Foi em 2018 que o artista brasileiro Rafael Grampá começou a conversar com a renomada editora americana de quadrinhos Fantagraphics sobre publicar algo. Inicialmente, o projeto tinha como objetivo trazer algo dos quadrinhos nacionais, segundo o autor de ‘Even Delivery’ (quadrinho publicado em 2008 no Brasil e que fez sucesso nos EUA).
Em meio ao seu envolvimento no mercado americano de quadrinhos, uma ideia surgiu na cabeça do autor: uma Antologia brasileira de quadrinhos, ‘Braba’.
‘Pensei em fazer a curadoria de uma antologia brasileira, algo novo no catálogo deles. Antes existiam apenas dois quadrinhos nacionais, mas não eram originais e sim traduções. ‘Braba’ é a primeira HQ brasileira com material original da Fantagraphics. Eles queriam isso’, diz ele em entrevista por telefone ao CBN.
Criada em 1976, a Fantagraphics é uma das editoras mais importantes do mercado de quadrinhos alternativos dos Estados Unidos – fora do eixo Marvel e DC. Entre alguns títulos famosos publicados nele estão ‘Black Hole’, ‘Minha Favorita Coisa é Monstro’ e ‘Love and Rockets’, todos já publicados no Brasil.
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Dessa forma, apresentar autores brasileiros nos Estados Unidos foi uma forma de divulgar quadrinistas que, muitas vezes, não têm espaço aqui:
‘Sabemos que existe um problema de apoio e consumo de arte no Brasil. Ampliar horizontes acaba permitindo que os artistas sobrevivam da sua arte, até porque são grandes vozes, com trabalhos sensacionais, que não conseguem viver da sua arte em si”, diz Grampá.
Capa da história em quadrinhos ‘Braba’. — Foto: Divulgação
Seleção e manifesto pessoal
Na época em que a ideia começou a avançar, Rafael se envolveu cada vez mais com o mercado americano de quadrinhos – atualmente escreve a série ‘Batman: Gárgula de Gotham’, para a DC Comics. Com o tempo escasso, a fase de curadoria foi a mais trabalhosa.
Havia ainda outra dificuldade: pensar no que interligaria todas as produções da antologia. Depois de refletir sobre muitos assuntos, surgiu a ideia de não transformá-lo em uma ‘sede brasileira para exportação’. O tema permaneceu então como manifestos pessoais.
‘Era criar algo que fizesse sentido para eles porque, naturalmente, já seria algo muito brasileiro’.
No total foram 15 artistas participando de 13 histórias (alguns fazem juntos): Amanda Miranda, Bruno Seelig, Cris Eiko, Diego Sanchez, Gabriel Góes, Jefferson Costa, Jéssica Groke, João Pinheiro, Paulo Crumbim, Pedro Cobiaco, Pedro Franz, Rafael Coutinho, Shiko, Sirlene Barbosa e Wagner Willian.
Dentro dos quadrinhos, cada um traz uma apresentação que traz parte do universo brasileiro, como a referência a algum estado ou a relação com a comida típica de uma região. Tudo isso foi pensado pelo Grampá em conjunto com a editora Mino, que traz a edição brasileira de ‘Braba’, e com a própria Fantagraphics.
A história que abre os quadrinhos é a de Amanda Miranda, com fortes traços experimentais e uso de cores. Ela conta que o convite surgiu em plena pandemia e que esse ambiente a fez construir a narrativa:
‘Acabei encontrando meu tema pela mudança na minha rotina, onde passava 12 horas por dia trabalhando em frente ao computador. Excesso de informação, estímulos violentos, luzes agressivas. Isso me fez pensar na minha relação com a tecnologia, quem eu era quando comecei a usar a internet e como são os jovens que usam a internet hoje. E o ponto de ‘brasilidade’ na minha história vem dessa identidade reconhecível dos brasileiros online’, conta ele CBN.
Para criar as páginas, elogiadas em resenhas internacionais, Amanda desenvolveu uma estrutura de 60 a 20 frames por página ‘com a intenção de criar uma experiência sufocante de excesso de estimulação’.
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Parte da história de Amanda Miranda na história em quadrinhos ‘Braba’. — Foto: Divulgação
Pedro Cobiaco utilizou outra trama cotidiana através de uma poética utilizando imagens e arte para falar da memória:
‘Eu vinha pensando muito sobre isso: sobre o medo que eu tinha de todo o terror que passamos naquele período [da pandemia]do genocídio ao qual sobrevivemos, para sermos esquecidos, naturalizados pela memória coletiva ou pela ausência dela. Então optei por trabalhar essa ideia de memória como um espaço incômodo, vivo e mutável, e não um espaço pacificador, para falar sobre o luto. Pelo menos tentei (risos)’, relata o artista.
Inicialmente, o autor recusou-se a participar da antologia, por ser amigo de Grampá desde os 12 anos e por ser companheiro de trabalho e esposa de Janaína de Luna, editora do Mino. Mas ele mudou de ideia.
“Eles me convenceram de que não faria sentido e que nem eu nem a antologia tínhamos nada a ganhar com a minha ausência. Aí fui subindo, com essa pressão de conquistar meu lugar – até porque sempre foi um sonho estar na Fantagraphics”, completa.
Lançado nos Estados Unidos em julho, ‘Braba’ teve sua primeira recepção na San Diego Comic Con, principal evento de quadrinhos e cultura pop dos Estados Unidos. Lá, houve ainda um painel focado em quadrinhos e no cenário brasileiro de quadrinhos, com a participação de Grampá e Cobiaco.
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Trecho da história em quadrinhos ‘Braba’. — Foto: Divulgação
O curador da obra conta que houve muita curiosidade entre os leitores norte-americanos, tornando-a um dos grandes sucessos do estande da Fantagraphics no evento.
A expectativa é que o sucesso se reflita no território nacional, onde a obra será lançada agora em agosto.
‘Espero que não funcione apenas para mostrar para quem já conhece os quadrinhos nacionais, mas sim para levar para quem não está acostumado a ler esse tipo de história em quadrinhos’, finaliza Rafael.
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