O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta terça-feira que o Brasil precisa atingir um superávit primário entre 2% e 2,5% para estabilizar o crescimento da dívida pública nos níveis médios atuais. “Quem faz essa política é o governo. O Banco Central é responsável por atingir a meta e garantir a estabilidade do sistema financeiro”, afirmou.
Em audiência pública nas Comissões de Desenvolvimento Econômico e de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, Campos Neto disse que é preciso fazer uma grande primária para estabilizar a dívida porque o Brasil está muito endividado e busca levar a inflação para a meta de 3% . porque este é o “mandato dado pelo governo”.
Segundo ele, a economia brasileira surpreendeu com o crescimento “nos últimos 20 ou mais meses” e lembrou que as decisões estão sendo tomadas com quatro diretores indicados pelo atual governo. “Estamos totalmente de acordo”, disse ele. “Tenho certeza que quando eu sair do BC o trabalho continuará sendo feito tecnicamente”, reforçou.
Questionado sobre a relação entre a taxa neutra e a taxa de juros real, Campos Neto destacou que na visão do mercado, a taxa neutra está em 5%, enquanto a real está em 6%. “Estamos 1% acima do neutro, 1% acima do neutro é um pequeno esforço que você tem que fazer para fazer a inflação convergir. Então se pensarmos que a taxa de juro real de 6% é demasiado elevada, o que é elevado é a taxa neutra de 5%, e há razões estruturais que precisamos de combater”.
O presidente do BC destacou que se o país começar a “atacar” a questão da dívida e demonstrar aos agentes econômicos que o Brasil entrará num caminho de convergência da dívida, os juros serão mais baixos. Campos Neto destacou que em tempos em que havia planos fiscais confiáveis, foi quando o BC conseguiu reduzir a taxa de juros e citou o caso do teto de gastos e do arcabouço fiscal.
Sobre a condução da política monetária, Campos Neto destacou que houve duas falas de diretores indicados pelo atual governo dizendo: “olha, vamos fazer o que for preciso para a inflação subir até a meta e se conseguirmos temos que aumentar as taxas de juros e se for necessário, será feito.” Na segunda-feira, o diretor de política monetária, Gabriel Galípolo, afirmou que o aumento dos juros estava na mesa do Comitê de Política Monetária (Copom)
Campos Neto disse que o Banco Central do Brasil, durante seu mandato, nunca terceirizou reservas internacionais, mas destacou que fazer isso em pequenos volumes para aprender “não é ruim”. “Isso foi feito em outro governo do qual eu não fiz parte. Acho até que terceirizar reservas quando se faz com volumes pequenos para ter um aprendizado não é ruim”, comentou.
Durante a audiência, Campos Neto afirmou ainda que, à medida que é transmitida uma mensagem de mais responsabilidade fiscal, as taxas futuras começam a cair e quando atingem um patamar abaixo da taxa atual, abre espaço para que os juros caiam.
Ele ressaltou que isso aconteceu em diversos momentos, como quando foram implementados o teto de gastos e a reforma da Previdência. “Qualquer tipo de reforma que dê a percepção de que o fisco vai fazer melhor no futuro, abre espaço para você ter juros mais baixos”.
Ele também falou sobre o evento do qual participou a convite do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo Campos Neto, o evento com o governador e empresários foi “igual” a outros já realizados e que não gerou repercussão.
“Toda vez que for chamado a ter algum reconhecimento nesse sentido, representando o Banco Central, eu aceitarei”, disse, após ser criticado por deputados do PT na audiência.
Em junho, Campos Neto participou de jantar organizado por Tarcísio em sua homenagem na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Isso, junto com a notícia do jornal “Folha de S. Paulo” de que ele poderia assumir o Ministério da Economia caso Tarcísio fosse eleito presidente da República, gerou ataques de parlamentares do governo.
“Teve um evento igual ao do Tarcísio realizado pelo governador [do Mato Grosso] Mauro Mendes anteriormente, e ninguém falou nada sobre o assunto. Para mim foi mais um evento”, disse ele.
Afirmou ainda que participou posteriormente de evento idêntico com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e que recebeu outros convites para premiações, “inclusive de locais que não são apoiadores do governo Bolsonaro”.
“Afinal, o reconhecimento é importante para o Banco Central. Não é para mim, é para o pessoal do Banco Central”, disse ela. “Todo mundo que pede audiência eu recebo, todo mundo que vai ao Banco Central eu recebo”, afirmou.
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