A situação indígena no Brasil não melhorou no primeiro ano do governo Lula. Foram registradas 1.040 mortes de crianças indígenas entre 0 e 4 anos em 2023 em todo o país. O número chocante é o mais alto em 20 anos de registros anuais.
A informação é do relatório “Violência contra os Povos Indígenas no Brasil”, com dados de 2023 e elaborado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Com 252 páginas, possui três capítulos centrais: tratando dos casos de violência contra o patrimônio, violência contra pessoas e violência causada pela omissão do poder público.
A maioria das mortes infantis ocorreu no Amazonas (295), Roraima (179) e Mato Grosso (124). As principais causas foram gripe e pneumonia, diarreia, gastroenterite, doenças infecciosas intestinais e desnutrição. Além disso, ocorreram 180 suicídios, a maioria deles de jovens. O Amazonas é novamente o estado campeão (66), seguido por Mato Grosso do Sul (37) e Roraima (19).
Diferentemente do governo Bolsonaro que ganhou fama por suas políticas antiindígenas, não é o Executivo que desempenha esse papel agora, mas sim o Congresso Nacional. A consequência é mais violência nos territórios, atrasos ou retrocessos nas demarcações, graves lacunas na educação e falta de cuidados de saúde.
“O momento que atravessamos é extremamente difícil”, disse o cardeal Leonardo Ulrich Steiner, presidente do Cimi e arcebispo de Manaus, no lançamento do relatório. “O Congresso Nacional perdeu o horizonte da ética e da moral. É a justiça que torna a lei e o direito possíveis. E a Justiça não condiz com as leis que estão sendo criadas no Congresso Nacional”, continuou. O cardeal prometeu entregar uma cópia ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luís Roberto Barroso, e outra ao Papa Francisco, em outubro, “como testemunho de um serviço que a Igreja presta no Brasil”.
Coordenadora do relatório, a professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e pesquisadora Lucia Helena Rangel afirma que a situação hoje no Brasil é “muito complicada e faz com que a violência contra os povos indígenas só aumente. Nunca diminui.” Ela diz ainda que basta o Congresso aprovar uma lei ou aprovar, em comissão, uma resolução que afete os territórios indígenas, para que a violência ocorra.
O relatório lista 150 casos de conflitos por direitos territoriais e 850 casos de omissão e atraso na regularização fundiária. O Amazonas, novamente, ocupa o primeiro lugar na lista de violência contra o patrimônio indígena, com 280 casos, seguido por Mato Grosso do Sul (190) e Mato Grosso (112).
Em 2023, foram registrados 411 casos de violência contra indígenas no Brasil, incluindo 208 assassinatos, 17 homicídios culposos, 35 tentativas de homicídio e 23 casos de violência sexual. A maior parte da violência causada pela omissão do Estado envolveu a saúde.
O missionário do Cimi Roberto Antonio Liebgott, coorganizador do relatório, coletou dados de uma análise do orçamento da União para a questão indígena. “Apesar de o orçamento de 2023 ter sido herdado do governo anterior e, portanto, ser pequeno, houve uma execução orçamental muito abaixo do necessário”, disse. “Houve um crédito adicional extraordinário que obrigou o governo a atuar em diversas frentes da política indigenista”, explicou.
Mas dos R$ 151 milhões liberados pelo governo em crédito extraordinário, apenas 23% do valor foi gasto na desintrusão de áreas indígenas. Nas despesas com demarcação de terras foram disponibilizados mais de R$ 20 milhões e gastos R$ 13 milhões; para fiscalização e proteção de terras indígenas foram disponibilizados R$ 14 milhões e gastos R$ 11 milhões. “Ou seja, mesmo com os poucos recursos que o governo tinha, desse pouco gastou muito pouco”, observou Liebgott.
consignado para servidor público
empréstimo pessoal banco pan
simulador emprestimo aposentado caixa
renovação emprestimo consignado
empréstimo com desconto em folha para assalariado
banco itau emprestimo