Com um ponto de partida elevado, a economia deverá crescer no terceiro trimestre de 2024, ainda que a um ritmo inferior ao observado no período imediatamente anterior. E, para alguns analistas, a desaceleração pode nem ser tão forte. A avaliação é baseada em dados considerados surpreendentes do comércio e serviços de julho, indicando alta demanda no início do trimestre, sustentada por mercado de trabalho aquecido e estímulos fiscais ainda ativos. Até ao final do ano, a elevada taxa de poupança familiar também poderá ajudar, mas a inflação e o aperto das taxas de juro são uma preocupação. Em qualquer caso, a incerteza relativamente à actividade tornou-se agora maior no quarto trimestre.
Divulgado nesta sexta-feira (13), o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) caiu 0,4% em julho na variação mensal, com ajuste sazonal. A queda, já esperada dessa magnitude, não assustou os economistas, e o cenário permanece de crescimento para o terceiro trimestre, com importante contribuição para o aumento do PIB no ano, estimado em cerca de 3%.
Monitores em tempo real da atividade da XP e da Kínitro Capital indicam aumento de 0,6% do PIB no terceiro trimestre, em relação ao segundo, quando o PIB surpreendeu e subiu 1,4%. O monitoramento do G5 Partners aponta para um crescimento ainda maior no terceiro trimestre, de 1%. Kínitro projeta aumento de 3% do PIB em 2024, XP, 3,1%, e G5, 2,7%, com viés de alta.
Já o UBS BB espera menor crescimento do PIB no terceiro trimestre, 0,4% em relação ao segundo, dado, por exemplo, um desempenho mais fraco da economia global, que afeta os preços das commodities. Além disso, outros fatores, como o enfraquecimento dos pagamentos dos precatórios, poderão desacelerar o consumo das famílias nos próximos meses, diz o relatório.
Em relação ao IBC-Br de julho, Vinicius Moreira e Cassiana Fernandez, do JP Morgan, destacam que o indicador acelerou para 5,4% na média móvel de três meses anualizada e ajustada sazonalmente, o ritmo mais forte desde março, apontam. A métrica é uma forma de suavizar os movimentos mensais, mas ainda assim captar a tendência “na ponta” de forma mais dinâmica do que a variação de 12 meses. “A atividade abranda, mas a partir de um ponto de partida elevado”, afirmam no relatório.
Para Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, a redução da série mensal do IBC-Br pode ter sido afetada pelo comportamento da indústria e da agropecuária, mas não é preocupante porque o IBC-Br é um indicador que oscila muito e está sujeito a critérios de dessazonalização e não indicou mudança de tendência.
Nas pesquisas do IBGE, o volume de serviços subiu 1,2% de junho para julho, ante a mediana da expectativa de estabilidade. Além disso, o varejo cresceu 0,6% no conceito restrito e 0,1% no conceito ampliado (inclui veículos, material de construção e cash and carry), ante expectativas de aumento de 0,5% e queda de 0,4%, por pedido. Por outro lado, a produção industrial caiu mais que o esperado em julho: 1,4%, ante expectativa de 0,8%.
“Mas o interessante é que, na variação de julho contra igual mês de 2023, o IBC-Br entrou forte, com alta de 5,3%”, diz Vale. Isto, diz, reforça que o terceiro trimestre será “relativamente bom”. “Deve vir num padrão de crescimento, talvez, próximo ao ocorrido no segundo trimestre, considerando a variação em relação ao mesmo período do ano anterior.”
A projeção da consultoria para o crescimento do PIB no período de julho a setembro em relação ao momento equivalente de 2023 é de 3,3%, mesmo número observado, por esse critério, no segundo trimestre. Para o PIB em 2024, a estimativa é de aumento de 2,8%.
IBC-Br apresenta desempenho um pouco mais fraco em julho, mas indicadores de desemprego de agosto, do PMI [Índices de Gerentes de Compra, na sigla em inglês] e a confiança, em geral, sinalizam que há espaço para novo aumento do PIB no terceiro trimestre, embora em desaceleração, afirma Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura Investimentos. “É possível que a perda de julho apresentada pelo IBC-Br tenha sido um fator mais temporário”, afirma.
Claudio Considera, coordenador de contas nacionais do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), lembra que a contração mensal do IBC-Br em julho veio com base de comparação elevada, já que em junho o indicador subiu 1,36% em relação ao mês anterior, com ajuste sazonal.
Segundo Considera, indicador levantado internamente pelo FGV Ibre com metodologia semelhante à do IBC-Br mostra alta de 0,2% em julho, ante junho, na série com ajuste sazonal. Mostra também que todos os setores de atividade aumentaram no mês, em comparação com período equivalente do ano passado. Portanto, Considera prevê que o PIB deverá crescer no terceiro trimestre, ainda que em ritmo mais lento.
Por trás da expectativa de crescimento no terceiro trimestre, diz Vale, da MB, está a continuidade da expansão do mercado de trabalho, que ajuda o consumo. “Mas a verdadeira fonte, o motor disto, continua certamente a ser a política fiscal. Vemos isso nos dados de varejo. Onde hoje mais cresce no país é no Nordeste, região que sente maior impacto das transferências governamentais.”
Estudo dos economistas Mayara Santiago e Marcos Muniz, do Bradesco, mostra que os componentes cíclicos do PIB têm impulsionado a economia. Do crescimento total de 2,5% acumulado em quatro trimestres até junho deste ano, dizem, 1,3 ponto percentual veio do “PIB cíclico”, que inclui atividades mais associadas à condução da política monetária, como a indústria transformadora, a construção civil , comércio, transportes, intermediação financeira, entre outros.
Para a Vale, a maior incerteza é em relação ao final do ano. “O quarto trimestre deve ter muitas coisas que podem desacelerar um pouco a economia”, diz, citando o início do efeito da alta da Selic, prevista para começar na próxima semana, e o cenário eleitoral “complicado” nos Estados Unidos. Estados. “Nada muito dramático [de desaceleração]”, pondera.
Santigo e Muniz estimam que o consumo das famílias ainda pode ser sustentado pela poupança, que o Bradesco estima em 9,3% do PIB, um ponto percentual acima da média histórica. “Trata-se de um colchão que pode compensar os efeitos de uma menor expansão fiscal e da menor taxa de crescimento da ocupação no segundo semestre”, afirmam.
Fernando Montero, economista-chefe da Tullet Prebon, considera que a “chave” da renda familiar como motor da atividade “começou a sofrer uma inflexão”, que, segundo ele, deverá aumentar.
Ele lembra que, segundo dados do BC, a Renda Nacional Bruta Disponível Domiciliar (RNDBF), restrita, deflacionada e ajustada pela sazonalidade, caiu 0,6% no trimestre móvel encerrado em julho. A RNDBF restrita considera remuneração trabalhista, benefícios previdenciários e transferências de programas sociais. “É a segunda queda de margem dele, em uma série também rebaixada novamente”, diz Montero.
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