Em trabalho experimental, uma droga direcionada a um novo alvo no cérebro teve sucesso na recuperação da cognição em animais; descoberta aponta caminho inédito para tratamento Cérebro Milad Fakurian/Unsplash Cientistas brasileiros do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ICB-UFRJ) descobriram uma molécula com potencial para abrir um novo caminho de tratamento para a doença de Alzheimer. Os pesquisadores publicaram recentemente um estudo na revista científica British Journal of Pharmacology (BJP) detalhando resultados positivos de testes em animais. A molécula, chamada LASSBio-1911, pertence a uma classe de substâncias antitumorais, mas recentemente começou a ser descrita como promissora contra doenças neurodegenerativas. Isso porque os pesquisadores observaram que ele atua na proteção dos astrócitos, tipo de célula cerebral que fornece sustentação e nutrição aos neurônios e que tem sido considerada cada vez mais fundamental para o funcionamento do órgão. — Hoje sabemos que os astrócitos são muito importantes em diversos processos cerebrais. E na doença de Alzheimer perde uma série de funções. Nosso trabalho mostra que esse medicamento conseguiu recuperar essa capacidade perdida nos animais. Uma das razões para o fracasso no desenvolvimento de medicamentos hoje para o Alzheimer são os alvos. E a importância do nosso trabalho é identificar os astrócitos como um novo alvo para futuros medicamentos — explica a neurocientista e autora do estudo Flávia Gomes, do Laboratório de Neurobiologia Celular do ICB-UFRJ. Em testes, que envolveram camundongos com modelo de Alzheimer, a molécula melhorou o desempenho comportamental, reverteu a perda cognitiva e recuperou a função sináptica de seus neurônios. O LASSBio-1911 foi desenvolvido na própria UFRJ pelo grupo do professor Carlos Alberto Manssour Fraga, falecido em 8 de maio deste ano, enquanto o novo artigo era submetido para publicação. — Os passos futuros ainda são muito longos até que possamos pensar num medicamento para testar em fase clínica, estamos numa fase pré-clínica. Mas é um resultado animador, vejo esse medicamento como um substrato a ser melhorado ao longo do tempo. O principal é que agora olhamos os astrócitos como alvos, e sua manipulação se torna uma ferramenta para interferir na doença de Alzheimer — diz Gomes. O primeiro autor do trabalho foi o professor Luan Diniz, também professor do ICB-UFRJ, e incluiu pesquisadores de outras unidades da universidade, como o Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho e a Faculdade de Farmácia. A pesquisa recebeu apoio do Ministério da Saúde e da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Os medicamentos para a doença de Alzheimer são limitados e exigem novas alternativas Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença de Alzheimer é responsável por 60% a 70% de todos os casos de demência, um termo genérico que abrange a perda cognitiva. O órgão estima que mais de 55 milhões de pessoas no planeta tenham demência, e aponta que o número deverá crescer e chegar a 139 milhões em 2050. Um dos problemas é a falta de tratamentos eficazes para a doença. Esta semana, a Food and Drug Administration (FDA), agência equivalente à Anvisa nos Estados Unidos, aprovou um novo medicamento para Alzheimer chamado donanemab, da farmacêutica Eli Lilly, que será vendido sob o nome comercial Kisunla. O medicamento é um anticorpo injetável que atua eliminando a concentração da proteína beta-amilóide no cérebro do paciente. O acúmulo de amiloide, assim como da proteína tau, forma placas ao redor dos neurônios e é considerado um dos principais mecanismos da doença de Alzheimer. A forma de atuação do donanemab é semelhante à do lecanemab, medicamento vendido com o nome comercial Leqembi pelas farmacêuticas Biogen e Eisai e que recebeu luz verde nos EUA em 2023. Leqembi foi o primeiro aprovado após quase duas décadas em que houve não havia novos medicamentos para a doença no país norte-americano. Os medicamentos são celebrados por serem pioneiros em realmente conseguirem intervir de alguma forma na manifestação clínica, ou seja, nos sintomas do Alzheimer. Mas eles ainda não interrompem nem revertem a perda cognitiva. O donanemabe, por exemplo, só reduziu a taxa de perda cognitiva em, em média, 35% durante um acompanhamento de um ano e meio – e para isso o paciente precisava ter iniciado o tratamento precocemente, logo no início do Alzheimer. Já o lecanemabe apresentou redução na taxa de menor declínio cognitivo, de apenas 27%. Estas limitações exigem alternativas novas e melhores, dizem os cientistas. Para Gomes, o grande desafio é justamente encontrar outros alvos que funcionem no combate à doença: — Esta doença, como muitas outras doenças neurológicas, tem um grau de complexidade muito elevado e é multifatorial. Ao contrário de outras doenças, onde com um ou dois alvos é possível reverter a situação, não é isso que estamos vendo com o Alzheimer. Portanto, o número limitado de alvos atuais nas drogas torna difícil um maior sucesso. A maioria dos medicamentos examina a placa amilóide. Portanto, um ponto importante é encontrar novos alvos, como os astrócitos. E devido à complexidade da doença, é improvável que um medicamento sozinho consiga fazer tudo. Esse é o desafio.
fazer empréstimo no bolsa família online
como quitar empréstimo consignado
refin o que é
refinanciar emprestimo
empréstimo consignado funcionário público
aposentado emprestimo caixa
empréstimo para militar
empréstimo consignado pan
0