A América Latina, e especialmente o Brasil, ocupa um papel de destaque no cenário global do mercado de carbono, impulsionando uma nova era de sustentabilidade e inovação climática na região. Com a crescente consciência sobre as alterações climáticas e a necessidade urgente de mitigar as suas consequências, os países latino-americanos uniram-se para discutir medidas proactivas para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e promover a conservação ambiental. Este foi o ponto central do diálogo aberto pela Cúpula Latino-Americana do Clima (LACS) 2024, promovida pela Associação Internacional de Comércio de Emissões (IETA), em parceria com a Asocarbono, no final de junho, na Colômbia.
O evento proporcionou discussões importantes, como os avanços e caminhos de implementação do artigo 6º de Paris, a importância dos créditos de alta integridade, também trouxe as diferentes perspectivas e realidades dos mercados dos países latino-americanos e suas regulamentações, trouxe reflexões sobre o financiamento do clima mudança como forma de impulsionar projetos de soluções baseadas na natureza e na natureza jurídica dos créditos de carbono.
O mercado voluntário de carbono, que permite a comercialização de créditos de carbono entre empresas e países, tem se expandido rapidamente na América Latina, tendo como foco central a conservação e restauração de florestas tropicais, atraindo investimentos significativos para biomas como a Amazônia, tanto de âmbito regional e atores globais. Várias empresas, incluindo empresas de tecnologia e de petróleo e gás, firmaram parcerias com desenvolvedores de projetos para financiar soluções de compensação de carbono na América Latina, principalmente projetos de Soluções Baseadas na Natureza (SbN). Estas iniciativas somam-se às ações que buscam aumentar a ambição climática da região e atingir as diversas metas estabelecidas pelo Acordo de Paris, criando consequentemente um cenário favorável para atração de investimentos voltados ao mercado voluntário de carbono.
O Brasil foi destaque do evento no painel “Sistema Brasileiro de Emissões do Brasil: Últimos Desenvolvimentos e Perspectivas Futuras”, que contou com a participação de Beatriz Soares do MDIC, onde foi discutido o atual processo regulatório, os principais pontos do projeto de lei e como a implementação do projeto contribuirá ainda mais para a redução das emissões de CO2.
No painel do qual participei foi discutida a importância das salvaguardas, dos benefícios e da plena participação das comunidades tradicionais e indígenas para a integridade dos projetos. A Aliança compartilhou sobre o potencial e os desafios dos projetos com comunidades tradicionais e indígenas para soluções baseadas no Brasil e as contribuições que tem feito para o avanço deste tema no Brasil.
O Brasil também esteve presente no painel “Desenvolvimento do Mercado de Carbono: Perspectivas do Sul Global”, no qual a diretora da Aliança, Mariama Vendramini, apresentou as oportunidades e desafios dos projetos de SBN no Brasil e na América Latina. Foram ouvidas diversas perspetivas dos principais intervenientes na ação climática global.
No Brasil, embora a taxa anual de desmatamento tenha atingido a marca de aproximadamente 10 mil km², em 2022, o índice de 2023 mostra uma queda de 62% na destruição em relação ao ano anterior, resultado de políticas públicas eficazes de combate ao desmatamento, coordenadas pelo MMA. Por meio da Política Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (PLANAVEG), o Brasil se comprometeu a restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030 e a reduzir as emissões de CO2 em 43% abaixo dos níveis de 2005 até 2030.
Na Colômbia, o desmatamento, embora em menor escala comparado ao Brasil, ainda é significativo. A perda de floresta primária foi reduzida pela metade em 2023 em comparação com 2022. A Colômbia tem o objetivo de alcançar a neutralidade de carbono até 2050 e restaurar mais de 750 mil hectares até 2026.
O desmatamento no Peru atingiu 203.272 hectares em 2020, principalmente devido à agricultura e mineração ilegais. Para combater este avanço, o país comprometeu-se a reduzir as emissões de CO2 em 30% até 2030 e a restaurar 3,2 milhões de hectares de florestas degradadas.
Estima-se que o desmatamento no México resultou na perda de 7,5% de sua cobertura florestal somente neste século. Como acção concreta a favor do clima, o país comprometeu-se a restaurar 8,5 milhões de hectares de áreas degradadas até 2030 e a reduzir as emissões de CO2 em 22% abaixo dos níveis de 2000 até 2030.
Apesar das suas políticas ambientais progressistas, o A Costa Rica ainda enfrenta desafios de desmatamento, com perdas florestais concentradas em áreas específicas. A meta traçada pelo país é alcançar a neutralidade carbónica até 2050.
Com desmatamento relativamente baixo, mas ainda presente, especialmente nas regiões sul e centro do país, O Chile comprometeu-se a reduzir as emissões de CO2 em 30% até 2030.
Vale ressaltar que parte das ações para mitigar as mudanças climáticas virá de investimentos em soluções baseadas na natureza, que apresentam oportunidades significativas de geração de renda para a América Latina.
De acordo com estimativas do Banco Mundial, os investimentos em O SbN poderá gerar até US$ 100 bilhões em receitas anuais na região até 2030além de criar milhões de empregos verdes.
A restauração dos ecossistemas, por exemplo, pode impulsionar a economia local através da criação de empregos nas zonas rurais e urbanas. Atividades como plantio de árvores, manutenção de áreas restauradas, ecoturismo e manejo florestal sustentável oferecem oportunidades para geração de renda sustentável.
Os países latino-americanos demonstram compromisso com o Acordo de Paris e outras iniciativas climáticas internacionais, alinhando as suas políticas nacionais com os objetivos globais de sustentabilidade. A tendência é que o mercado de carbono e as SBN continuem a crescer, com a região a estabelecer-se como líder em práticas de conservação e inovação climática. A colaboração regional e global será, portanto, essencial para ampliar estas iniciativas e alcançar um impacto duradouro.
O evento terminou no dia 27 de junho, mas este debate continua em Conferência Brasileira de Clima e Carbono que acontecerá nos dias 15 e 16 de outubro de 2024 em São Paulo e reunirá especialistas nacionais e internacionais para discutir três eixos principais: clima, mercado de carbono (regulado e voluntário) e perspectivas da COP 29 rumo à COP 30 em Belém. O evento será uma oportunidade para olhar as perspectivas para o futuro do mercado de carbono e soluções baseadas na natureza no Brasil e refletir sobre os avanços do setor nos próximos meses.
Carla Zorzanelli é coordenador da Brazil NBS Alliance e representou a entidade durante a Cúpula Latino-Americana do Clima (LACS) 2024, na Colômbia.
Carla Zorzanelli é coordenadora da Aliança Brasil NBS — Foto: Arquivo pessoal
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