Especialistas ouvidos pelo g1 acreditam que o contingenciamento de R$ 15 bilhões formalizado na segunda-feira (22) não será suficiente para encerrar o ano dentro do limite da meta das contas públicas. Lula e Haddad durante lançamento do Plano Safra 2024/2025 da Agricultura Familiar, na feira do dia 3 de julho de 2024 (22). O valor é o limite da meta das contas públicas, prevista no marco fiscal —a regra de gastos aprovada em 2023. Para poder cumprir a regra, a gestão do presidente Lula (PT) formalizou uma medida anunciada na semana passada pelo Ministro da Fazenda, Fernando Haddad: o congelamento de R$ 15 bilhões no Orçamento. O aperto nas contas foi bem recebido pelo mercado, mas não o suficiente para acalmar os ânimos em relação às contas públicas. Especialistas ouvidos pelo g1 acreditam que o valor congelado não é suficiente, o que exigirá novos cortes do governo até o final do ano. (entenda mais abaixo) O movimento do governo em direção ao controle de gastos ocorre na esteira de semanas turbulentas para a equipe econômica de Lula, que viu o dólar disparar no último mês a cada uma das declarações do presidente relacionadas à política fiscal. A interpretação do mercado foi que o governo não se comprometeria com o controle das contas. A situação também ajudou a empurrar o real para o grupo das cinco moedas que mais perderam valor frente ao dólar em 2024. VEJA AQUI A CRONOLOGIA DA ALTA DO DÓLAR Apesar do avanço do dólar ocorrer em nível global — devido a fatores como a alta taxa de juros nos Estados Unidos e a corrida eleitoral norte-americana —, no caso do Brasil, a forte piora do real é reflexo, em particular, da preocupação do mercado com o compromisso fiscal do governo. A lógica é a seguinte: se os gastos do governo ficarem fora de controlo, os investidores começarão a duvidar da capacidade do país de honrar as suas dívidas. Como resultado, os investimentos diminuem e menos dinheiro entra no país. Portanto, as contas descontroladas assustam os investidores, que dão preferência a investimentos mais seguros — como os títulos públicos norte-americanos. Na prática, o resultado é a fuga de dólares do Brasil para o exterior, o que torna a moeda mais escassa por aqui —e, portanto, mais cara. Governo formaliza corte orçamentário e divulga pior estimativa para as contas públicas Projeção para o dólar As consequências do congelamento do Orçamento foram positivas para os mercados nesta segunda-feira: o dólar caiu 0,61%, cotado a R$ 5,5695, de olho na corrida eleitoral em nos EUA e, principalmente, nos dados fiscais do governo brasileiro. O Ibovespa subiu. A expectativa do mercado, porém, é que o dólar não retorne tão cedo a patamares próximos a R$ 5, valor no qual se manteve durante grande parte de 2023. “O congelamento de gastos já havia sido absorvido positivamente durante a semana do ano passado. não gerará impacto suficiente para que o dólar volte aos níveis do ano passado, a menos que haja uma mudança no cenário internacional”, afirma o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini. Segundo o economista, mesmo que os juros caiam nos Estados Unidos — o que ajuda a fortalecer o câmbio real frente ao dólar —, é necessária uma medida “mais consistente” do governo brasileiro em relação aos gastos públicos para que o real se valorize mais significativamente. . No boletim Focus desta semana, relatório do Banco Central que ouve mais de 100 instituições financeiras, os economistas também elevaram a projeção da taxa de câmbio do dólar no final de 2024 para R$ 5,30. No início do ano era esperado algo abaixo de R$ 5. Novo corte no horizonte Para Agostini, o ideal seria uma contingência bem maior, de R$ 62 bilhões, para atingir o déficit (despesas que superam as receitas) de R$ 28,8 bilhões em 2024 —limite da meta das contas públicas. “Mas o governo não vai fazer isso. Historicamente, os governos congelam, em média, R$ 25 a R$ 35 bilhões”, afirma. “Então, o governo está apostando muito em receitas extraordinárias, como pentes finos para programas sociais. Isso pode dar um impulso, mas não chega nem perto dos R$ 62 bilhões”. “Depois desse período mais crítico das eleições municipais, acredito que o governo contingenciará, em meados de outubro, mas em torno de R$ 15 bilhões”, finaliza. O cenário mostra que o governo tem outro desafio importante mesmo após o congelamento anunciado: mostrar compromisso com o corte de gastos — e não apenas com o aumento de receitas. O economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto, destaca que o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias (RARDP) do 3º bimestre, divulgado pelo governo nesta segunda-feira, indica uma “importante revisão” nas projeções de receitas e despesas à luz da dois meses anteriores. “A receita líquida estimada para 2024 diminuiu R$ 13,2 bilhões, atingindo R$ 2.168,3 bilhões. As despesas primárias aumentaram R$ 20,7 bilhões, totalizando R$ 2.229,6 bilhões”, aponta o economista. Ele destaca que, do lado da receita, houve, entre outros pontos, revisão para cima de R$ 12,5 bilhões no Imposto de Renda, além do aumento do IPI projetado (R$ 3,9 bilhões). Em relação aos gastos, foi registrado aumento de R$ 20,7 bilhões nas despesas primárias totais. O relatório mostrou ainda que houve um aumento na despesa estimada com o Benefício de Prestação Continuada (BPC) — pago a idosos carentes, pessoas com deficiência e pessoas com doenças incapacitantes — e com benefícios da Previdência Social. (leia mais abaixo) Em entrevista à GloboNews na última sexta-feira (19), Salto já havia apontado que o bloqueio de R$ 15 bilhões no Orçamento deste ano deve ser insuficiente para garantir alívio no cenário fiscal do governo. Assista: Em Ponto entrevista: Felipe Salto Segundo o especialista, o tamanho do próximo corte dependerá justamente dos níveis de arrecadação até o final do ano. Centro ou limite da meta? O professor de Economia da FGV Joelson Sampaio acredita que o governo está no caminho certo para cumprir as regras do marco fiscal. Considera, no entanto, que “é sempre arriscado ficar no limite da meta” e que o cenário deverá exigir novos cortes. “O que o mercado tem refletido no dólar e nas demais variáveis do mercado são justamente essas incertezas em relação ao futuro: dado que está próximo do limite, pode haver um limite maior e isso trará um aumento da incerteza no mercado” , ele explica . Nesse sentido, Clayton Luiz Montes, vice-secretário federal de Orçamento, afirmou que o governo continuará buscando o centro da meta, que é o déficit zero —ou seja, despesas atreladas à receita. Ele afirmou que a interpretação da legislação foi que o governo só precisava, neste momento, de contingenciar que ultrapassasse o limite da lei: os R$ 28,8 bilhões. “A interpretação jurídica [e] era que o contingenciamento só deveria ser realizado no valor que ultrapassasse o limite mínimo da faixa [intervalo permitido para o déficit]no valor de R$ 3,8 bilhões”, afirmou. “Mas gostaria de destacar que outras medidas de arrecadação estão sendo tomadas e o centro da meta está sendo buscado, continua sendo a nossa bússola aqui”. Aumento dos gastos com BPC e Previdência Social No relatório divulgado nesta segunda – que é divulgado bimestralmente – o governo também revisou as estimativas de gastos com benefícios do BPC e da Previdência Social. Ambos custarão R$ 11 bilhões a mais em 2024 em relação à Previdência. Orçamentado, sendo R$ 6,4 bilhões com o BPC e R$ 4,9 bilhões com a Previdência Social. Esses benefícios estão vinculados ao salário mínimo, que subiu acima da inflação e atualmente é de R$ 1.412, o número de pessoas que se tornarão beneficiárias poderá aumentar significativamente ao longo do ano. , devido a novas solicitações atendidas e novos pacientes diagnosticados.
emprestimo banco juros
emprestimo consignado bradesco simulação
refinanciamento empréstimo
sac c6 consignado
quantos empréstimos o aposentado pode fazer
emprestimo pessoal em curitiba
simulador emprestimo consignado banco do brasil
simulador empréstimo consignado caixa
0