Parentes dizem que a falta de um banco de dados integrado entre polícia, hospitais e IML dificulta as buscas. Aumentam os registros de desaparecidos no RJ, com 16 por dia, e famílias relatam dificuldades para obter informações Em 2024, 2.533 famílias registraram o desaparecimento de um parente em delegacias do estado do Rio. Em média, foram 16 casos por dia. Os dados são do último levantamento do Instituto de Segurança Pública (ISP). E esses números crescem ano a ano. A falta de um banco de dados integrado entre polícia, hospitais e IML dificulta as buscas. “É a mesma história, só muda a idade, só muda a cor, o bairro, mas as histórias são sempre as mesmas: mau atendimento na delegacia, abandono do poder público e assim por diante”, diz a presidente da ONG Mães Virtuosas do Brasil, Luciene Pimenta Torres. Luciene procura a filha há 14 anos. Luciane tinha 8 anos quando desapareceu em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A ida da menina à padaria, numa manhã de domingo, não teve mais volta. “O delegado me disse para procurar pistas e levar para ele na delegacia. Então, aí eu vi que era um descaso.” O caso acabou arquivado. Luciene Pimenta Torres procura a filha há 14 anos Reprodução/TV Globo “Muitos policiais ainda têm essa visão de que desaparecimento não é trabalho policial. Então, é uma questão de família, é uma questão de assistência social, isso impacta muito no cuidado que essa família vai receber”, afirma Paula Napoleão, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania. Desaparecimento não é crime, é considerado uma situação atípica. fato. E é por isso que muitas vezes passa despercebido nas delegacias, segundo as famílias “Ah, sua filha tem namorado ou estava mal, ela está em má companhia e eles não se importaram, sabe, com esse desaparecimento. Já é mais violência para aquela pessoa que já está sofrendo”, diz Paula. Famílias se unem em busca de desaparecidos no RJ Reprodução/TV Globo Programa busca por desaparecidos Na tentativa de criar um banco de dados mais completo sobre desaparecidos no estado, o MPRJ foi pioneiro no país: lançou o Programa de Localização e Identificação do Programa de Pessoas Desaparecidas em 2012 (Plid). A plataforma conta atualmente com 36 mil casos —24 mil continuam sendo monitorados pelo programa em busca de uma solução definitiva. “Temos a possibilidade de verificar por meio de entrevistas com familiares que indicam que em cerca de 43% dos casos em que a localização foi bem sucedida houve atuação efetiva do Plid para que a localização acontecesse”, explica a promotora Roberta Rosa Ribeiro. Plid não é apenas um banco de dados. O esforço é articular uma rede de instituições comprometidas com a detecção de casos suspeitos de desaparecimento. Essa rede inclui hospitais, IML, instituições de assistência social. A ideia não é depender apenas de registros e investigações policiais para localizar essas pessoas. A importância desta rede se traduz em números. Desde 2020, 11% das pessoas desaparecidas no estado do Rio foram localizadas por hospitais. Cada caso de suspeita de desaparecimento inserido no sistema Plid é verificado. Mas essa articulação ainda precisa ser ampliada. Hoje o programa nem está integrado ao sistema da Polícia Civil. “Precisamos do envolvimento das autoridades para usar esse cadastro, usar essa plataforma. Muitos desses locais estão em hospitais e em muitos hospitais públicos. Então, trabalhar a responsabilidade pelo enfrentamento e resolução desse problema é algo que o Ministério Público entende ser essencial”, afirma o procurador. Na ausência de uma política pública voltada para a localização de pessoas desaparecidas, a família deposita toda a esperança na polícia. Mas apenas 10% dos registros viraram inquéritos, segundo a Polícia Civil. A primeira Delegacia de Localização da capital (DDPA) foi criada em 2014. Até o momento, é a única delegacia especializada do estado. Foi onde Vânia Pena denunciou o desaparecimento do filho, de 46 anos. Fábio foi visto pela última vez há 1 ano e meio, após sair de um restaurante em Lins, na Zona Norte. Mas mesmo na delegacia especializada o atendimento não foi o que a mãe esperava. “Ele disse que tinha muitos casos pela frente, que demoraria para investigar. Filho de um homem pobre, certo? Pessoas desaparecidas no RJ Reprodução/TV Globo De janeiro de 2023 a abril de 2024, entre as cinco delegacias com maior número de registros de desaparecimentos no estado, quatro estão fora da capital. Eles estão localizados na Baixada, onde não há delegacias especializadas. As investigações são de responsabilidade das Delegacias de Homicídios. Qualquer coisa que atrase o início da busca faz diferença na localização de uma pessoa desaparecida. Uma lei de 2005 determina que as revistas de menores comecem imediatamente após a notificação às autoridades competentes. Mas não houve pressa da polícia, quando Flávia Cristina Nunes Barcelos se dirigiu à delegacia, a especializada, para registrar o desaparecimento da filha de 3 anos. “Por incrível que pareça, fui ao DDPA e disseram que eu teria que esperar 24 horas para registrar boletim de ocorrência. E realmente, quando estamos nervosos, não lembramos que isso não existe, que a busca é imediata, mas infelizmente isso ainda não acontece.” Essas mulheres esperam encontrar seus filhos. Mas além de respostas, essas famílias precisam de apoio psicológico. “O que identificamos foi justamente que essas mães, na verdade, viraram investigadoras. Eles estão em uma busca incessante por aquele filho, por aquela pessoa que desapareceu e nesse caminho precisam largar o emprego, muitas vezes precisam descuidar do cuidado de si, da sua família. Então, essa mãe precisa de uma política pública que a ajude a lidar com esse fenômeno, para lidar com esse momento de sofrimento”, afirma Paula. O que diz a Polícia Civil Em nota, a Polícia Civil informou que todos os casos registrados são investigados e que, em média, 10% foram consultados. A polícia disse ainda que 95% dos desaparecidos na Região Metropolitana do Rio em 2024 foram encontrados. Segundo a polícia, o Portal Pessoas Desaparecidas contém informações sobre pessoas que não foram localizadas.
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