Mudanças recentes em Lei de Zoneamento aprovada pela maioria dos vereadores de São Paulo poderá abrir caminho para negócios imobiliários em um período de Bairro Cidade Jardim (zona oeste) com grande potencial de valorização na periferia de Jóquei Clube de São Paulo.
- Revisão de zoneamento permite mais construções na Faria Lima
Além de facilitar empreendimentos futuros, as mudanças dão à única obra importante em andamento no local – a construção de um condomínio de casas vendidas por valores entre R$ 1,8 milhão e R$ 3,9 milhões – novos argumentos contra uma ação judicial de moradores que tentam para bloquear sua conclusão, avaliar especialistas em legislação urbanística e o responsável pelo projeto.
A obra é apenas uma amostra do que está por vir, dizem moradores contrários ao projeto, que apontam a existência de cerca de 30 lotes cujos proprietários aguardam mudanças nas regras.
Quatorze quarteirões em uma área de 3,5 km² encostados no extremo sul do autódromo, quase todos ocupados por casarões murados bem conservados e em ruas arborizadas, formam o tabuleiro em que se desenrola a disputa entre proprietários de imóveis contrários e a favor das mudanças nas regras de ocupação de terras.
Até abril deste ano, o mapa legal da cidade de São Paulo demarcava quase todo o território como ZER, sigla que determina uso exclusivamente residencial com imóveis de até 10 m de altura. As exceções foram lotes às margens de duas avenidas, Tajuras e Professor Alcebíades Delamare, onde são permitidos comércios sem grande capacidade para receber público. As estradas são zonas corredores, denominadas Zcor. Em dois momentos, porém, a Câmara derrubou essas regras.
Ao revisar a Lei de Zoneamento, em 2023, o Legislativo municipal transformou 12 dos 14 blocos residenciais em uma das zonas da cidade destinadas à construção de grandes edifícios para melhor aproveitamento da infraestrutura urbana. Essa parte do bairro tornou-se Zona Eixo Estruturante da Transformação Metropolitana (ZEM). O prefeito Ricardo Nunes (MDB) vetou a mudança, mas vereadores derrubaram o veto em abril deste ano.
No mês passado, o Conselho revisou as regras de zoneamento. Batizada de “revisão da revisão”, a nova discussão se baseou na justificativa de correção do mapa divulgado pela prefeitura porque alguns quarteirões ficaram em branco – ou seja, sem regras de uso e ocupação.
Ao final do processo, com a votação do projeto no dia 2 de julho, parte das cerca de 40 emendas aprovadas alteraram a lei para permitir a construção de prédios em diferentes áreas da cidade. Um deles foi direcionado ao bairro do Jóquei.
Duas quadras à beira da nova ZEM na Cidade Jardim, que ainda estavam preservadas como ZER e Zcor, foram transformadas em Zona Mista por emenda do vereador Isac Félix (PL) – mas ainda dependem de sanção do prefeito.
As aplicações imediatas desta alteração são o aumento da altura máxima dos edifícios, de 10 m para 28 m, e o fim do uso exclusivamente residencial.
Em ambos os casos, as mudanças têm grande potencial para facilitar a venda de casas às incorporadoras imobiliárias. Comprar terrenos em bairros caros só vale a pena para o setor com a possibilidade de multiplicar o tamanho do terreno por uma área construída muito maior.
Mas há ainda um efeito menos explícito que a alteração pode ter. Dependendo da interpretação dada às normas urbanísticas da cidade e das decisões judiciais sobre o tema, a proposta do vereador coloca um dos principais argumentos dos moradores que tentam frear o avanço do adensamento em bairros residenciais em zona cinzenta: a regra contratual que impõe uso unifamiliar de cada lote.
Essa restrição existe porque as empresas responsáveis por esse tipo de loteamento registraram no contrato que apenas uma família poderia morar em cada imóvel. A imposição tem sido respeitada pela legislação urbanística em áreas exclusivamente residenciais. Para as demais zonas – incluindo Zcor, ZM e ZEM que existem no bairro do Jóquei -, a prefeitura desconsidera a restrição.
É justamente no quarteirão demarcado como Zona Mista na “revisão da revisão” que está em construção a construção do condomínio de casas contestado judicialmente pela Sociedade Amigos da Cidade Jardim alegando descumprimento da restrição de moradia unifamiliar. uso familiar. O empreendimento conta com sete unidades em terreno na esquina da Rua Jaguanambi com Avenida Prof. Alcibíades Delamare.
Considerando apenas o licenciamento da prefeitura, o uso multifamiliar já teria sido permitido antes mesmo das duas alterações da Câmara, já que o lançamento ocorreu em um Zcor, destaca Octávio Moreira, diretor do Eco Imóveisuma das empresas que lideram o projeto.
Moreira, embora defenda que a criação da Zona Mista não afeta diretamente o seu projeto, disse em email à Folha de S.Paulo que a medida enfraquece os argumentos contra a instalação do condomínio.
“A discussão pode ficar mais vazia, já que a última mudança de zoneamento aprovada pelos vereadores amplia o uso com um zoneamento mais permissivo, passando de 10 m de altura para 28 m”, afirma.
A Sociedade Amigos da Cidade Jardim discorda da utilização multifamiliar em qualquer situação que contrarie o contrato da incorporadora, e este é um ponto central da ação judicial contra o condomínio, afirma o presidente da entidade, o advogado Marcelo Gatti Reis Lobo. “A restrição de uso deve ser preservada, independentemente do zoneamento”, afirma.
A sobreposição do contrato ao zoneamento também é defendida pela advogada Renata Esteves, especialista em legislação urbanística do Movimento Defenda São Paulo. Mas ela reforça que as recentes mudanças no zoneamento criam “fatos novos” na discussão e que isso prejudica os defensores dos bairros residenciais.
As descaracterizações de zonas residenciais são argumentos frequentes do setor imobiliário e dos políticos do desenvolvimento para permitir a liberação de outros usos nas ZERs, diz Esteves.
Félix não quis comentar uma possível relação entre a sua alteração e a promoção imobiliária e afirmou que a motivação da proposta é a adaptação às características do entorno, como destacou no texto aprovado.
Em movimento anterior às revisões de zoneamento, a Câmara aprovou no primeiro semestre de 2023 a inclusão da área do Jóquei no rol de parques do Plano Diretor, lei que define a estratégia de crescimento da cidade.
Murado e movimentado apenas nos finais de semana, o Jóquei é considerado responsável pela degradação daquele setor do bairro. A criação do parque e o aumento do potencial construtivo no entorno têm grande potencial para valorizar a área, segundo Marcelo Ignatios, ex-superintendente da SP Urbanismo.
A viabilidade do ZEM na Cidade Jardim, porém, ainda estaria condicionada à criação de um plano de intervenção urbana específico para aquele trecho da cidade, afirma Ignatios.
Para Renata Esteves, da Defenda São Paulo, esse obstáculo pode sair do caminho caso a prefeitura ou a Câmara ressuscitem o plano de intervenção urbana do Jóquei, na gestão João Doria, que foi descontinuado.
consignado para servidor público
empréstimo pessoal banco pan
simulador emprestimo aposentado caixa
renovação emprestimo consignado
empréstimo com desconto em folha para assalariado
banco itau emprestimo