Em mais uma pauta de restrição de competências do Supremo Tribunal Federal (STF), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (28) um projeto de lei que praticamente acaba com a possibilidade de o Tribunal determinar normas omitidas por Congresso — como ocorreu, por exemplo, com a criminalização da homofobia.
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O texto tramita de forma conclusiva na comissão e, caso não haja recurso ao plenário da Câmara, será enviado diretamente ao Senado Federal.
O projeto para limitar o alcance da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) foi apresentado em 2020 pelo deputado Chris Tonietto (PSL-RJ) e ficou praticamente parado, mas voltou à pauta no primeiro semestre e agora foi aprovado, com apoio quase unânime entre os partidos —só os deputados do PT votaram contra.
Para Tonietto, o texto reduzirá o “ativismo judicial” e o STF só poderá decidir quando o Legislativo não tiver mais discutido ou deliberado sobre algum assunto. “Dessa forma, evita-se que uma matéria rejeitada, ou seja, com previsão legal negativa, ou em fase de discussão, seja causa de deliberação no Poder Judiciário em relação à sua omissão, pois nestes casos é inquestionável que O Parlamento não está omisso materialmente”, afirmou.
O projeto votado, porém, é mais amplo e não trata apenas de questões deliberadas e rejeitadas pelo Congresso. Segundo o texto, esse tipo de ação ao STF não pode tratar de matéria “que tramitou” em “qualquer uma das fases” do Congresso nos últimos cinco anos. Com isso, bastará apresentar um projeto de lei, mesmo que nem sequer seja debatido, para evitar que o STF questione a omissão do Legislativo.
Além disso, o projeto impede que a ADO questione a omissão do Congresso sobre um tema com argumentos “constitucionais puramente principistas” — como são, na opinião dos defensores do texto, os princípios da dignidade humana e da igualdade, por exemplo.
Relator do projeto, deputado Gilson Marques (Novo-SC) argumentou que há apenas uma limitação no uso desses instrumentos. “O ponto chave é que a omissão muitas vezes é consciente. Um exemplo emblemático foi a Câmara rejeitando os pedidos urgentes do PL 2.630, que tentava regulamentar as ‘fake news’. Mostramos lá que o Congresso conscientemente não quer regulamentação, então nenhum outro poder pode fazê-lo”, disse ele.
Deputados do PT e do Psol protestaram contra a votação, mas foram minoria. “Essa proposta é uma forma de impedir inconstitucionalmente a sociedade civil de buscar seus direitos”, criticou a deputada Érika Kokay (PT-DF).
Um dos ensaios mais recentes, por exemplo, foi em julho. O STF decidiu por unanimidade que o Congresso deve regulamentar o pagamento adicional aos trabalhadores urbanos e rurais que exercem atividades penosas. O Tribunal estabeleceu um prazo de 18 meses para que isso ocorresse ou poderia estabelecer regras próprias diante desta omissão. Outro julgamento em que o STF deu prazo ao Congresso para legislar foi a falta de atualização do número de vagas de deputados federais por Estado, congeladas há três décadas, apesar das mudanças populacionais nesse período.
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O assunto avançou na comissão no momento em que o Congresso reage ao bloqueio na execução de emendas parlamentares ao Orçamento pelo STF, que exigia mais transparência sobre os recursos. A paralisação no pagamento das emendas fez com que a oposição e o “Centrão” se unissem para limitar as competências da Corte.
Como parte desse “pacote”, a CCJ também deu sequência, nesta terça-feira, a propostas para limitar decisões monocráticas (individuais), ampliar o rol de ações que podem levar ao impeachment de um ministro e permitir que o Legislativo suspenda a eficácia de Acórdãos do STF. Esses assuntos foram solicitados a serem revistos pelos deputados de esquerda e devem voltar à pauta da comissão na próxima semana de esforços concentrados, em setembro.
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