A Olimpíadas de Paris 2024 está prestes a fazer história não apenas por marcar um grande evento esportivo global, mas também porque são os Jogos Olímpicos mais quentes da históriacolocando à prova a resistência física e a adaptabilidade dos atletas a condições climáticas extremas.
Durante os Jogos de Tóquio 2020, realizados em 2021 devido à pandemia, os termómetros registaram temperaturas acima dos 34°C, com humidade próxima dos 70%, tornando aquela edição dos Jogos Olímpicos “a mais quente da história” até agora.
Na época, os atletas enfrentaram condições severas, com relatos de competidores desmaiando na chegada, sendo transportados em cadeiras de rodas devido ao calor excessivo, e até manifestações de preocupação com a possibilidade de morte durante as provas.
Um novo relatório intitulado “Anéis de Fogo: Riscos de Calor nas Olimpíadas de Paris 2024” alerta que as condições em Paris podem exceder as de Tóquio, destacando que desde 1924, quando a capital francesa sediou as Olimpíadas pela última vez, as temperaturas médias anuais na região aumentaram significativamente em 1,8ºC.
“A região de Paris registou 50 ondas de calor entre 1947 e 2023, que aumentaram de frequência e intensidade devido às alterações climáticas”, alerta o documento. “O fato de as Olimpíadas acontecerem no auge do verão significa que a ameaça de um período de calor devastador é muito real.”
Neste contexto, o documento refere que a preocupação da comunidade desportiva com o aumento das temperaturas também tem vindo a crescer, com atletas de elite de todo o mundo a temerem acidentes graves relacionados com o calor extremo em competição.
Como o calor afeta os atletas?
Para os atletas que se preparam para competir em Paris, o risco vai além do desconforto físico. Condições de calor extremo e alta umidade tornam mais difícil para os competidores regularem a temperatura corporal, afetando significativamente o desempenho físico, especialmente em provas de resistência.
Flávia Magalhães, médico e nutricionista com 20 anos de experiência em esportes, explica que as altas temperaturas aumentam o risco de desidratação, pois a perda de líquidos ocorre pela transpiração na tentativa de manter a regulação da temperatura corporal. Esse estresse térmico pode dificultar a dissipação do calor pelo corpo durante o exercício e promover o aumento da temperatura corporal, resultando em fadiga precoce.
“As altas temperaturas podem afetar o funcionamento do sistema nervoso central, incluindo a função cognitiva e a regulação do metabolismo corporal. A hipertermia corporal, portanto, pode desnaturar proteínas cerebrais, alterar processos bioquímicos cerebrais e interferir na condução elétrica dos neurônios”, afirma.
Além disso, os atletas podem sofrer com o aumento da demanda do sistema cardiovascular e dos músculos, prolongando a inflamação e gerando dores musculares retardadas, necessitando de maior tempo de recuperação.
Para evitar casos extremos que não são identificados precocemente, o especialista ressalta que é fundamental acompanhar de perto o atleta com muito cuidado, desde o momento da adaptação pré-viagem aos jogos e realização de avaliação de hidratação.
“Através da urina podemos verificar se o atleta está hidratado, desidratado ou hiperidratado. Assim, os ajustes são feitos antes dos jogos e treinos. Quanto maior a temperatura, maior o desgaste. Caso seja identificada hipertermia, é necessária intervenção imediata para resfriar o corpo, colocando gelo nas axilas, virilha e, se possível, submergindo o indivíduo na piscina fria para proporcionar um resfriamento mais rápido”, explica o médico.
“Também é necessário apoio através de nutrição adequada, sono e avaliação cardiovascular. Para as mulheres, esse estresse térmico agudo pode levar a desequilíbrios hormonais temporários, como o aumento do cortisol. Porém, as alterações do ciclo hormonal serão mais evidentes nos casos de exposição, com hipertermia corporal de forma mais crônica”, completa.
Esportes que duram mais ou que promovem circunstâncias com maior estresse térmico, como o vôlei de praia devido à temperatura da areia, exigem cuidados extras, segundo o médico, sendo fundamental o monitoramento da organização e a refrigeração do ambiente interno das academias.
Mesmo assim, Flávia acredita que ainda é viável realizar as Olimpíadas de Paris com segurança durante a onda de calor, pois todos os atletas serão muito bem acompanhados por uma equipe multidisciplinar, com modernos equipamentos de monitoramento.
“Se fosse em um momento com temperaturas mais amenas, teríamos menos impactos na termorregulação. Mas obviamente sabemos os impactos da mudança de datas, como aconteceu no período da Covid”, afirma.
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