Ainda altamente dependente de bons resultados da produção agrícola, A economia brasileira está ameaçada pelo potencial devastador das mudanças climáticasfator muitas vezes subestimado pelos tomadores de decisão públicos por razões ideológicas, e até mesmo pelos setores do próprio agronegócio em busca de produtividade intensiva no curto prazo e lucro imediato.
O facto é que se não forem adoptadas medidas eficazes, este processo multidimensional caracterizado por mudanças globais de temperatura, ciclos hidrológicos e recursos hídricos já será sentido a partir de 2050segundo especialistas, na forma de sucessivas perdas produtivas e econômicas na agricultura, com consequências para a segurança alimentar dos brasileiros.
Embora as mudanças climáticas sejam um processo natural na Terra, a ação humana nas últimas décadas vem provocando sucessivos recordes de altas temperaturas, principalmente devido à emissão desenfreada de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera do nosso planeta. Um relatório de 2018 do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) revela que 95% das alterações climáticas são causadas por emissões de GEE.
Como as mudanças climáticas já impactam o Brasil?
No relatório Riscos Globais 2021, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial com governos, empresas e atores sociais, Há a percepção de que esses efeitos já são perceptíveis na agricultura brasileira. Além do risco de perdermos a posição de um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, nosso pacote de tecnologias avançadas de produção agrícola e a organização das cadeias produtivas estão parcialmente ameaçados.
Em recente entrevista à Rádio USP, o professor Carlos Eduardo Cerri, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, de Piracicaba, explica que o impacto na produção de alimentos fica evidente a partir do plantio de sementes. Para o agrônomo, a atual imprevisibilidade climática impede que os agricultores continuem a contar com técnicas consolidadas e cientificamente ajustadas aos padrões climáticos.
O que se tem visto nos últimos anos é que o caos causado eventos climáticos extremos, como geadas, secas e inundações, causaram uma degradação preocupante do solo, que impõe aos agricultores uma estratégia complicada para redesenhar as plantações. Como resultado, as áreas tradicionais de cultivo agrícola estão a ser abandonadas, em detrimento de outras que requerem novas abordagens e tecnologias para se tornarem produtivas.
Das secas e enchentes à agricultura familiar em risco

De acordo com o relatório “Impactos climáticos na segurança alimentar e nutricional” do Programa Mundial de Alimentação, o cenário de chuvas intensas, inundações, secas e ondas de calor têm impacto especial na agricultura familiar, setor que representa 77% de todos os estabelecimentos agropecuários do Brasil, segundo a Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares).
Um estudo de 2020, que utilizou modelos de equilíbrio geral computáveis, avaliou os impactos das alterações climáticas na produtividade agrícola dos agricultores familiares e empregadores. Para o autor, Tárik Tanure, “a produtividade agrícola dos agricultores familiares é mais sensível às mudanças climáticas”, pois a mandioca, o milho e o feijão, típicos desta modalidade, seriam os mais afetados pela perda de produtividade.
Isto significa que, ao afectar negativamente as culturas de subsistência, as alterações climáticas provocam um agravamento notável da segurança alimentar dos próprios agricultores familiares. As consequências vão, segundo o estudo, desde perda de renda e desvalorização de terras, pressão por migração inter-regional, inclusive para grandes metrópoles.
A contribuição letal dos incêndios

Socialmente trágicos e ecologicamente irreversíveis, os eventos climáticos continuam a castigar o Brasil de norte a sul. No final de abril, enchentes recordes no Rio Grande do Sul foram um duro golpe para a agricultura gaúcha, com 50 mil agricultores afetados, queda na soja de três milhões de toneladas, além da morte de mais de um milhão de aves nas águas. .
Como se isso não bastasse, agora os incêndios estão impactando diretamente a economia brasileiracom centenas de milhares de hectares devastados pelo fogo. Muitas dessas ocorrências são causadas naturalmente pela seca, mas a maioria delas tem sido atribuída a ações criminosas em São Paulo e no Pantanal.
Em análise recente, feita pela organização Oxfam Brasil para a IstoÉ Dinheiro, foram estimadas perdas entre 0,6 e 0,8 pontos percentuais do PIB este ano. Os efeitos imediatos incluem um aumento nos produtos da cesta básica, enquanto, no médio prazo, são esperados mais gastos em saúde pública e transferências emergenciais de renda para construção de moradias.
No longo prazo, os custos ultrapassam fronteiras e podem ser resumidos no “grande filtro”, hipótese científica segundo a qual em algum momento do desenvolvimento de uma civilização pode haver um impacto na sobrevivência da espécie, com consequências imensuráveis e imprevisíveis.
Fique por dentro dos impactos da crise climática no nosso país e no mundo aqui no TecMundo. Se desejar, você também pode descobrir como, o que é crédito de carbono e como o Brasil pode liderar esse mercado.
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