Indicadores de alta frequência já dão sinais de retomada da atividade em alguns setores da economia gaúcha. Após a tragédia climática que paralisou grande parte da economia do Rio Grande do Sul em maio, alguns voltaram aos níveis anteriores às enchentes, enquanto outros apresentaram danos menores do que os temidos.
Ajudado pelo alto volume de recursos que os governos têm despejado na região para ajudar na reconstrução do Estado, o movimento tem levado alguns economistas a reduzir o viés negativo para o crescimento do PIB do Estado e do país no segundo trimestre e também para 2024.
O Índice de Atividade Diária Itaú Unibanco (Idat-Atividade), que monitora as transações realizadas pelo banco via cartão de crédito ou pix, mostrou contração de 27,9% no volume de operações do setor de serviços em meados de maio, na comparação com o mesmo período do ano anterior. No final de junho, este indicador apresentava um ligeiro aumento de 1,2%.
Para as compras do amplo varejo, o mesmo indicador apontou queda de 16,7% em meados de maio, pior momento das chuvas, mas se recuperou fortemente e encerrou o mês de junho com alta de 20,1%, sempre na comparação anual entre médias móveis de sete dias.
“As enchentes impactaram fortemente a atividade de maio no Rio Grande do Sul. Nosso monitor mostra recuperação, principalmente no setor de bens, que voltou aos níveis pré-cheia”, afirma a economista do Itaú, Julia Gottlieb. O segmento de serviços ainda está um pouco atrás, mas com recuperação firme em junho e também em julho.”
Na abertura do Idat, algumas das recuperações mais intensas foram registradas pelos grupos de material de construção (queda de 19,4% para alta de 27,9%), móveis e eletrodomésticos (-29,3% para 10,9%) e segmentos de escritório, informática e comunicação (-22,7% para 34,1%). Na outra ponta, o segmento que teve maior dificuldade de recuperação foi o alojamento, que ainda apresentava uma queda de 17,8% no final de junho, depois de cair 52,3% em meados de maio.
Outro segmento que se recuperou foi o de Motocicletas e peças, com alta de 51,5% após queda de 36,2% em meados de maio. Os dados divulgados pela Fenabrave nesta segunda-feira, 15, mostram o maior número de licenciamento de veículos nos meses de junho dos últimos dez anos, refletindo parte da queda observada em maio no Estado.
O indicador de alta frequência do Santander, IGet, apontou uma contracção de 11,7% nos serviços prestados às famílias em Junho, na variação interanual, nível próximo do observado em Abril – em Maio, mês das cheias, apontou mesmo para uma queda em casa 40%. No varejo ampliado, passou de -10% em maio para alta de 9,2% em junho.
“Como é um recorte regional da nossa pesquisa, temos um pouco menos de confiança em relação aos números. Ainda assim, mostra que a atividade está a ser retomada, pelo menos parcialmente, em junho, talvez mais forte no retalho do que nos serviços”, afirma Gabriel Couto, economista do Santander.
Nas semanas seguintes à tragédia no Rio Grande do Sul, instituições financeiras e consultorias procuraram modelar qual seria o seu efeito nas perspectivas de atividade em 2024. Com base em estudos que analisaram eventos climáticos semelhantes, como furacões e terremotos, ou mesmo o Paralisação Nos meses iniciais da pandemia de Covid-19, diversas estimativas apontavam para um impacto negativo entre 0,2 e 0,3 pontos percentuais no PIB deste ano.
Olhando para o ritmo de recuperação no Sul, talvez não tenha um impacto tão grande quanto o esperado”
-Julia Gottlieb
No momento, o IBGE ainda divulga os dados setoriais de maio – os de junho só serão conhecidos em agosto. A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) apontou queda de 13% no faturamento das empresas de serviços no Estado. A Pesquisa do Comércio (PMC) apontou alta de 1,8% no varejo restrito e queda de 2,8% no varejo ampliado. A Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) apontou contração de 1,0% no setor em maio frente ao mesmo mês de 2023. Nos cálculos da XP Investimentos, as enchentes no Sul retiraram o equivalente a 1,5 ponto percentual de o crescimento do setor naquele mês.
“Olhando para o ritmo de recuperação no Sul, talvez não tenha um impacto tão grande como o esperado. Nossa projeção oficial para o PIB brasileiro continua em alta de 2,3%”, diz Gottlieb.
O banco chegou a publicar um exercício estimando um choque negativo de até 0,3 pp no PIB. Destes, 0,1 ponto veio da agricultura. O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do IBGE, porém, mostrou que o efeito sobre o setor foi pequeno em magnitude, afirma o economista.
Outro ponto de atenção foi a indústria – o Estado tem participação relevante na fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias, autopeças e produtos alimentícios. Porém, diz Gottlieb, o consumo elétrico industrial se recuperou rapidamente: enquanto em maio, no pior momento, apresentou uma contração de 27% na comparação anual, no final de junho e início de julho já apontava para um aumento de 3%.
O Legacy também chamou a atenção para a melhora no cenário da atividade após a chegada dos primeiros dados do Estado. “A recuperação da atividade econômica gaúcha também tem sido mais rápida que o esperado, principalmente no que diz respeito ao comércio de mercadorias, o que reduz o viés negativo de crescimento no 2º trimestre e, também, no ano. Ao confirmar esta recuperação mais rápida do que o previsto, e considerando o volume significativo de medidas fiscais de apoio ao Rio Grande, pretendemos revisar para cima a nossa projeção do PIB para 2024, atualmente em 2,0%”, escreveu a gestora em sua última carta aos investidores .
Couto, do Santander, é mais cético ao comentar o ritmo da recuperação – o banco projeta contração de 2,6% no PIB do Rio Grande do Sul este ano. “Já se imaginava que o varejo e os serviços teriam uma recuperação mais rápida, por maiores que fossem as perdas, uma vez que têm capacidade de se reorganizar mais rapidamente. Para a indústria, por outro lado, imagina-se um lado mais duradouro, uma potencial destruição da capacidade produtiva que deveria durar. O que seria surpreendente seria a indústria apresentar uma recuperação mais rápida do que pensávamos”, afirma.
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