A possibilidade de mpox tornar-se um pandemia é baixo, se os países tomarem as medidas necessárias para conter o surto, segundo especialistas consultados pelo Valor. O facto de a doença ser transmitida principalmente através do contacto directo entre pessoas infectadas significa que a mpox tem um taxa de transmissão inferior ao COVID-19por exemplo.
Hans Kluge, diretor regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Europa, disse em entrevista coletiva nesta terça-feira (20) que a nova emergência internacional de mpox, decretado pelo órgão no dia 14, não é comparável à crise sanitária provocada pela covid-19, também classificada entre 2020 e 2023.
“O MPox não é o novo covid, independentemente de ser o clado I, que está por trás do surto na África Central, ou o clado II, responsável pelo surto de 2022. Portanto, optaremos por implementar sistemas para controlar e eliminar o vírus. mpox globalmente? Ou entraremos em outro ciclo de pânico e negligência?”, disse o diretor da OMS.
O Valor questionou a OMS sobre a possibilidade do surto de mpox se tornar uma pandemia, mas não obteve resposta. O espaço permanece aberto.
Doutora Mayara Secco, pesquisadora e infectologista do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz)destaca que classificar a doença como emergência internacional é importante, pois permite uma resposta coordenada em nível global, com “direcionamento igual de tecnologias e recursos”.
Mayara acrescenta que estudos relacionados com o surto de mpox em 2022 indicam que a transmissão do vírus é sustentada, sobretudo, a partir de “redes sociais densas” e “altamente interligadas” para alcançar uma transmissão sustentada.
“Além disso, diversas medidas de saúde pública, incluindo a vacinação das populações mais afetadas, o reforço da monitorização e controlo dos surtos, com identificação precoce e acompanhamento das pessoas com mpox e dos seus contactos, podem ter um impacto importante no controlo da mpox”, disse. disse. .
Segundo o infectologista, desde setembro de 2023 se registra um ressurgimento do número de casos, com pico entre dezembro de 2023 e janeiro de 2024, com queda nos meses subsequentes.
Em 2024, a Fiocruz notificou 120 pessoas com diagnóstico confirmado de mpox. Em todo o Brasil, 709 pessoas foram cadastradas com a doença. Os dados indicam ainda que, nos últimos meses, houve um aumento no número de casos, principalmente em São Paulo, mas ainda em magnitude menor do que a observada em 2022.
Taxa de mortalidade por varíola
De acordo com o Ministério da Saúdeo mpox tem taxa de mortalidade em áreas endêmicas variando de 0 a 11%, e em países não endêmicos (como o Brasil), a taxa de mortalidade é de 0,022%.
Na maioria dos casos, os sintomas de mpox – erupções cutâneas ou lesões cutâneas, gânglios linfáticos inchados, febre, dores no corpo, dor de cabeça, calafrios e fraqueza – desaparecer em algumas semanas.
Contudo, em algumas pessoas, especialmente imunocomprometidos, crianças e gestantes, sinais e sintomas podem levar a complicações e até à morte.
Mayara alerta que existem diversas medidas individuais e coletivas que podem ser adotadas para proteção contra o mpox, incluindo higiene adequada das mãos e medidas sanitárias mais amplas, como garantir que as pessoas diagnosticadas com mpox tenham condições materiais para se isolarem em casa.
Além disso, o uso de máscaras pode ser recomendado em situações de contato próximo com uma pessoa com mpox. “Embora o isolamento não seja tão generalizado como na pandemia de Covid-19, a conscientização e os cuidados individuais são essenciais”, afirmou o infectologista.
O que se sabe sobre mpox
A OMS declarou nesta quarta-feira (14) que o aumento de casos de mpox em todo o mundo constitui um emergência de saúde pública global. Esta é a segunda vez que a doença recebe esta classificação, sendo que a primeira vez aconteceu em 2022 e terminou em março de 2023.
Mais de 17 mil casos suspeitos e 517 mortes causadas pela doença foram registados este ano no continente africano, um aumento de 160% face ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Centro Africano para Controle e Prevenção de Doenças.
O surto de 2022 foi causado por uma cepa diferente da observada neste ano. A primeira emergência global de saúde pública originou-se do clade IIb, que se espalhou principalmente através do contato sexual.
O surto deste ano foi causado pelo clado Ib, que é mais facilmente transmitido através de contato próximo, como contato pele a pele, boca a boca ou boca a pele ou estar cara a cara com alguém que tenha mpox.
Também é possível que o vírus sobreviva por algum tempo em roupas, roupas de cama, toalhas, objetos e superfícies que tenham sido tocadas por uma pessoa com MPox. O novo clado ainda não foi identificado no Brasil.
Causada por Ortopoxvírus, mpox foi detectado pela primeira vez em humanos em 1970, em República Democrática do Congo. A doença é considerada endémica em países da África Central e Ocidental.
Vacina e tratamento Mpox
A vacina mpox é aplicada no Brasil desde 2023, mas apenas em casos excepcionais para grupos muito vulneráveis e para pessoas que tiveram contato com outras pessoas infectadas.
Isso acontece porque o número de vacinas atualmente é insuficiente para atender um público maior. Esse cenário não é exclusivo do Brasil.
Nísia Trindade, Ministra da Saúdedisse que não haverá vacinação em larga escala contra mpox. “No Brasil, vacinamos com licença especial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em casos muito excepcionais, para grupos muito vulneráveis, pessoas que tiveram contacto com outras pessoas doentes. Portanto, a vacinação nunca será uma estratégia de massa para a Mpox.”
Segundo o Ministério da Saúde, a estratégia de imunização do país “prioriza a proteção das pessoas com maior risco de desenvolver formas graves da doença”. A vacina é administrada em duas situações: pré e pós-exposição ao vírus.
- Pré-exposição — pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA): homens cisgêneros, travestis e mulheres transexuais; com 18 anos ou mais; e com estado imunológico identificado por contagem de linfócitos T CD4 inferior a 200 células nos últimos seis meses; profissionais de laboratório que trabalham diretamente com Orthopoxvirus em laboratórios que trabalham diretamente com Orthopoxvirus em laboratórios com nível de biossegurança 2 (NB-2), de 18 a 49 anos;
- Pós-exposição: pessoas que tiveram contato direto com fluidos e secreções corporais de pessoas suspeitas, prováveis ou confirmadas de mpox, cuja exposição é classificada como de alto ou médio risco, de acordo com as recomendações da OMS e com base na avaliação da vigilância local.
*Estagiário sob supervisão de Diogo Max
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