”. Participou de evento da Warren Investimentos.
Galípolo: Ata da reunião do Copom não serviu de ‘orientação’ para condução da política monetária
No balanço de riscos, em que o Copom menciona os principais riscos positivos e negativos para o cenário inflacionário, a ata apontou três riscos positivos e dois negativos, além de destacar que diversos membros enfatizaram que haveria uma “assimetria no equilíbrio de riscos”.
Entre os riscos ascendentes, o Copom destacou “uma desancoragem das expectativas de inflação por um período mais longo”; maior resiliência na inflação dos serviços do que o previsto devido a um hiato do produto mais reduzido; e uma conjunção de políticas económicas externas e internas que têm um impacto inflacionário, por exemplo, através de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada”.
Os dois riscos descendentes são “um abrandamento mais pronunciado da actividade económica mundial do que o projectado” e “os impactos do aperto monetário na desinflação global revelam-se mais fortes do que o esperado”.
Galípolo explicou que o seu entendimento de um equilíbrio assimétrico não se deve apenas ao facto de existirem três riscos ascendentes e dois riscos descendentes, mas destacou que “a comunicação oficial que temos vindo a fazer tem demonstrado gradualmente uma maior preocupação com a evolução das variáveis”.
O diretor destacou que não cabe a ele trazer os argumentos de quem entende o balanço como simétrico, mas disse que há um ponto que precisa ser ressaltado que “mesmo que você tenha itens para um lado ou para outro , a eventual materialização de um dos riscos poderá sobrepor-se a outros.”
Galípolo deu o exemplo de que a ideia de uma desaceleração abrupta da economia nos Estados Unidos poderia ser um fator de risco que se sobrepõe aos demais, mas que, dependendo da intensidade, “poderia virar a esquina e ir para o outro lado”. , poderá haver um processo de desaceleração tão abrupto que poderá chegar a um momento de aversão ao risco e ser ainda pior para os países emergentes”.
Galípolo destacou que o que o Copom tentou fazer com o balanço de riscos na última ata é registrar como “estamos vendo as coisas agora, mas continuamos dependentes de dados e abertos para a próxima reunião”.

Galípolo: ‘Decisão no Copom será tomada com todas as variáveis em aberto’
Durante o evento, Galípolo reforçou que alinha-se com a visão “de que o cenário é desconfortável para o alcance da meta e que gostaria de ver uma melhoria nas variáveis para o alcance da meta”. Tal como fez no seu último discurso público, Galípolo destacou que estabelecer a relação mecânica entre a taxa de câmbio e a política monetária é um erro.
“Tem uma série de outras variáveis que já nos incomodam há algum tempo, desde a desancoragem de expectativas, o mercado de trabalho que vem se mostrando mais apertado por diversas métricas, como comentou o ministro Haddad, como está o mercado de crédito comportando-se bem”.

Galípolo: ‘Alguns dados deixaram-nos numa situação mais desconfortável’
O diretor de política monetária do BC também comentou que ficou “bastante feliz” com a forma como foi interpretado seu último discurso público. Galípolo disse ter recebido reclamações de alguns amigos de que havia diferença no nível de entendimento entre o que era o comunicado, a ata e o discurso público.
“É óbvio que é normal que num comunicado de uma página e meia você consiga explicar menos do que conseguiria em minutos que tenham mais espaço e eventualmente num discurso público você consiga explicar de uma forma melhor maneira”.
O diretor enfatizou que “de forma alguma” houve a intenção de fazer uma mudança de tom e que, em todos eles, “tivemos o mesmo diagnóstico”.
Galípolo reforçou, como fez em outras ocasiões, que os novos diretores são menos conhecidos e que precisam ganhar credibilidade e que a conquista de credibilidade passa por um processo em que os discursos e as ações são coerentes. Em sua fala, o diretor disse que valoriza muito que suas falas e ações “se unam de forma coerente”.
Segundo Galípolo, a ata da última reunião do Copom deixou “muito claro” que não há nenhum tipo de “orientação” (sinalização) para a próxima reunião. “Somos dependentes de dados, estamos abertos para continuar vendo a evolução dos dados para tomada de decisão em todas as alternativas que já foram elencadas.”
Galípolo afirmou ainda que a possibilidade de aumento da taxa básica de juros, a Selic, está na mesa do Copom. A ata da última reunião do Copom indicou que o colegiado avaliará a melhor estratégia para taxas de juros entre dois. Em primeiro lugar, a manutenção da taxa de juro “por um período suficientemente longo” trará a inflação para a meta dentro do horizonte relevante, atualmente o primeiro trimestre de 2026. Caso contrário, o painel afirmou que “não hesitará” em aumentar as taxas de juro para garantir o cumprimento. da meta de inflação “se for considerado apropriado”.
Galípolo destacou ainda que “em nenhum momento gostaria que o meu discurso transmitisse a ideia de algo desvinculado da ata”.

Galípolo: ‘A possibilidade de alta (taxa básica de juros) está na mesa do Copom’
Durante o evento, Galípolo afirmou que, em determinado momento, o mercado interpretou a afirmação – que considera protocolar – de que o Banco Central só atuaria no mercado de câmbio em caso de “disfuncionalidade” como um sinal de que a autoridade não atuaria no mercado de câmbio. Galípolo destacou que esse discurso foi feito por ele mesmo, pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto, e por outros dirigentes. A avaliação de Galípolo é que houve um momento particular, que talvez ainda sobreviva até hoje, em que discursos “absolutamente protocolares” começaram a “ganhar outra dimensão”.
Segundo o diretor, aconteceu um momento muito particular “e pensamos o quão contraproducente poderia ser a atuação num momento com as particularidades que estávamos passando”.
Galípolo, porém, concorda que, em alguns momentos, a moeda ficou desvinculada de seus fundamentos e pares emergentes, principalmente com as incertezas relacionadas à política monetária no exterior e ao desmantelamento de posições de “carry trade”. “Talvez também uma performance realizada em momentos semelhantes ou semelhantes possa ser contraproducente através de uma interpretação diferente do que realmente representa.”
Galípolo destacou que o BC acompanha de perto e seria um erro dizer que o BC estará ausente e que não analisaria uma ideia de disfuncionalidade. “Neste momento entendemos que era correto não agir.”
O diretor destacou ainda que o BC vem lançando “pouco mais de US$ 100 bilhões em swaps de forma sistemática com intervenções de US$ 800 a US$ 600 milhões por dia no mercado de câmbio”. Segundo o diretor, efetivamente não há problema de liquidez no mercado spot.
Sobre a política monetária americana, o diretor afirmou que existe o risco de que grande parte das expectativas de redução dos juros já esteja no preço. “Essa ideia que às vezes a gente vê, às vezes uma expectativa, de que a chegada do Fed (Federal Reserve) pode ser uma grande mudança, não necessariamente. Acho que já há muitos preços na curva que poderiam estar no preço também.”
Durante a palestra, Galípolo foi chamado de “futuro presidente do Banco Central” e destacou, em sua resposta, que o presidente do BC é Roberto Campos Neto, “que está exercendo plenamente a presidência do Banco Central de forma ultragenerosa. caminho com todos os diretores. A única pessoa que pode indicar quem será o próximo presidente do Banco Central é o presidente da República e depende também da aprovação do Senado.”
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