Analise 75 candidatos para compor o anuário Valor 1000como membro do Comitê ESG Valor/FGVceffoi uma oportunidade única para aprofundar as suas políticas, práticas, objetivos e compromissos ambientais, sociais e de governação. Desde 2022, os fatores ESG são considerados na avaliação das empresas que se destacam no setor, segundo critérios contábeis e financeiros, com peso de 30% no resultado final. Faço parte do comitê de seleção desde o início e considero a iniciativa um daqueles marcos que impulsionam a sustentabilidade corporativa. Uma das bases para minhas análises foram os relatórios de sustentabilidade. Ao lê-lo pude perceber o que já é padrão nas empresas que estão na vanguarda da agenda ESG, seus destaques e desafios.
Transparência da informação
A primeira mensagem que destaco é a importância que deve ser dada, na forma e no conteúdo, à informação que se tornará pública. Um relatório “fala” da empresa, deixa uma marca nela, impressiona ou decepciona. As pessoas leem esses materiais, não são mais apenas peças ilustrativas, não mais. O que significa, então, quando uma organização que atua no Brasil só possui esse documento no idioma de sua sede? Foi o que encontrei em alguns casos, apenas documentos em inglês. A propósito, ótimos relatórios. Mas… em inglês? Estamos no Brasil! Conheço a complexidade de atuar como filial, já me coloquei nesse lugar. Mas também precisamos de trabalhar no sentido do fortalecimento local na publicação de relatórios.
Estruturas e padrões internacionais
Está dado. Os relatórios que mais se destacaram seguem os principais frameworks globais: GRI, SASB, TCFD, IIRC, CDP, ODS. Sim, é uma sopa de letrinhas, mas significa muito para quem entende do assunto, principalmente investidores e tomadores de decisão que querem ter certeza de que as informações que estão lendo seguem um padrão internacional que, portanto, permite a comparabilidade. O destaque aqui são as poucas empresas que já seguem as Normas de Divulgação de Sustentabilidade da Fundação IFRS (IFRS S1 e S2), que serão regulamentadas pela CVM a partir de 2027 (dados de 2026).
Os relatórios são autodeclarações. Por isso, a verificação externa é mais que bem-vinda, adotada pelas melhores empresas. Contudo, não foi unânime no universo analisado. Por outras palavras, precisamos de avançar, dando à informação ESG o mesmo escrutínio aplicado à informação financeira. Uma prática também pouco comum, mas muito interessante, é contratar “leitores externos” para opinarem sobre o documento.
A utilização de “Temas Materiais” como norteadores do relatório foi comum em praticamente todos os candidatos. Identificar os principais temas de uma organização é um exercício fundamental, que deve envolver toda a liderança e o Conselho de Administração, para orientar o planejamento estratégico. Em diálogo com este contexto, a gestão de riscos também foi um conteúdo constante nos relatórios. Por outro lado, pouco vi sobre investimentos em inovação, pesquisa e desenvolvimento, que são cruciais para a evolução da sustentabilidade. Resta saber se as empresas não estão olhando para essa frente como deveriam ou se simplesmente não a mencionaram. Espero que seja a segunda opção.
A agenda ESG corporativa há muito que ultrapassou o domínio das boas intenções. Empresas referência no tema possuem metas bem definidas, de longo prazo e marcos intermediários. O horizonte temporal em geral é 2030, data final dos ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A utilização da lógica de “Transição” nos objetivos de algumas empresas me chamou a atenção positivamente. Eles entendem que estamos transformando um modelo de mundo e que, para que isso aconteça de forma satisfatória e realista, precisamos falar em transição. Definir metas com essa abordagem é um pouco mais sofisticado, mas encorajo todos a se aprofundarem nesse conceito.
Stakeholders no centro da gestão
O entendimento de que a empresa impacta e é impactada por diferentes públicos me parece absorvido. Sem dúvida é preciso proporcionar retorno aos acionistas, mas não só. Passamos de “Valor para o Acionista” para “Valor para as Partes Interessadas” anos atrás. Nos relatórios, todos abordaram suas estratégias com os fornecedores e com a cadeia de valor como um todo. Existem também muitos projetos em comunidades locais. Como tema, DEI – Diversidade, Equidade e Inclusão continua em foco.
Encerro este artigo com dois pontos que são a base de todos os movimentos: liderança e governança. Para minha surpresa, o valor agregado da agenda ESG para os negócios não foi muito mencionado nas cartas dos CEOs ou dos Conselhos, que normalmente abrem os relatórios. Que oportunidade perdida de reforçar que estas questões fazem parte da visão da liderança sênior.
Também havia menos Comitês ESG para assessorar o Conselho de Administração do que eu esperava. A maioria destes órgãos ainda se encontra apenas no nível executivo e não faz parte do primeiro nível de governação. Para priorizar um tema, o Conselho precisa compreender a sua importância. E os comités consultivos desempenham um papel fundamental nisso, preparando assuntos, promovendo a alfabetização, engajando, explorando cenários e fazendo recomendações. Sem uma estrutura de apoio focada em ESG, o Conselho correrá sério risco de deixar de lado questões cruciais para a longevidade da organização.
A conclusão a que chego ao final deste rico processo de análise ESG em Valor 1000 confirma o que vejo no dia a dia com as empresas: temos um setor privado engajado no Brasil, que se dedica a implementar as melhores práticas, se desafia e quer mais. E as empresas do Valor 1000 Eles estão fazendo muito bem o dever de casa. Este é um universo privilegiado? Talvez. Mas não custa lembrar: sustentabilidade é transformar o modelo mundial, o pensamento, o comportamento, o consumo e as operações empresariais. Portanto, não depende do setor ou porte da empresa. É uma questão de visão estratégica.
Sônia Consiglio e Pioneiro dos ODS para o Pacto Global da ONU e especialista em Sustentabilidade.
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