A equipe econômica vê a troca de comando do Banco Central como uma espécie de segunda transição no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A primeira ocorreu quando o petista foi eleito, em 2022, e começou a definir seu ministério e medidas econômicas.
Tal como então, a incerteza cobrou o seu preço. Um assessor do ministro Fernando Haddad (Finanças) avalia que o custo dessa segunda transição tem se refletido nos ativos e atribui parte da alta do dólar, que fechou sexta-feira a R$ 5,604, à indefinição da liderança do BC.
Antecipar a nomeação do sucessor de Roberto Campos Neto — cujo mandato como presidente do BC termina em 31 de dezembro — seria, nesse contexto, um passo na tentativa de reduzir o preço embutido nessa bolsa e dar, a partir de agora, sinais importantes sobre a futuro da política monetária.
Na opinião de pessoas ao redor de Haddad, hoje não há uma orientação clara nesse sentido, o que alimenta a preocupação dos agentes do mercado financeiro sobre a possibilidade de um Banco Central mais brando no combate à inflação em 2025. Isso se reflete na piora das expectativas inflacionárias. e, consequentemente, a trajetória das taxas de juros.
Para facilitar a transição do comando do BC, Campos Neto defende que o governo Lula indique seu sucessor entre agosto e outubro. A decisão final, porém, dependerá do Presidente da República.
Pela lei de autonomia do BC, em vigor desde 2021, cabe ao chefe do Executivo indicar nomes para a cúpula da autoridade monetária. Posteriormente, os indicados precisam de aprovação da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) e do plenário do Senado Federal.
A ideia de iniciar o processo sucessório mais cedo busca garantir que haja tempo suficiente para que o indicado seja examinado pelos senadores antes do recesso de fim de ano.
Nos bastidores, o diretor Gabriel Galípolo (Política Monetária) é considerado praticamente certo para comandar o BC a partir de 2025. Ele foi um dos assessores de Lula na campanha presidencial de 2022 e atuou como número dois do Tesouro. Ele continua tendo canal direto com o petista e seu nome conta com a simpatia de Haddad.
No mercado financeiro também há avaliação de que a transição do BC foi custosa.
Para Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor da autoridade monetária e presidente do conselho da Jive Investments, a preocupação cresce quando Lula ataca Campos Neto, a autonomia da instituição e diz que o nível de interesse ‘vai melhorar’ na próxima gestão.
Ele também cita como exemplo a possibilidade de o governo alterar os depósitos compulsórios dos bancos no próximo ano.
“A meu ver, o BC teria conseguido reduzir os juros para 9%, talvez até um pouco menos, se não houvesse tanta incerteza fiscal e tanta incerteza sobre o futuro da política monetária. Essas duas coisas juntas fizeram com que o Banco Central parasse [a Selic] em 10,5% [ao ano]. É claro que isso tem um custo alto”, diz ela.
Em junho, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC interrompeu o ciclo de cortes de juros num cenário de piora das perspectivas fiscais.
Os aliados de Haddad reconhecem que os ataques de Lula à autonomia do BC também contribuem para aumentar a percepção de risco.
Contudo, o Tesouro tem feito um esforço para convencer o presidente de que criticar a autonomia da instituição não é o mesmo que condenar a postura de Campos Neto à frente do BC —que seria o verdadeiro objetivo de Lula.
Integrantes da equipe econômica e ministros da ala política têm o diagnóstico de que Campos Neto está politizando sua saída do Banco Central. Essa avaliação ganhou mais força após a participação do presidente do BC em jantar oferecido pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no mês passado.
Segundo o Painel S.A, o chefe da autoridade monetária sinalizou na época que aceitaria ser ministro da Fazenda caso Tarcísio entrasse na disputa pelo Palácio do Planalto e vencesse a eleição. Ele, porém, nega que tenha conversado com o amigo sobre um possível posicionamento político após o término do mandato no BC.
No governo Lula, há reclamações nos bastidores sobre as mensagens especialmente duras que Campos Neto tem dado em relação à política fiscal do governo, alimentando as expectativas mais pessimistas do mercado, na direção oposta ao que o Executivo busca.
Segundo um interlocutor, em reunião com Lula no início de julho, membros do Tesouro alertaram o presidente que é preciso defender a autonomia técnica do BC, deixando claro que isso não significa o mesmo que exercer ampla autonomia para até atuar politicamente no cargo, como o governo atribui a Campos Neto.
A incerteza sobre o desempenho do BC em 2025 não se limita ao nome do futuro presidente. Além do sucessor de Campos Neto, Lula também deverá indicar mais dois nomes para cargos nos conselhos da instituição até o final do ano.
No dia 31 de dezembro chegam ao fim os mandatos de Otávio Dâmaso (Regulação) e Carolina de Assis Barros (Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta), única mulher atualmente no topo da autoridade monetária.
Embora diversos nomes sejam citados na tradicional bolsa de apostas do mercado financeiro para o primeiro lugar do BC, as especulações para as demais vagas que ficarão vagas são escassas.
A partir do ano que vem, os indicados pela gestão petista serão maioria no colegiado que decide os rumos da política de interesses do país com sete dos nove membros.
Em entrevista à Folha, o economista-chefe do Citi Brasil, Leonardo Porto, afirmou que a mudança de parcela significativa do conselho de administração é um componente que dificulta o processo de convergência das expectativas de inflação para a meta.
“Estamos falando de três membros entre nove. Vai mudar muita coisa, inclusive o presidente, que é o cargo mais relevante ali. Cada mudança gera um aumento um pouco maior de incerteza e a incerteza, normalmente, é cobrada via prêmio [de risco de investir no Brasil]”, diz.
Na equipe econômica, a expectativa é que essa incerteza seja resolvida com o passar do tempo e as condições se tornem mais favoráveis.
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