O dólar comercial encerrou a sessão com forte queda frente ao realfazendo com que a moeda brasileira apresentasse o melhor desempenho entre as 33 moedas mais líquidas monitoradas pelo Valor. A valorização do real ocorreu em mais uma sessão em que os dados do mercado de trabalho em Estados Unidos veio mais fraco do que o esperado, alimentando ainda mais as expectativas em torno do corte das taxas de juro nos Estados Unidos.
Os operadores mencionaram o diferencial de taxas de juros como motivo para favorecer a moeda brasileira, dada a perspectiva de que o Banco Central poderia aumentar novamente suas taxas aqui. Também houve menção ao alívio da recente valorização do iene como mais um gatilho para a recuperação do real hoje.
Terminadas as negociações, o dólar desvalorizou 1,22%, ficando em R$ 5,5706próximo da mínima do dia de R$ 5,5701, enquanto a máxima foi de R$ 5,6474. O euro comercial desvalorizou 0,97%, para R$ 6,1859. Perto do fechamento, o real teve o melhor desempenho entre as 33 moedas mais líquidas monitoradas pelo Valor. A moeda brasileira avançou 1,09% frente ao peso chileno, 0,90% frente ao peso mexicano e 0,79% frente ao peso colombiano.
Pela manhã, foi divulgada uma série de dados sobre o mercado de trabalho dos EUA. O destaque foi o indicador de criação de empregos no setor privado em agosto, que ficou bem abaixo das projeções. Foram esperadas 140 mil vagas e abertas 99 mil. Houve também a divulgação de dados do setor de serviços nos Estados Unidos, mas estes geraram pouca volatilidade nos mercados.
Entre as operadoras, para justificar a forte queda do dólar hoje, houve menção a um possível fluxo vindo para o país por conta da emissão de títulos da Petrobras; algum alívio face à desvalorização do iene japonês; e a perspectiva de um maior diferencial de taxas de juros por um período mais longo, dada a possível falta de sincronização entre os bancos centrais, com cortes de juros nos EUA e aumento da taxa Selic no Brasil.
O economista-chefe da Oriz Partners, Marcos Bredda De Marchi, lembra que uma moeda não responde apenas a um único fator, mas destaca que, a cada momento, um desses fatores ganha mais importância para os agentes financeiros. “Do início de agosto até agora, a moeda brasileira teve um desempenho positivo, em comparação com seus pares latino-americanos. Nesse período, destaco o compromisso do Banco Central em trazer a inflação para a meta como motivo do bom desempenho do real”, afirma.
Na avaliação do economista, se esse compromisso do BC continuar durante todo o mandato do novo presidente da autoridade monetária, o real poderá se beneficiar ainda mais. Outro fator que pode sustentar a moeda brasileira, segundo De Marchi, é o crescimento da economia brasileira, que parece resiliente, mesmo com taxas de juros em níveis elevados. “Há analistas que gostam de recomendar a compra de moedas de países cujo crescimento excede o crescimento médio dos seus pares. Uma maneira simples de observar isso é o Japão. O desempenho econômico lá foi ruim nos últimos 30 anos, e o que vimos foi uma forte desvalorização do iene”, afirma.
Na área fiscal, o economista reforça a importância das contas públicas caminharem em direção à sustentabilidade, já que o Brasil é um país emergente. “O mercado está muito atento às ‘pirotecnias fiscais’ porque foi exatamente isso que fez explodir a questão fiscal na última década. Esse é um fator crucial para a valorização do real.”
Sobre a estratégia “carry-trade”, De Marchi afirma que ao olhar para as taxas de juros reais de cinco anos no Brasil e nos Estados Unidos, é possível perceber que, de 2006 até hoje, a diferença média entre elas permaneceu em torno de 5 para 5,5 pontos. “No início deste ano, esta diferença rondava os 3,5 pontos, ou seja, esta remuneração estava abaixo da média. Hoje, essa diferença voltou para perto de 5 pontos, em torno de 4,8. Ainda está abaixo da média, mas já melhorou”, afirma.
O economista, porém, lembra que só o diferencial de juros não é suficiente. “A economia americana deve ter um crescimento económico mais moderado. Caso contrário, se houver um crescimento mais forte, a tendência é que os juros subam nos EUA, o que direciona o capital para títulos, além de as empresas também crescerem mais, o que atrai capital para a bolsa”, explica.
Neste sentido, agora, com a economia americana a mostrar uma perda de dinamismo, os investidores globais estariam a reavaliar a sua carteira e a olhar para que mercado podem encontrar oportunidades. “É um momento que pode ser bom não só para a moeda brasileira, mas para outras moedas emergentes. No nosso caso, temos o crescimento e o diferencial de juros a nosso favor. Também precisamos ter uma boa história do lado fiscal”, afirma. “Mas isso só acontecerá se a economia americana desacelerar gradualmente. Se houver qualquer indicação de recessão, tudo isso irá por água abaixo. E ainda tenho dúvidas sobre como acontecerá essa desaceleração nos EUA.”
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