Amargura, ressentimento e desejo de vingança são recorrentes nas letras do cancioneiro do compositor gaúcho, também grande melodista. ♪ ANÁLISE – Sofrimento era palavra inexistente no dicionário de música brasileira quando Lupicínio Rodrigues (16 de setembro de 1914 – 26 de agosto de 1974) compôs, entre as décadas de 1940 e 1950, canções que atravessariam gerações no imaginário nacional. Mas, claro, já existia a dor do amor, a velha dor do cotovelo, matriz daquele que é oficialmente considerado o primeiro samba-canção, Linda flor (Ai, yoyô) (Henrique Vogeler, Luiz Peixoto e Marques Porto, 1929 ). Assim como o Yoyô do pioneiro samba-canção, Lupicínio Rodrigues parecia ter nascido para sofrer de amor. E expiou a dor em letras diretas, dolorosas, escritas com altas doses de amargura e desejo de vingança. É por isso que hoje, dia em que a morte do compositor gaúcho completa 50 anos, Lupicínio tem sua obra viva. Não só pelas regravações, mas porque os sentimentos nada nobres que habitam o coração ferido no cancioneiro da autora reverberam em quase toda a música brasileira, especialmente em obras como a da cantora sertaneja feminista Marília Mendonça (1995 – 2021), uma voz calorosa que renovou o repertório de eternas dores de cabeça. A diferença é que Marília rejeitou o papel de vilã que normalmente cabe às mulheres no cancioneiro de Lupicínio e apontou o dedo para os homens. Em sintonia com a moral machista da época em que viveu, o compositor muitas vezes se comportou em suas letras – algumas de cunho biográfico disfarçado, outras inspiradas na dor alheia – como o homem orgulhoso que culpa a esposa pela traição e infortúnio do seu amor. dois. Mas é justo reconhecer que Lupicínio deu a mão e o coração a um dos sambas-canção mais inspirados do autor, Volta (1957), revivido em 1973 na voz imortal de Gal Costa (1945 – 2022). É justo também reconhecer que a sobrevivência da obra de Lupicínio no soul e na discografia popular do Brasil vai além do conteúdo das letras das músicas geralmente compostas pelo artista sem parceiros. Lupicínio Rodrigues também foi um excelente melodista. Basta ouvir sambas como Nervos de aço (Lupicínio Rodrigues, 1947), Isso moços (Pobres moços) (1948), Vingança (1951), Nunca (1952), o já citado Volta (1957) e Ela me contou assim (Vai Away) (1959) para atestar o ajuste preciso da letra e da música. O que justifica regravações sucessivas dessas músicas. Se a dor for intensa, a melodia é apurada e segue sempre um caminho original. Principal criador do sofrimento na música veiculada na era radiofônica, Lupicínio Rodrigues continua vivo – 50 anos depois da morte do compositor – porque a boa música é atemporal, principalmente se trata do abandono, do (falta de) amor e da rejeição, fatalidades das quais ninguém escapa.
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