Mais leve, menos doce, com notas frutadas ou até sabor que lembra chocolate amargo. Os diferentes tipos de mel têm ganhado destaque na gastronomia brasileira. Chamadas de floradas, as variações desse produto ganharam espaço nos supermercados e têm atraído mais paladares.
Agora, os tradicionais potes de vidro e bisnagas padronizadas com tampa amarela são substituídos por embalagens modernas e rótulos informativos. Existem até méis “de luxo”, como os da piauiense Teresa Raquel Bastos, a primeira sommelière de mel do Brasil.
Favo de mel intocado é produzido pela empresa de Teresa Raquel, a primeira sommelière de mel do Brasil — Foto: Maurício Pokémon / Irakerly Filho
Filha de apicultor, fez curso na Itália sobre desenvolvimento da percepção sensorial do mel e aplicou no negócio da família. Com isso, a nova produção conta com um catálogo premium. Uma das opções mais exclusivas é o favo de mel intocado, produzido pela abelha diretamente no pote, sem ser manuseado pelo produtor. Cada garrafa, de 750 gramas, custa 100 reais.
“Já fazemos a abelha produzir o favo dentro do pote. Então, quando vamos colher esse mel, abrimos a colméia, tiramos o pote, retiramos as abelhas e completamos com mel para preservar esse favo, chamado de intocado favo, porque o mel não é tocado por mãos humanas e só é produzido um lote de 20 unidades. Vendemos com o número daquele ano e cada pote sai como se fosse digital, porque nenhum sai igual. . que levamos ao consumidor uma experiência realmente diferente.”
O mel em flor da Aroeira do Sertão, árvore abundante no Norte de Minas, é uma das variedades mais raras — Foto: Reprodução: COOPEMAPI – Mel das Gerais
Outra variedade rara é o mel de aroeira do sertão, produzido no norte de Minas Gerais. Luciano Fernandes, presidente da Cooperativa de Apicultores e Agricultores Familiares da região, explica que, até 2017, o principal produto era o mel silvestre, uma mistura de todas as flores, quase totalmente exportado.
“A apresentação do produto mudou. Antes vendíamos mel em tambor. Então você pegava o mel, colocava no tambor e mandava para as empresas, que mandavam para fora do Brasil. Hoje, parte desse mel já permanece no Brasil. Houve trabalho de queijo, vinho, café especial, estamos trabalhando em méis especiais. E isso tem a ver com a biodiversidade, com a bioeconomia e com a sobrevivência das pessoas, porque quando você tem um apiário onde você pode colher três flores durante o ano, você está mostrando que aquela região está preservada em termos ambientais e que não há desmatamento nem monocultura.”
Segundo a Abemel, Associação Brasileira dos Exportadores de Mel, em 2023, o Brasil produziu 42 mil toneladas do alimento, o que coloca o país na 11ª posição entre os maiores produtores do mundo. Contudo, especialistas do sector acreditam que a produção ainda está aquém do potencial do país, devido à sua rica biodiversidade.
Daniel Cavalcante, CEO de uma das principais marcas de mel do país, defende que o marketing tem sido fundamental para mudar a percepção do mel — Foto: Divulgação Baldoni
Um desses especialistas é Daniel Cavalcante, presidente da ABELHA, Associação Brasileira para o Estudo das Abelhas, e CEO de uma das principais marcas de mel do país. Para ele, novas técnicas de gestão e estratégias de marketing têm sido fundamentais para mudar a percepção dos brasileiros sobre o mel.
“O mel ficou abandonado nas prateleiras há mais de 40 anos e é uma compra por impulso. No momento em que levamos esse produto ao mercado ele deu mais visibilidade. , com a disponibilização de diferentes kits e embalagens. Vai a um evento de queijos e vinhos, por exemplo, porque não levar um pouco de mel para acompanhar com queijo?”
Apicultura é principal fonte de renda da família de Luiz Henrique Oliveira, do Piauí — Foto: Geirlys Silva
As recentes mudanças no setor do mel também impactaram pequenos produtores como Luiz Henrique Oliveira, natural do município de Isaías Coelho, no Piauí, estado brasileiro que mais exporta mel. Por meio de cooperativas, o mel de sua família, que tem a apicultura como principal fonte de renda, é enviado para o exterior e, agora, também chegou às prateleiras dos supermercados de todo o Brasil.
“Quando eu era mais novo nem via tanta gente procurando mel. Hoje já vemos uma procura muito maior. Buscamos mais técnicas de gestão que ajudaram muito na evolução da escala da nossa produção. Recentemente fui a Salvador, entrei no mercado e tinha um tubo de mel que a gente produz. Eu estava com meu irmão e falamos: ‘olha o valor que o mel tem aqui, olha onde o nosso mel está indo parar’.”
Mel premium — Foto: Irakerly Filho
Nos últimos cinco anos, a produção nacional de mel aumentou cerca de 50%. A expectativa do setor é que, até 2028, esse volume dobre, provocando também um maior crescimento no consumo do produto nos lares brasileiros.
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