O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta terça-feira que a meta de inflação contínua “alinha o Brasil um pouco mais com outros países” e que a autoridade monetária “tem conseguido conduzir um processo de desinflação com baixo custo em termos de atividade reduzida.”
“Quando a inflação está ancorada, custa-nos muito menos combatê-la”, disse, ao participar de audiência pública nas Comissões de Desenvolvimento Econômico e de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados.
Campos Neto faz uma apresentação aos parlamentares sobre o funcionamento do sistema inflacionário no Brasil e a política monetária. “Quando o Banco Central toma uma medida hoje, leva entre 12 e 18 meses para entrar em vigor”, explicou.
Ele destacou que ouve muito que a meta de inflação estabelecida no Brasil é “muito difícil de cumprir”, mas destacou que outros países da América Latina, como Chile, Colômbia e Peru, não conseguiram cumprir a meta mais vezes que o Brasil.
“A meta de 3% não é muito baixa? Não deveria ser maior? É importante ressaltar que quem determina a meta é o governo”, afirmou. “As pessoas vão entender com o tempo que o Banco Central é técnico e trabalha com um horizonte diferente e trabalha para cumprir o mandato que é determinado pelo governo”, disse ela.
Segundo ele, o Brasil foi capaz de ter um crescimento maior do que o esperado, com números trabalhistas “muito bons” e sem que isso tenha um grande impacto nos custos dos serviços “até agora”, mas “estamos começando a ver o que tem pressão “inflacionária”.
“Temos uma inflação que vem convergindo para a meta. Tivemos alguns ciclos ascendentes, mas quando você olha o movimento mais longo, convergindo [para a meta no Brasil]”, disse ele.
Segundo Campos Neto, mais recentemente o custo dos alimentos no país impulsionou a inflação, mas isso também afetou outros países da América Latina. “A inflação implícita começou a subir, mas recentemente parece estar a estabilizar”, disse ele.
Ele afirmou que o Brasil tem uma taxa de juros neutra mais alta que outros países e reconheceu que as taxas de juros no país “são absurdamente altas”.
“Ainda é verdade que os juros no Brasil são absurdamente altos, mas queremos mostrar que ao longo do tempo conseguimos trabalhar com juros mais baixos”, afirmou. “Se olharmos [o período] mais recentemente, de 2019 e 2024, tivemos a menor inflação no período com menor taxa de juros”, disse.
Ele justificou que as taxas de juros no Brasil são altas porque a taxa de recuperação de crédito no país é muito baixa, atrás apenas de países como Turquia e Angola. “Isso se transforma em um spread maior”, comentou. Além disso, ele justificou que as taxas de poupança brasileiras são mais baixas em comparação com outros países e que a relação dívida/PIB é elevada.
Campos Neto afirmou que “não é possível dizer que temos uma taxa de juros exorbitante, apesar da inflação muito baixa” e destacou que as empresas têm sido mais pessimistas em relação à inflação do que o mercado financeiro.
Na audiência pública, Campos Neto também comentou que o mundo está “desinflando” e que a “grande questão é o que vai acontecer nos Estados Unidos”. “Trabalhamos com um cenário de desaceleração nos EUA de forma mais organizada”, disse.
Segundo ele, as declarações dos principais candidatos à presidência dos Estados Unidos, sejam republicanos ou democratas, tratam de uma política fiscal “frouxa” e isso indica que haverá inflação mais elevada nos próximos anos.
“Se tivermos uma desaceleração americana lenta e organizada, não devemos passar por esse movimento de desorganização que o mercado teme”, afirmou.
Segundo ele, “o mundo está desinflando”. “A inflação tem caído quase simultaneamente”, disse ele. “A América Latina começou a ver uma inflação um pouco mais alta, mas quando olhamos é basicamente energia e alimentos”, acrescentou.
Campos Neto afirmou que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal deverá votar nesta quarta-feira a proposta de emenda constitucional (PEC) que garante autonomia orçamentária ao Banco Central. “Acho que a autonomia foi um grande ganho institucional para o país”, afirmou.
Ele também destacou que a inflação elevada leva ao aumento da desigualdade e da pobreza porque as pessoas com mais recursos são mais capazes de se protegerem. “Durante a pandemia, a inflação gerou desigualdade e aumentou a pobreza na Europa, mesmo sendo uma região mais desenvolvida.”
consignado para servidor público
empréstimo pessoal banco pan
simulador emprestimo aposentado caixa
renovação emprestimo consignado
empréstimo com desconto em folha para assalariado
banco itau emprestimo