Ideias recicladas e reembaladas fazem sucesso com foco na nostalgia e na memória afetiva Para quem acorda quase todos os dias desanimado pela falta de motivação no trabalho ou pela monotonia do dia a dia, trago uma ótima notícia: Orkut e a novela “Vale tudo’ ‘. Em que ano estamos mesmo? 2024! Eu não estava confuso. A grande confusão está em nossas cabeças, o que tende a nos fazer acreditar que precisamos criar algo magnífico e inédito para vermos a nossa realidade se transformar. Enquanto isso, tem gente reciclando projetos antigos, adaptando o que já foi feito, reativando o que foi esquecido. Por mais que tudo pareça igual, as emoções despertadas são diferentes e, no final das contas, o que move o mundo, tanto para o bem quanto para o mal, são as coisas sentidas. Na última semana aconteceu mais uma edição da Rio Innovation Week, evento que debate ideias e projetos ligados à tecnologia e inovação. Entre os participantes estava o turco Orkut Buyukkokten, criador do Orkut, rede social que foi fenômeno entre 2004 e 2014, ano em que foi extinta. Com mais de 300 milhões de usuários em todo o mundo, uma de suas características era conectar pessoas com gostos semelhantes, que se reuniam em grupos virtuais chamados “comunidades”, muitos deles baseados em preferências que não precisavam ser levadas a sério, mas que geravam identificação, como “Eu odeio segundas-feiras” ou “Eu queria sorvete, mas era feijão”. Os torcedores também puderam deixar depoimentos nos perfis de outras pessoas, o que incentivou a troca de expressões públicas positivas entre a torcida. Até hoje me arrependo de não ter guardado lindas mensagens que amigos me escreveram na época, bem como uma única foto que tive com meu falecido avô. Em entrevista, o turco criador de tudo isso, atento aos sentimentos das pessoas, disse que o Orkut deve voltar e criticou as redes sociais atuais, afirmando que elas incentivam a “negatividade e a raiva”. Empresário, claro que está analisando o quão viável é retomar esse projeto para que, apoiado na nostalgia das pessoas, possa lucrar com esse retorno. Sua matéria-prima desperta emoções, mas sua decisão é pura razão. Lógica semelhante à que tem sido seguida pela produção teledramaturgia brasileira. O perfil dos telespectadores mudou nas últimas décadas e o formato das novelas enfrenta inegavelmente uma crise. Hoje as pessoas consomem mais rapidamente, com a atenção dividida entre diversas telas, e ninguém tem paciência para uma trama que se prolonga por meses. O fato é que a renovação de autores não tem conseguido alcançar sucessos ininterruptos, apenas fenômenos pontuais. Que tal, então, apostar na memória afetiva de muita gente? Funcionou muito bem com “Pantanal”, mais ou menos bem com “Renascer” e, em 2025, a Globo usará a mesma estratégia com “Vale tudo”, seriado de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères exibido originalmente em 1988 Comparado aos seus antecessores, este remake parece mais arriscado e ousado, por ser uma obra marcada por fortes temas sociais e políticos. Mas o burburinho já começou, as especulações sobre o elenco escolhido… Antes mesmo da estreia já está sendo criado um movimento que é interessante para a emissora. A curiosidade é despertada. Quem assistiu à primeira versão fica tentado a assistir novamente para comparar e saciar a saudade. E sempre há a expectativa de atingir um novo público, entusiasmado com algo que ainda não vivenciou, mas já ouviu falar. Parece aquela história que a gente vira e escuta, sobre alguém que reencontra um amor do passado e retoma um romance que ficou para trás depois de anos. Tem alguns casos que dão certo, outros terminam em frustração. O fato é que a experiência revivida nunca mais será a de outra época, pois não somos mais as mesmas pessoas, não sentimos mais o mesmo. Talvez quem adorava usar o Orkut no início dos anos 2000 ache legal hoje, ou se divirta. Basta (re)assistir para descobrir. Mas quantos de nós continuamos pensando que é necessário fazer algo extraordinário para abalar a nossa existência e, com medo de errar ou decepcionar, ficamos imóveis? Enquanto isso, a galera está lá, com uma repaginada linda e atenta ao principal: o que todo mundo quer é sentir. Preste atenção ao que lhe preocupa, pode haver algum combustível para a mudança. Isso não significa se aventurar sem pensar ou planejar, a maioria de nós não pode nem correr o risco de partir o coração. Mas, geralmente, o que nos move indica caminhos. Quase tudo vale! Gabriela Germano é editora assistente e atua na área de cultura e entretenimento desde 2002. É pós-graduada em Jornalismo Cultural pela Uerj e formada pela Unesp. Sugestões de temas e opiniões são bem-vindas. Instagram: @gabigermano E-mail: gabriela.germano@extra.inf.br
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