O climatologista Carlos Nobre alertou que há 14 meses o mundo apresenta uma temperatura média 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais, e que isso está relacionado com a “explosão” de casos de eventos climáticos extremos, como grandes inundações e secas extensas. “Pela primeira vez em 120 mil anos, desde o último período interglacial, a temperatura atingiu 1,5ºC [acima dos níveis pré-industriais]”, afirmou.
Em entrevista coletiva organizada pela empresa francesa de açúcar e bioenergia Tereos, em São Paulo, o cientista disse que ainda não é possível saber se o aumento de 1,5ºC na temperatura é “permanente”. Segundo ele, se no próximo ano a temperatura continuar 1,5ºC mais alta, essa condição poderá ser considerada permanente.
O cientista afirmou que a ciência já sabia que, quando o mundo atingisse uma subida de 1,5ºC, começariam a ocorrer eventos extremos, como calor extremo, secas prolongadas, excesso de chuvas e episódios de incêndios.
Ele lembrou que é possível que a temperatura caia um pouco nos próximos meses com o estabelecimento do fenômeno La Niña, que os institutos meteorológicos prevêem que possa ocorrer entre outubro e novembro.
Porém, Nobre não acredita que esta seja uma boa notícia. “O Oceano Pacífico está muito quente, o Oceano Atlântico bateu recordes de temperatura, o Ártico nunca esteve tão quente”, alertou.
A última previsão dos cientistas era que um aumento de 1,5ºC na temperatura poderia ocorrer entre 2033 e 2035. Diante das projeções, países e empresas vinham adotando metas para neutralizar as emissões de carbono até 2050.
Mas Nobre argumentou que será necessário acelerar esta redução de emissões “muito mais rápido do que [até] 2050”. “Se deixarmos tudo a zero em 2050, o [elevação de] a temperatura ultrapassa os 2ºC e pode chegar aos 2,5ºC”, disse.
Diante do risco iminente, o climatologista destacou que a melhor forma de estabilizar a quantidade de gases de efeito estufa na atmosfera são as plantas. “A maior estabilidade climática do planeta é a fotossíntese das plantas. Historicamente, o equilíbrio tem muito a ver com as plantas”, afirmou.
Segundo ele, se forem restaurados 6 milhões de quilômetros quadrados de vegetação nativa no mundo, a absorção de dióxido de carbono será de 5 bilhões a 6 bilhões de toneladas por ano.
Ele argumentou que a agricultura deveria ser aliada a projetos de restauração de biomas e que os produtores rurais deveriam adotar práticas regenerativas. “A agricultura regenerativa pode realmente reduzir as emissões a zero. Esse é o caminho”, sustentou.
“A agricultura regenerativa mantém a cultura, restaura a vegetação, restaura a biodiversidade e gera um grande número de polinizadores”, disse ele. Além disso, destacou que a agricultura regenerativa “torna os sistemas muito mais resilientes a todos os eventos extremos, que não têm retorno”.
Nobre destacou que a agricultura e a pecuária regenerativas, além de promoverem maior equilíbrio ecológico, também resultam em mais produtividade e rentabilidade. Por isso, ele criticou o ritmo de adoção de práticas regenerativas no campo no Brasil. “O que enfrentamos como desafio no Brasil é muito mais um desafio cultural. O setor não anda rápido”, avaliou.
Ele também defendeu o uso de biocombustíveis e a geração de energia elétrica por meio da queima do bagaço da cana – cujas emissões são neutralizadas com a rebrota da usina no ano seguinte.
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