Com preços pouco atrativos, os produtores abandonaram a atividade; em São Paulo, que lidera a produção, a cana-de-açúcar já ocupa áreas de seringais. Entre 2017 e 2023, as importações brasileiras de pneus de carga e de passageiros cresceram 117%, passando de 16,9 milhões para 36,8 milhões de unidades. Esse forte aumento desencadeou uma crise na indústria nacional de pneus, o que pressionou a cadeia produtiva da borracha natural, matéria-prima na qual o Brasil tem tradição e da qual o país já foi o maior produtor e exportador mundial. Leia também Seringal brasileiro pede ajuda Portaria libera até R$ 50 milhões para subsidiar borracha natural Produtores abandonaram seringais e, em alguns casos, até arrancaram árvores para dar lugar a outras culturas, como a cana-de-açúcar em São Paulo que lidera a produção de borracha natural no país. Segundo estimativas do segmento, na safra 2023/24, a colheita nacional caiu de 15% a 20%. Em São Paulo, a área colhida, que era de 115,2 mil hectares em 2022/23, caiu para 113,3 mil hectares em 2023/24, estima o Instituto de Economia Agrícola da Secretaria de Estado da Agricultura (IEA-SP). A queda no Estado, que responde por mais de 60% da produção nacional, não tem precedentes. No mesmo período, a safra paulista passou de 282,1 mil toneladas para 273,5 mil toneladas. “Desde a implantação da cultura no Estado isso nunca aconteceu. É consequência do preço baixo e da falta de capitalização do produtor para reinvestir no seringal”, afirma Marli Mascarenhas, pesquisadora do IEA-SP. Segundo ela, o crescimento das importações nos últimos anos fez com que os estoques das usinas ficassem cheios. Com isso, as indústrias deixaram de comprar cerca de 120 mil toneladas de borracha no campo, o que acentuou a queda nos preços do produto. Como resultado dos preços fixos, pela primeira vez na história, os viticultores não conseguiram vender a sua colheita. Eles precisavam de apoio governamental para mitigar parte dos danos. Saiba mais taboola “Alguns produtores estão derrubando os seringais para erradicar as plantas e abandonar a lavoura”, lamentou José Fernando Canuto Benesi, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Borracha Natural (Abrabor). “É uma situação caótica para a rede. As medidas necessárias para salvar o setor são governamentais.” Hoje, os seringais ocupam 257 mil hectares no Brasil, dos quais 163 mil hectares estão em produção. Os dados oficiais da colheita das duas últimas safras ainda não estão disponíveis. Em 2022, o país produziu 416,9 mil toneladas de borracha natural, e o valor dessa produção foi de R$ 1,8 bilhão, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Agosto é o período de entressafra cultural. O trabalho dos “sangradores” nos seringais começa em setembro, mês que marca o início da colheita. Em outubro, a borracha começa a chegar às usinas de beneficiamento. Produtores e indústria consideram “injusta” a entrada no Brasil de pneus importados, principalmente asiáticos. Segundo integrantes da cadeia, os produtos chegam ao país com preços inferiores ao custo da produção local e também inferiores aos preços praticados no mercado internacional. Esta situação, afirmam, fez cair as vendas das empresas nacionais, que têm stocks cheios nas suas fábricas e pelo menos 2.500 funcionários afastados. A indústria de pneus, que consome 80% da borracha que o Brasil produz, pediu ajuda ao governo. A rede quer aumentar a tarifa de importação de pneus de 16% para 35% por 24 meses, medida que poderá ser votada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) na próxima semana. Os fabricantes também exigem o reforço das medidas antidumping já existentes e ações em três outras frentes: uma contra os subsídios dos países exportadores; um para evitar a falsificação de origem e a triangulação de produtos; e a terceira, restringir a entrada no país de pneus com preço inferior ao custo de produção, com a verificação do preço de referência na entrada das importações. No período entre 2017 e 2023, quando as importações cresceram 117%, as vendas de pneus pela indústria nacional caíram 18%. A quantidade de borracha natural nos itens importados mais que dobrou nesse período, passando de 55,9 mil toneladas para 125,1 mil toneladas. Esse é o volume de matéria-prima estrangeira que competiu diretamente com a borracha brasileira. No primeiro semestre deste ano, a participação de mercado dos itens importados já era maior (54%) do que a produção local (46%). A fabricação de pneus de carga e de passageiros não diminuiu no Brasil no período, pois o custo de uma indústria parada é maior. Estudo da LCA Consultoria Econômica encomendado pela Associação Nacional da Indústria de Pneus (Anip) mostra que, em 2023, pneus de carga importados entraram no Brasil ao custo médio de US$ 2,9 o quilo, valor bem inferior à média internacional, dos EUA. US$ 4,2. No Brasil, os valores foram 69% inferiores à média global. “Essa variação absurda mostra que os países asiáticos aproveitam a falta de proteção tarifária do Brasil para exportar seus produtos a preços injustos”, afirma Klaus Curt Müller, presidente executivo da Anip. “O mercado mundial cresceu e as empresas nacionais encolheram.” Países como os Estados Unidos e o México aumentaram significativamente as taxas nos últimos anos para proteger as indústrias nacionais. No Brasil, a alíquota era zero e subiu para 16% em 2023, o que não surtiu efeito. “Se essa indústria morrer, morreremos juntos”, disse Fernando do Val Guerra, diretor executivo da Abrabor.
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