Após corte dos cabos, representantes de prestadores ligados a grupos criminosos passam a oferecer o serviço alternativo; as operadoras ameaçaram os técnicos e não os enviam mais aos locais. Uma prática que nasceu em áreas controladas pelo crime organizado está se espalhando por bairros formais e com perfis diversos. Criminosos estão cortando cabos de transmissão de sinais de internet, telefone e TV a cabo para forçar a contratação de serviços clandestinos. Ontem, moradores de Olaria e Guadalupe, na Zona Norte do Rio, e de São Francisco, em Niterói, na Região Metropolitana, relataram estar sem ligação. Governador destitui Marcus Amim do cargo de chefe da Polícia Civil; Felipe Curi será o novo secretário Saiba mais: Bandidos trocam tiros com policiais no centro do Rio após roubarem vans do governo do estado Não se trata de uma onda de roubos de cabos. Segundo moradores dessas localidades, após o corte, representantes de prestadores ligados a grupos criminosos estão oferecendo o serviço alternativo. Em Olaria, por exemplo, o corte teria sido ordenado por uma milícia. O problema atingiu ontem quem mora em um conjunto habitacional próximo à Avenida Darcy Bittencourt Costa. Segundo apurou o Bom Dia Rio, da TV Globo, até o 16º BPM (Olaria), que fica a menos de 250 metros, perdeu sinal de internet por um período. Técnicos ameaçados Mesmo quem tem serviço formal contratado não conseguiu restabelecer o sinal porque as operadoras não enviam mais seus técnicos para determinadas áreas. Esses funcionários responsáveis pela manutenção teriam sido ameaçados e proibidos de realizar reparos por criminosos. — Estão retirando tudo que está cabeado e instalando seu “gatonet” (sinais clandestinos de internet e TV a cabo), cobrando R$ 100 para instalar. Reclamei cinco vezes com a operadora, mas dizem que é um problema de segurança pública e nada é resolvido. Não gosto de coisas erradas e preferi ficar sem internet. Eu não queria aceitar o “gatonet”. Faz cinco dias que não tenho internet em casa”, disse um aposentado. Moradores vizinhos ao 16º BPM (Olaria) afirmam que as linhas formais da operadora foram cortadas pela milícia. PM diz que perda de conexão no batalhão foi causada por problema técnico Agência O Globo/Fabiano Rocha Ele não é o único a reclamar no bairro. Um morador, que pediu para não ser identificado, confirmou o problema. — Não tenho telefone nem internet. A rua inteira é assim. Essa situação já dura uma semana — disse ela. Em outro ponto da cidade, em Guadalupe, moradores da Favela Palmeirinha, da comunidade Melhoral e de ruas nos fundos de um shopping sofrem com cobranças feitas por traficantes de drogas, que também retiraram o cabeamento das operadoras regulares. — O serviço da Claro desapareceu e não foi restabelecido porque o tráfego cortou o cabeamento de internet da entrada do bairro até o interior. Cada vez que a operadora mandava um técnico, eles (traficantes) diziam que ele morreria se voltasse. Estamos há mais de um mês sem internet. Estão oferecendo outras internet aqui por preços que variam de R$ 100 a R$ 160 — disse um morador. Em São Francisco, bairro de classe média de Niterói, um morador abordado pela equipe do GLOBO responde em voz baixa, enquanto olha ao redor da rua deserta. Ela disse que está há meses sem internet e que depende do serviço antidrogas para se conectar. — Você só tem internet se for deles. Custa R$ 180 a instalação e R$ 120 por mês. A Claro foi a primeira a desaparecer daqui. Vivo, a gente conseguiu até um mês atrás. Hoje em dia é a mesma coisa, se você colocar a Vivo aqui um dia, no dia seguinte eles quebram os cabos. Em todos os postes você verá cabos cortados. É tudo deles. Agora quando você liga para a Vivo, eles falam que é área de risco. Tem muita gente que conheço que mora na favela e não contrata traficantes de internet. Não querem dar dinheiro para comprar uma bala que vai te matar amanhã — diz o morador. A fala é corroborada por outro vizinho, que também pediu para não ser identificado: — Aqui não pode entrar. Ninguém pode usar a outra internet, só a da boca do tabaco. Mais de 90% dos bares e estabelecimentos daqui precisam de internet e acabam contratando os seus — disse ela. Casos sob investigação Procurada, a Polícia Civil disse que a 31ª DP (Ricardo de Albuquerque) recebeu denúncias de casos semelhantes ocorridos em Guadalupe e que busca informações junto às operadoras de internet para identificar os responsáveis. Sobre as ocorrências em Olaria, a 22ª DP (Penha) informou que recebeu denúncias feitas por prestadores de serviço e que as investigações estão em andamento. A 79ª DP (Jurujuba), responsável pelo bairro São Francisco, afirmou que não foram recebidas denúncias sobre esses fatos, mas está investigando a atuação dos criminosos na região. Procurada, a Polícia Militar observou que houve oscilação de internet apenas um dia da semana passada no 16º BPM (Olaria) e que o problema foi resolvido na mesma data. Segundo a corporação, não há indícios de ato criminoso, mas sim de falha técnica. Sobre o relato dos moradores, ele acrescentou que o comando do 16º BPM está trabalhando em conjunto com a delegacia da região para identificar e prender os envolvidos. O Conexis, sindicato responsável pelos operadores de telecomunicações, anunciou em comunicado que “o furto, o furto, o vandalismo e a recepção de cabos e equipamentos causam danos directos a milhões de consumidores todos os anos, que ficam sem acesso a serviços de utilidade pública como polícia, bombeiros e emergências médicas”. A entidade referiu que ainda existe “bloqueio de acesso às equipas prestadoras de serviço para manutenção dos seus equipamentos”. O setor, diz o texto, “defende uma ação coordenada de segurança pública” para combater essas ações criminosas”.
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