Os fabricantes de chocolate esperam um segundo semestre mais desafiador devido ao aumento dos custos relacionados ao cacau, que enfrenta uma das maiores crises de abastecimento das últimas décadas. Em resposta, o preço do chocolate, que no Brasil já aumentou até 18% entre janeiro do ano passado e maio deste ano, segundo a empresa de pesquisa de mercado Kantar, deverá sofrer novos aumentos.
“Veremos o preço da commodity continuar subindo. E, neste caso, vamos ajustar os preços”, disse Ana Manz, diretora financeira da Nestlé, em teleconferência com analistas. A empresa, que se beneficiou de preços mais favoráveis nos primeiros meses do ano devido às estratégias de hedge, não vê esse cenário se repetindo a partir de agora e espera margens menores no segundo semestre.
Segundo projeções da Organização Internacional do Cacau (ICCO), a demanda global pelo produto deverá superar a oferta em 439 mil toneladas na safra 2023/24 (de outubro de 2023 a setembro de 2024), terceira temporada consecutiva com déficit na produção global .
Como resultado desta crise na oferta global da principal matéria-prima do chocolate, os preços atingiram máximos históricos na Bolsa de Valores de Nova Iorque. Em abril, a tonelada de cacau atingiu pela primeira vez o valor de US$ 11.878. Nos últimos 12 meses encerrados em julho, a valorização da commodity no mercado internacional atingiu 121%, segundo cálculos do Data valor.
Em comunicado, a Nestlé afirma que “está empenhada em adotar ações mitigadoras para ajustar os preços de forma responsável e apenas quando necessário”. A empresa também reforça seu compromisso com a expansão do Plano Nestlé Cacau no Brasil, programa de sustentabilidade do cacau criado em 2009 que reúne mais de 6,5 mil fornecedores em nove estados.
Um dos principais desafios da indústria será equilibrar os aumentos de preços com a manutenção do volume de vendas. A Mondelez, proprietária das marcas Lacta e Oreo, afirma que irá “proteger pontos de preços críticos e limites-chave, ao mesmo tempo que utiliza a gestão de receitas para implementar mais preços em segmentos e ocasiões de consumo menos elásticos”, disse o diretor financeiro, Luca Zaramella, em teleconferência .
“Desenvolvemos alternativas para continuar oferecendo aos consumidores produtos em diversos formatos, seja para consumo individual, em pequenas porções, ou mesmo embalagens promocionais e tamanho família”, afirmou Mondelez, em comunicado. Esta tem sido uma estratégia comum a outras empresas do setor para tentar reduzir as transferências. A empresa afirma que está concentrando seus esforços em “promover iniciativas que impulsionem a produção brasileira e incentivem ainda mais os produtores a terem acesso à pesquisa e às boas práticas agrícolas”.
Apesar do cenário inflacionário, o consumo de chocolate pelos brasileiros não sofreu impacto significativo até o momento. O produto cresceu 15,5% em volume de janeiro a maio deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Kantar. A categoria foi a única a avançar no aumento do consumo na cesta de indulgências, que inclui tabletes, chocolates, caixas/pacotes, salgadinhos, bombons e confeitos.
“Os consumidores e a economia brasileira permanecem resilientes”, disse Dirk Van de Put, CEO da Mondelez, aos analistas. Por outro lado, o executivo destaca que há um aumento gradual das elasticidades no Brasil, o que significa que a demanda do consumidor está cada vez mais sensível às variações de preços e que a manutenção deste cenário não está garantida.
O chocolate concorre com outros produtos nas compras mensais. À medida que os preços sobem, “o consumidor tende a racionalizar mais a sua escolha”, afirma Matheus Macedo, novo gerente de negócios da Kantar.
Para suavizar as transferências, “as empresas terão que pensar em alternativas que utilizem menos cacau”, sugere Macedo. Isso inclui produtos como wafers, que trazem biscoitos com chocolate, bombons ou até salgadinhos de nozes com cobertura de chocolate.
Esta lógica também é válida para a Páscoa de 2025, considerando que o produto mais tradicional da festa, os ovos, são basicamente chocolate e que as compras de cacau para o período serão feitas neste contexto de preços elevados.
Em abril deste ano, por exemplo, as vendas cresceram 15%, impulsionadas principalmente pelas caixas de bombons (45,3%) e pelas barras (22,5%), segundo a Kantar. Os ovos, por sua vez, representaram apenas 12,6% do volume do mercado. “O grande ponto de atenção é equilibrar a cesta de indulgências dentro dessa elasticidade de preços”, diz Macedo.
Essa estratégia torna-se ainda mais relevante considerando que a situação do abastecimento de cacau no Brasil é crítica, segundo produtores e consultores de mercado, que afirmam não haver matéria-prima suficiente para abastecer as indústrias.
O setor reconhece a dificuldade de encontrar matéria-prima no mercado, mas isso ainda não é um impedimento para a operação de grandes processadores de cacau no país, como Cargill e Barry Callebout, por exemplo. É o que afirma Anna Paula Losi, presidente executiva da Associação Nacional das Indústrias de Processamento de Cacau (AIPC).
“Até o momento nenhuma empresa [associada à AIPC] relatou falta de produto e pode parar [as operações]. Isso ainda não existe. Não estou dizendo que não há risco, mas a escassez de cacau continuará assombrando o setor até que tenhamos volumes mais tranquilos na colheita”, afirma Losi.
Dados da associação mostram que no primeiro semestre de 2024 houve uma quebra de 37,4% no volume de grãos nacionais recebidos pela indústria de transformação de cacau. Foram recebidas 58,3 mil toneladas no período, ante 93,3 mil toneladas nos primeiros seis meses de 2023.
“Tivemos queda no recebimento por falta de produto. Para o segundo semestre, o número também poderá ser negativo pela expectativa de queda da demanda nos próximos meses, já que o déficit se reflete em preços mais elevados nos mercados externo e interno”, detalha.
Ela lembra que a produção brasileira foi prejudicada pelas perdas na colheita antecipada do cacau, geralmente colhido entre abril e agosto. O clima adverso e a presença de pragas, principalmente nas lavouras baianas, prejudicaram o potencial produtivo da fruta.
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