O universo da saúde física no Brasil hoje conta duas histórias paralelas e contraditórias. Por um lado, o mercado de fitness está a crescer com a proliferação de ginásios e produtos com rótulos saudáveis, juntamente com um aumento notável de pessoas em parques e locais públicos que praticam atividades desportivas. Do outro, dados oficiais que mostram a continuidade do crescimento das taxas de sobrepeso e obesidade entre os brasileiros – tanto em adultos como em crianças e adolescentes.
Segundo levantamento da Ponto Map, agência de análise de dados e inteligência, o mercado de bem-estar no Brasil movimentou US$ 95,5 bilhões (R$ 489 bilhões) em 2022, segundo dados do Global Wellness Institute e do Fundo Monetário Internacional (FMI), sendo o 12º maior do mundo e projetado para atingir US$ 127 bilhões em 2027. Porém, quando analisado em relação ao PIB do Brasil, a projeção de crescimento é praticamente zero (Veja a tabela abaixo).
Segundo especialistas ouvidos pelo Valoré um dos sinais de que o real envolvimento dos brasileiros com a saúde física permanece dentro de uma bolha que, apesar de ter ganhado exposição através das redes sociais, é rompida apenas por períodos temporários.
“Há, de facto, um crescimento significativo neste mercado e na adesão das pessoas ao desporto, mas ainda é uma pequena parte da nossa população que realmente aderiu e consegue ter uma alimentação saudável, por exemplo”, observa o CEO do Ponto Mapa, Giovanna Massulo. “É um mercado com grande potencial de crescimento justamente porque ainda é uma pequena parcela da população que pode aderir.”
A pesquisa Ponto Mapa detectou que nas discussões sobre saúde física nas redes sociais, o estilo de vida fitness é o que mais gera engajamento, observado em 64,7% das manifestações mapeadas, seguido pela alimentação de qualidade (22,3%) e pela prática de esportes (9%). Mas, quando comparada a outros macrotemas que impulsionam os debates, a saúde física atrai apenas 5,39% dos usuários, ficando em oitavo lugar e atrás de assuntos diversos como meio ambiente, manifestações culturais, segurança e religião.
Massulo destaca que, apesar do crescimento significativo do mercado de fitness no país, são vários os motivos que explicam porque a população, em geral, tem mais probabilidade de ter problemas de saúde devido à obesidade do que de usufruir dos benefícios de um estilo de vida. saudável. “Uma delas é a questão da acessibilidade. Os alimentos ultraprocessados têm um custo melhor, enquanto a alimentação natural, com alimentos in natura, tem um custo maior. A maioria das famílias brasileiras acaba optando por alimentos ultraprocessados”, afirma.
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Além disso, destaca a dificuldade da grande maioria das pessoas em incorporar esportes e alimentação saudável à sua rotina. “É complicado quando a pessoa tem que trabalhar, às vezes conciliando com os estudos. Sem falar que nas grandes cidades você perde muito tempo no trânsito.”
Mesmo assim, os dados levantados pelo Ponto Mapa indicam que pelo menos a preocupação com a saúde física, estimulada ou não pela prioridade à estética, envolve todas as gerações de adultos do país, principalmente a chamada geração Y ou millennials, com idade entre 27 e 42 anos.
A endocrinologista e metabologista Thais Mussi reforça que, ainda que influenciadores promovam estilos de vida saudáveis na internet para milhões de seguidores, a realidade coletiva não é alterada porque, não raro, as dietas recomendadas são ineficazes e não correspondem à realidade da imensa maioria dos Brasileiros.
“É tentador seguir as modas precisamente porque as taxas de excesso de peso estão a aumentar. Mas a busca por soluções milagrosas e rápidas não aborda mudanças sustentáveis e torna-se uma sucessão de erros. A pessoa fica acima do peso, de repente começa a consumir coisas que prometem resultados rápidos e fica frustrada. Aí, desistem e no futuro, quando voltarem a se sentir mal, recorrem novamente a outro milagre, e a situação só piora”, alerta.
A endocrinologista, autora do livro recém-lançado “Além da Balança” (Editora Savi), também critica o excesso de produtos industrializados que tentam se adequar ao fitness no mercado. “Cresce o marketing baseado no fitness, baseado em dietas, mas sem realmente promover uma mudança de estilo de vida que leve à transformação. São produtos que não atacam causas como estresse, ansiedade, falta de tempo”, explica. “Gera consumo crescente sem resultados efetivos. É um cachorro perseguindo o próprio rabo.”
Mussi destaca ainda que outro motivo para não ver o estilo de vida fitness propagado nas redes sociais trazer resultados coletivos na vida real é a diferença nas rotinas dos influenciadores e dos influenciados. “Não vale a pena comparar-se com pessoas que conseguem passar quatro horas por dia fazendo atividades físicas se a sua realidade não permite. Não adianta tentar replicar o estilo de vida de pessoas que não condizem com sua rotina”, aconselha.
Na mesma linha, o diretor do serviço de medicina do exercício e do esporte do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), Samir Daher, explica que há quatro elementos conjuntos que precisam ser seguidos para que, coletivamente, os riscos gerados pelo excesso peso na população são atenuados. “Saúde física, saúde mental, hábitos de sono e alimentação”, afirma. “Se um deles estiver muito alterado, há grandes chances de que os outros também estejam.”
Segundo Daher, esses quatro elementos precisam ser equilibrados para a adesão permanente a um estilo de vida saudável. “Percebemos aqui no serviço que muitas pessoas praticam esportes ou mudam a alimentação na hora, mas a manutenção acaba se dissipando. Aproximadamente 35% dos pacientes continuam, mas 65% desistem no meio do caminho”, revela, acrescentando que a falta de compreensão sobre a comunhão entre os quatro elementos é a chave do sucesso.
A busca por soluções milagrosas e rápidas não aborda mudanças sustentáveis e se torna uma sucessão de erros”
— Thais Mussi
O médico critica a falta de políticas públicas que chamem a atenção para o combate ao problema, que vem se agravando continuamente desde o início do século atual. Segundo dados da Vigilância de Fatores de Risco para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, a proporção de adultos no Brasil com sobrepeso ou obesidade saltou de 11,8%, em 2006, para 24,3%, em 2022.
Outro estudo do pesquisador Eduardo Nilson, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), projeta que, com base nas tendências atuais, quase metade dos adultos brasileiros (48%) estarão obesos até 2044, e outros 27% estarão acima do peso – assim, dentro de 20 anos, três quartos dos adultos estarão obesos ou com sobrepeso – a projeção foi apresentada na semana passada no Congresso Internacional sobre Obesidade, em São Paulo.
Caso o cenário se concretize, as consequências mais evidentes serão o aumento de ocorrências como doenças cardiovasculares, diabetes e doenças renais crônicas, por exemplo. Estimativas de especialistas em saúde pública da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) já indicam que, no nível em que avança, o índice de sobrepeso e obesidade no país deverá gerar um custo de aproximadamente US$ 20,1 bilhões (R$ 105). 4 bilhões) para a economia brasileira como um todo, incluindo os custos diretos dos tratamentos para o SUS e a queda de produtividade em decorrência de doenças.
“Temos políticas públicas insuficientes para enfrentar esse problema”, diz Daher, do HSPE. Ele cita o programa Academia da Saúde, lançado pelo governo federal em 2011, como uma boa iniciativa, mas aponta a dificuldade de manutenção do programa e o baixo impacto como falhas. “Precisamos de campanhas educativas permanentes que envolvam mais a população.”
Outra sugestão do médico especialista em medicina esportiva é conectar os hospitais a locais onde os pacientes possam realizar atividades para permitir o acompanhamento dos resultados de perda de peso dos pacientes. “Estamos levando ao governo do Estado uma proposta para credenciar locais do sistema de saúde para encaminhamento de pacientes. Porque diagnosticamos e orientamos o que precisa ser feito, mas não temos acompanhamento para saber se a pessoa está seguindo. É uma dificuldade para o sistema se conectar com o mercado fitness.”
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