A passagem do bastão de julho para agosto foi turbulenta em meio a Indicações de uma desaceleração acentuada na economia dos Estados Unidos (EUA). Assim, o mercado financeiro, que vinha se recuperando, atingiu um ponto de inflexão: O capital estrangeiro retorna ao Brasil ou não?
Esse “sangramento” na bolsa brasileira parecia ter sido estancado em julho. O mês passado foi o primeiro em que os estrangeiros compraram mais do que venderam ativos no mercado secundário (de artigos já listados) de B3. O saldo dessas movimentações foi positivo em R$ 3,5 bilhões no período.
Embora o fluxo de estrangeiros na B3 ainda fosse déficit de R$ 37 bilhões no ano até 5 de agostoeste resultado apresenta uma evolução a favor do mercado de ações.
Ao final de junho, a categoria havia retirado R$ 42,5 bilhões do mercado de renda variável do país, o maior saque desde 2020. Ou seja, desde então, o “saldo” negativo foi reduzido em 13%.
Este sinal é um impulso bem-vindo para os investidores locais em ações, já que estrangeiros movimentam, em média, 55% dos volumes negociados na B3.
Então, se voltarem a alocar aqui, atraem bancos e fundos de investimento nacionais, que, por sua vez, trazem mais pessoas físicas para o mercado de capitais.
Portanto, o contrário também é válido: sem capital estrangeiro, nosso mercado de ações fica “murcho”.
“Existem basicamente dois tipos de estrangeiros que investem na bolsa brasileira: o de alta freqüência [com perfil bem mais especulativo]que é quantitativo e está exposto ao nosso mercado através EWZ [fundo de índice listado no exterior, que acompanha uma cesta de ações das maiores empresas do Brasil]; e o fundamentalistaaquele que estuda o mercado para selecionar ativos e monta aqui posições de médio e longo prazo”, explica Aline Cardosochefe de pesquisa e estratégia da Santander.
Ela diz que investidores de “alta frequência” controlam cerca de 80% do fluxo de entradas e saídas de recursos externos na B3. Pelo padrão de alocação mais dinâmico, têm comportamento mais especulativo e são, portanto, sensíveis a “tremores” nas economias.
O primeiro grupo investe em empresas que geram os maiores volumes financeiros na bolsa brasileira: OK, Petrobrás, Itaú, Banco do Brasil e Bradesco. O segundo grupo de investidores estrangeiros, os fundos que buscam oportunidades de ganhos estruturais, têm entre suas ações preferidas nomes como Lojas Renner, Localizar e WEG.
Mas o caminho para a recuperação do fluxo de investimentos na bolsa ainda é irregular e incerto. Pelo menos no curto prazo.
A ameaça de recessão nos EUA foi um “desvio” para os estrangeiros que voltaram a investir em outros mercados. E isso pode se tornar o principal obstáculo à recuperação do mercado acionário brasileiro.
“O Agosto tende a ser de transição no mercado financeiro. Tudo indica que estamos às vésperas do acontecimento mais importante do ano do ponto de vista económico: o redução da taxa de juros nos EUA”, afirma Matheus Pizzanieconomista de corretagem CM Capital.
Hoje, os agentes do mercado financeiro projetam o Corte inicial da taxa do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) de 0,25 pontos percentuais na reunião de setembro. Mesmo que, se confirmado, a decisão seria uma boa notícia para ativos de renda variável locais, As taxas americanas permaneceriam em torno de 5%.
Mas, na extremidade mais optimista das projecções, a Fed surpreenderia com a magnitude dos cortes nas taxas de juro e libertaria o apetite ao risco dos investidores estrangeiros.
Nesse sentido, a equipe da corretora vê potencial para Ibovespa volta a operar na região acima de 130 mil pontos. A CM Capital revisou suas estratégias para o mercado acionário brasileiro, admitindo a possibilidade de o índice renovar sua máxima histórica (de 134.193 pontos, em 27/12/2023) neste ano.
“A bolsa brasileira sente hoje menos a volatilidade do cenário global porque já registrou uma saída de capitais muito significativa em 2024. Quer dizer, já estamos em níveis baixos e nossas empresas estão com muitos descontos. É por isso, Começamos a ver movimentos de investidores para montar posições na bolsa agora e pegar o fluxo comprador desde o início”avaliar Alex Carvalhoanalista da mesma corretora.
Mas ainda há um obstáculo para que o mercado de ações alcance, talvez, o patamar outrora projetado de 140 mil pontos: altas taxas de juros.
A evolução recente do cenário global sugere fatores concorrentes que disputam destaque na narrativa do mercado financeiro. E isso pode ser um obstáculo para o retorno de estrangeiros para cá. Se por um lado, o afrouxamento das rédeas da política monetária americana estimula a circulação de recursos globalmente e pode favorecer economias emergentes, como o Brasil. Por outro lado, os acontecimentos em curso poderão estrangular o capital noutros mercados e encorajar os grandes investidores a regressar aos seus países de origem:
- o mudança de postura de Banco Central do Japãoque elevou as suas taxas de juro para o nível mais elevado dos últimos 16 anos; e
- o Corrida presidencial dos EUAmarcada pela incerteza e que se confunde com o futuro das políticas fiscal e comercial do país.
“As cartas na mesa do comitê do Banco Central do Brasil hoje são manter ou aumentar os juros. Porque é a diferença da nossa tarifa em relação às demais que atrai recursos para a economia brasileira. Isto tende a estabilizar o intercâmbioreduzindo a pressão de custos sobre as empresas, e indiretamente ajuda a controlar o risco inflacionário”, avalia Roberto Padovanieconomista-chefe do banco BV.
Portanto, para especialistas, 2024 continuará sendo o ano da renda fixa no Brasil.
“Mesmo que o mercado de ações registre ganhos neste período, o curto prazo deverá ser desafiador. Isso acontece porque a renda variável local está ligada ao desempenho global das bolsas, que enfrentam riscos maiores agora”, pondera Padovani. “Além disso, as taxas de juro permanecerão elevadas, inibindo uma recuperação sustentável no nosso mercado de ações.”
Os números corroboram essa leitura. No Tesouro, 10% da dívida pública federal estava nas mãos de investidores estrangeiros em junho deste ano. Esses dados já representam uma aumento da participação de estrangeiros no mercado de títulos públicos brasileiro. Em dezembro passado, 9,5% dos títulos eram detidos por “não residentes”.
Embora a margem de meio ponto pareça pequena, em termos absolutos, considerando a evolução do stock neste período, estrangeiros contribuíram com quase R$ 82 bilhões para a dívida pública brasileira no primeiro semestre de 2024.
Esteban Poliduraestrategista-chefe de investimentos para as Américas do Norte Júlio Baerexplica que o perfil institucional investidores estrangeiros que vêm ao Brasil reforça a preferência por renda fixa pública (títulos do tesouro) e corporativo (debêntures e títulos de financiamento bancário).
Mas gestores e analistas tomar como certa a retomada gradual do fluxo entrada de capital estrangeiro no Brasil neste semestre. E isto deverá tirar os activos nacionais da crise em que se encontram hoje.
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